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Pesquisa Origem Destino do Metrô deve ter primeiros resultados no segundo semestre de 2018

Quase 65 mil domicílios da Grande São Paulo devem receber a visita dos pesquisadores para levantar informações sobre a locomoção das pessoas na região.

O Metrô deve divulgar os primeiros resultados da Pesquisa Origem Destino (OD) – Edição 2017 no segundo semestre do ano que vem. A previsão foi feita pelo gerente de Planejamento, Integração e Viabilidade de Transportes Metropolitanos da companhia, o arquiteto Luiz Antônio Cortez Ferreira, durante apresentação feita por ele hoje (13/09) a alunos, docentes e pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), no campus da USP do Butantã, em São Paulo. A pesquisa é o principal e mais completo levantamento feito sobre a locomoção das pessoas pela Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O governo está investindo R$ 11 milhões na pesquisa. Parte dos recursos vem de um empréstimo junto ao Banco Mundial.

Realizada a cada dez anos desde 1967, um ano antes da criação do Metrô, a Pesquisa Origem-Destino completa 50 anos ocupando um papel fundamental para a companhia. “Trata-se de uma fonte confiável e contínua de informação para o planejamento. Para nós, é um estudo essencial, pois dele dependem os simuladores de demanda do Metrô, ou seja, não podemos deixar de fazê-la se quisermos planejar o transporte de São Paulo”, destacou Cortez.

A pesquisa abrange todos os 39 municípios da RMSP, que é dividida por zonas, de forma a garantir a representatividade estatística da amostra. O estudo trabalha com os locais para os quais o metrô pode se expandir. A amostra é de 32 mil domicílios da RMSP, mas os pesquisadores devem visitar o dobro de residências para obter os dados em quantidade suficiente para atingir a amostra definida. Devem ser entrevistadas 103 mil pessoas.

Além da pesquisa domiciliar, o estudo averigua dados sobre as viagens que têm origem fora da RMSP e aquelas que cruzam as vias da região. É a chamada pesquisa na linha de contorno, na qual o Metrô monta 21 postos de pesquisa em rodovias, no ponto onde está a divisa da RMSP com municípios que não a integram. Com apoio da Polícia Rodoviária, os pesquisadores fazem uma contagem dos veículos que passam, por tipo de veículo, e também entrevistam os ocupantes de veículos – cerca de 40 mil questionários serão aplicados. A polícia faz a abordagem dos motoristas, para garantir a segurança de todos. Também são entrevistadas pessoas que usam os terminais rodoviarios de ônibus, os fretados e aeroportos.

O estágio atual – No momento, os pesquisadores estão coletando os dados, visitando as residências para que seus moradores respondam ao questionário. Os domicílios são sorteados e, antes da visita, o Metrô envia uma carta, na qual consta apenas o endereço do morador, explicando a pesquisa, as medidas de segurança para que a pessoa saiba que é realmente um pesquisador do Metrô que está indo até sua casa e dando os contatos do Metrô para tirar dúvidas e agendar o dia em que o pesquisador pode ir até a casa.

São basicamente três as perguntas dos pesquisadores: quais viagens foram realizadas, no dia anterior (e é sempre um dia útil), pelas pessoas que habitam a residência; quais os modos de locomoção utilizados (metrô, ônibus, carro, táxi, a pé, bicicleta etc); e os motivos que levaram a pessoa a se locomover pela cidade (trabalho, estudo, consulta médica, supermercado etc). “O questionário é aplicado a todos os residentes, inclusive às crianças”, contou. A renda familiar, formação, ocupação dos moradores, endereços de trabalho (formais e informais) e de escola também constam da pesquisa. Isso porque a motivação das viagens é um quesito que influencia muito o uso das redes. A renda também: famílias com melhores condições de renda tendem a se locomover mais.

Os resultados da pesquisa permitem, por exemplo, quantificar o movimento pendular da população que habita a RMSP, no qual as pessoas se deslocam no horário de pico da manhã da periferia para o centro da cidade de São Paulo, e depois retornam no fim do dia para suas casas, gerando um pico na parte da tarde. Isso ocorre, essencialmente, por causa da concentração de empregos na região central da cidade, e na expulsão dos moradores do centro, em razão do custo dos terrenos nesse local ser mais elevado do que na periferia.

O estudo também capta outros momentos de pico de locomoção, como o do horário do almoço, quando muitos estudantes deixam a escola por terem entrado no período da manhã, enquanto outros entram para o período da tarde, e ainda o pico mais próximo do fim de noite, quando as pessoas que trabalham e estudam nas faculdades estão retornando para suas residências. “Observamos a expansão da mancha urbana de São Paulo e vemos como, cada vez mais, as pessoas foram para periferia e como a maior expansão se dá na coroa periférica, enquanto o centro se esvazia. Isso nos obriga a buscar as pessoas cada vez mais longe e a ter de atender uma área cada vez maior”, aponta.

“Nossa pesquisa serve para termos quantificação, caracterização e diagnóstico da mobilidade na Região Metropolitana, para ter subsídio para planos e projetos futuros de transporte e para fornecer insumos para projeção de viagens futuras”, destaca. “A pesquisa serve também para outras áreas: avaliar a evolução urbana, pois temos uma série histórica importante, análise de uso do solo, estudos de mercado, entre outros trabalhos que podem ter interesse da academia, poder público e empresas”, acrescenta.

Os dados de pesquisas anteriores estão disponíveis para o público em geral no site do Metrô: http://www.metro.sp.gov.br/pesquisa-od/. Os resultados da edição 2017 também serão disponibilizados neste canal.

Sigilo e anonimato – As informações individuais sobre cada um que responde ao questionário, como o endereço, renda familiar, locais de trabalho, são sigilosas e protegidas, inclusive por sistemas de criptografia. Também é garantido pelo Metrô o anonimato: não constam nomes nos formulários, apenas o endereço. Uma vez que o pesquisador preencheu o questionário com o morador e fechou o arquivo, o documento é enviado em tempo real para o sistema central do Metrô que armazena os dados da pesquisa e o questionário não pode mais ser aberto pelo pesquisador ou qualquer outra pessoa que não tenha autorização para acessar o banco de dados.

Para garantir a segurança dos participantes da pesquisa domiciliar, a carta traz uma senha, que deve ser dada pelo pesquisador para o morador antes dele entrar na residência. Os participantes também podem checar na Central de Atendimento do Metrô se o pesquisador é mesmo da empresa, dando o nome do mesmo para o atendente fazer a checagem. Uma nova arquitetura web foi desenvolvida para a realização dessa edição da pesquisa, contemplando novas medidas de segurança dos dados e também a transmissão em tempo real dos dados coletados pelos pesquisadores, entre outros aspectos.