Escola Politécnica da USP

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Domínio do Big Data é fundamental para o avanço do conhecimento científico

Em workshop, pesquisadores discutiram ferramentas e procedimentos para uso do Big Data, com exemplos na área ambiental.

Com as novas tecnologias, capazes de captar a cada dia maior volume amplo de dados, e a globalização da ciência, demonstrada pelo número cada vez maior de cooperação entre campos do conhecimento e entre países, os cientistas agora se perguntam como armazenar essas informações e compartilhá-las da melhor forma com os pesquisadores e a sociedade de forma geral. O Big Data é apontado como a solução para esse gargalo, e foi justamente sua aplicação no armazenamento e gestão de bases de dados de pesquisa ambiental o tema do II Workshop em Ciência dos Dados da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que terminou nesta sexta-feira (12/05) no campus do Butantã, em São Paulo.

A Poli, o Instituto de Física (IF) da USP e o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), promotores do evento, estão trabalhando em parceria para o desenvolvimento de uma base de gestão de dados, observando desde as ferramentas de computação até as melhores estratégias para fazer essa atividade, direcionada para o uso desse serviço nas pesquisas ambientais.

Em sua segunda versão, o Workshop em Ciência dos Dados procurou disseminar para a comunidade científica os avanços e as melhores técnicas na área de gestão de dados científicos. O tema central do evento foi a Visualização Analítica e como suas técnicas podem ser utilizadas para compreender fenômenos complexos, representados pelos conjuntos de dados.

“Estamos falando sobre a e-Science, sobre o quarto paradigma da ciência, baseada no uso intensivo de dados gerados e manipulados para resolver grandes problemas, como a questão das mudanças climáticas globais ou o sequenciamento do genoma humano, por exemplo, em trabalhos que envolvem parcerias e compartilhamento amplo de informações”, destacou o professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa, pesquisador desse tema na USP.

Ele anunciou na abertura do workshop que será realizado um evento internacional sobre o mesmo tema, em outubro deste ano, na Poli, e do qual devem participar representantes do Atmospheric Radiation Measurement (ARM), projeto do Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos, e um dos grandes exemplos de uso de Big Data para armazenamento e compartilhamento de informações científicas na área ambiental.

Os dados de interesse para armazenamento e compartilhamento são, em geral, informações de uma pesquisa que não foram expressas em artigos científicos, monografias, publicações científicas, mas que serviram para embasar as análises e conclusões dos estudos e experimentos. “Esses dados precisam ser preservados e não devem ser reaproveitados para validar ou criar novos experimentos”, apontou Corrêa. São exemplos de dados coleções de registro de medidas usado pelo pesquisador, textos, algoritmos, modelos matemáticos, questionários e entrevistas usados em Ciências Sociais, fotos, gravações em áudio e em vídeo etc.

Ter uma ferramenta onde armazenar esses dados e dar acesso a eles é apenas um passo no sentido de usar as Ciências de Dados para ajudar os cientistas a trabalharem com grandes bancos e encontrar informações corretas. Gerenciar dados passa então pelas etapas de definição, planejamento, implantação e execução de estratégias. “Precisamos aprender não só a acessar os dados, mas a compartilhá-los, e isso passa por uma mudança de cultura”, disse.

Os cientistas já dispõem de ferramentas para as várias atividades necessárias para se criar, compartilhar e acessar um bom banco de dados. Por exemplo, o DMP Tool é uma ferramenta que ajuda na elaboração do plano de gestão de dados, uma etapa da organização de um banco. Outra iniciativa mencionada foi a do Data Observation Network for Earth (DataONE), apoiada pela National Science Foundation (NSF) nos EUA. É um grande repositório de dados científicos para uso de pesquisadores, educadores e público em geral. Lá estão depositados dados de redes de pesquisa como o The Digital Archaeological Record (tDAR) e o Gulf of Mexico Research Initiative (GRIIDC).

Exemplos – Côrrea citou exemplos de como a Ciências de Dados está sendo empregada em pesquisas ambientais. Um deles é o projeto USGS, órgão responsável pelas unidades de conservação dos Estados Unidos, e que coleta dados ambientais sobre essas áreas. Um dos estudos que estão fazendo é o de observação de uma espécie de ave para verificar se as mudanças no clima afetam seus padrões de migração.

Outro grande projeto é o ARM, que coleta dados climáticos de todo o mundo para criar modelos que serão usados em estudos sobre as mudanças climáticas globais. O sistema tem até um mecanismo semelhante ao das lojas de comércio eletrônico, na qual é possível ‘colocar no carrinho’ as informações que foram pesquisadas e são de interesse do cientista-usuário. As informações colhidas são todas referenciadas, ou seja, fala quem é a fonte do dado. “O ARM é, na minha visão, um dos projetos de maior maturidade em Ciências de Dados aplicada à pesquisa sobre o meio ambiente”, disse.

A pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Luciana Varanda Rizzo, falou sobre os resultados parciais do projeto GoAmazon 2014-2015. Ela contou sobre o estudo que investiga as interações entre as emissões da área urbana de Manaus na região amazônica, observando o comportamento do vento que passa pela capital do Amazonas e leva os poluentes emitidos na cidade para a região de floresta.

Segundo ela, a equipe enfrenta vários desafios em termos de gerenciamento de informações colhidas no experimento, como a integração de dados vindos de diferentes plataformas (estações meteorológicas instaladas na floresta, sensores acoplados em aviões, imagens de satélite, entre outros.) “É um prato cheio para se aplicar ferramentas de Big Data”, concluiu.

(Janaína Simões)

 

Primeiro debate da Poli-USP sobre ética no meio acadêmico está disponível na íntegra

Participaram do evento os professores Nilson José Machado, da USP, e Roberto Romano, da Unicamp.

Já é possível assistir ao primeiro debate sobre ética no meio acadêmico promovido pela Comissão de Ética da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O vídeo está disponível no portal IPTV (clique aqui para assistir) e traz, na íntegra, as apresentações sobre os dois temas iniciais: “Relações de poder entre professores, alunos e funcionários: limites éticos” e “Linguagem adequada no meio acadêmico para respeitar questões de gênero, orientação sexual e raça”. Os debates são voltados para alunos, docentes e funcionários da Escola e da universidade.

Os debatedores foram o professor Nilson José Machado, titular da Faculdade de Educação (FE) da USP, e Roberto Romano, professor titular do Instituto de Filosofia da Universidade de Campinas (Unicamp). Machado é doutor em Filosofia da Educação e atua na área de Educação com ênfase no tema Ética e Educação. Romano é doutor em Filosofia e atua na área de Filosofia com ênfase em Filosofia, Ética e Política.

Esse evento faz parte de um ciclo de cinco debates, organizados pela Comissão de Ética da Poli-USP, coordenada pelo professor Raul Gonzalez Lima. O primeiro encontro foi realizado no dia 25 de abril, no Anfiteatro Professor Francisco Romeu Landi, localizado no prédio da Administração Central da Escola, no campus Butantã. Acompanhe o site da Poli e o PoliInforma para saber as datas e temas dos próximos debates. 

 

USP Mining Team apresenta resultados em competição internacional

Torneio, realizado nos Estados Unidos, homenageia mineiros mortos em incêndio em mina de Idaho. 

O USP Mining Team, grupo formado por alunos do curso de Engenharia de Minas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), promoveu uma reunião de apresentação dos resultados obtidos pela equipe no 39ª Mining Games, competição universitária anual do setor que envolve diversas instituições de ensino de Engenharia de Minas ao redor do mundo. O evento ocorreu no último dia 10 de maio, às 17h, no auditório do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo (PMI) da Escola.

O Mining Games é realizado desde 1978 em homenagem aos mineiros mortos no incêndio da mina Sunshine, em Idaho, EUA, seis anos antes. O objetivo principal da competição é recuperar as velhas técnicas da mineração e fortalecer os laços entre estudantes de Engenharia de Minas ao redor do mundo. Para isso, são realizadas diversas provas que simulam as atividades da profissão. A equipe que possuir as melhores colocações é considerada campeã.

Ao iniciar a cerimônia, os integrantes do time Larissa Peres, Alexander Burt, Ana Yumi Jacomo, Arthur Vezneyan e Gabriel Franco agradeceram a todos que contribuíram para a realização do principal objetivo do grupo: a participação do mesmo no torneio internacional. O professor responsável pelo projeto, Mauricio Bergerman, foi convidado a subir ao palco em seguida. Em um discurso rápido, ele contou que conheceu os jogos quando ainda era docente da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), em Minas Gerais. Lá, ele coordenou a criação do primeiro time brasileiro a competir no Mining Games. Com relação ao grupo da Poli, ele disse estar muito contente em poder ajudar.

Segundo o docente, ações como a dos estudantes ajudam em muito na divulgação do setor, que, para ele, é tímido e geralmente relacionado a tragédias, como explosões e soterramentos. “Essas são iniciativas bacanas e que mostram o outro lado da mineração”, afirmou.

Após a fala de Bergerman, deu-se início à explicação da história do time. Os integrantes disseram que o USP Mining Team arrecadou R$ 60 mil desde a sua criação em julho de 2016. O dinheiro foi utilizado na viagem para os jogos, em materiais gráficos, compra de equipamentos, confecção de camisetas e bandeira do time, e em material para treinamento. Da quantia que sobrou, eles afirmaram que deixarão às próximas equipes.

Os jogos – Os jogos desse ano ocorreram na cidade de Lexington, Kentucky, entre os dias 22 a 26 de março. Os estudantes contaram que os seis dias foram divididos em uma programação que incluiu visita a uma mina subterrânea - onde eles puderam presenciar testes com explosivos -, treinos que antecederam às disputas e uma cerimônia de premiação.  

A prova em que a equipe se saiu melhor é denominada Surveying. Nela, os competidores têm que utilizar um trânsito antigo, ferramenta da topografia, para transportar coordenadas de um ponto de partida para um ponto final. O USP Mining garantiu o sétimo lugar na prova.

Outra disputa em que eles se saíram bem é a Hand Steeling. Nela, cada time possui dois minutos para perfurar um bloco de concreto com talhadeiras e marretas. Ao final do tempo, ganha quem fizer o buraco mais profundo. Os alunos garantem que, nessa e em outras provas, praticar foi essencial e possível graças aos Departamentos da Poli-USP que os apoiaram, pois foram eles os fornecedores dos materiais necessários.

Apoiaram o USP Mining Team a empresa Votorantim Metais, além de outras companhias que também auxiliaram financeiramente o grupo. Os apoios recebidos da Diretoria da Poli, do Departamento de Construção Civil (PCC), do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF) e do Departamento de Engenharia de Transportes (PTR) também foram destacados pela equipe. 

(Amanda Panteri)

 

Estudantes do ensino médio de Sorocaba visitam laboratórios da Poli-USP

Iniciativa da Soamar é apoiada pela Marinha brasileira, com quem a Escola mantém um convênio para formação de recursos humanos na área naval.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) recebeu, nesta quarta-feira (10/05), alunos de escolas de ensino médio da cidade de Sorocaba, no interior paulista, em visita promovida pela Sociedade Amigos da Marinha (Soamar Sorocaba) e que teve apoio do Centro Tecnológico da Marinha. Os estudantes visitaram cinco laboratórios da Poli e também tiveram um encontro com a vice-diretora da Escola, professora Liedi Légi Bariani Bernucci, e com o comandante Jorge Luís da Cunha, diretor do Centro Tecnológico da Marinha, que fica sediado no campus da USP no bairro do Butantã. Os estudantes foram acompanhados pelo presidente da Soamar, Paulo Moreira.

Esta foi a terceira visita organizada pela Soamar Sorocaba (confira aqui as fotos da visita dos alunos no Flickr da Poli). Segundo o comandante Paula Marcelo Marques Peixoto, organizador da visita, a iniciativa está ligada à necessidade da Marinha de incentivar a formação de mão de obra altamente qualificada para a Força, especialmente no que se refere ao programa de construção de submarinos, o PROSUB.

Esse programa prevê projeto e construção de cinco submarinos convencionais e um nuclear no Brasil, com o domínio da tecnologia. O Centro Experimental de Aramar, da Marinha, em Iperó, fica próximo à Sorocaba, onde está sendo desenvolvida parte do projeto do reator nuclear do submarino. A Marinha e a Poli-USP  firmaram em 1956 um convênio de formação técnico-científica que deu origem ao primeiro curso de formação de engenheiros navais do Brasil, parceria que se estende até os dias de hoje.

Os 54 alunos de Sorocaba que visitaram a Poli são oriundos de 16 escolas públicas e 14 privadas. No encontro com a professora Bernucci, eles receberam palavras de incentivo para continuarem seus estudos. “Vocês serão atores das transformações e esperamos que sejam líderes desse processo. Se estudarem com amor pelos estudos, chegarão onde querem”, disse ela, ao falar das mudanças pelas quais o País está passando hoje.

Ela ressaltou que os estudantes tiveram oportunidade de ver pessoas trabalhando a favor do desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia em laboratórios de ponta. “Temos certeza de que vocês ficarão contentes com o que estão vendo – alta tecnologia e pessoas trabalhando pelo bem do País. Multipliquem essa sensação de otimismo, é do que o Brasil precisa hoje”, prosseguiu.

A visita – Os estudantes iniciaram a visita na Poli-USP pelo Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA), onde estão alguns dos estudos mais avançados no uso de membranas para tratamento de água e esgoto. Lá foram recebidos pelos pesquisadores do Centro Raphael Rodrigues, Gracyelly Leocadio e Luana di Beo Rodrigues, e conheceram a tecnologia em detalhes, desde o processo de captação de água de chuva até a produção das membranas. Puderam ver os reatores onde as membranas estão sendo testadas para tratamento de esgosto.

Também visitaram o modelo hídrico do Centro Tecnológico de Hidráulica (CTH) que simula o Terminal Porto da Madeira, que fica no Maranhão. Foram recebidos pelo professor José Carlos Mierzwa, diretor técnico do CIRRA, que explicou o funcionamento e importância do uso de modelos físicos para as pesquisas. Antes de saírem do CTH, puderam conversar com o professor Ivanildo Hespanhol, diretor geral e fundador do CIRRA.

Os estudantes estiveram ainda no Tanque de Provas Numérico (TPN), onde o professor Ewduardo Tannuri, pesquisadores e técnicos do laboratório mostraram o tanque de provas e o simulador de manobras. Eles assistiram também um vídeo que fala sobre a história, a estrutura e as atividades de pesquisa desenvolvidas pelos cientistas no laboratório. Na sequência, visitaram os laboratórios do Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos, onde viram um robô industrial usar uma caneta para desenhar em uma folha de papel e conheceram sistemas de controle digitais e mecânicos.

A terceira parada foi no Centro de Engenharia de Conforto, onde são simuladas as condições de voo para avaliação do conforto dos passageiros das aeronaves, observando-se aspectos como ergonomia, ruído, vibração, temperatura, pressão, iluminação e até as influências psicofisiológicas. A visita terminou no Núcleo Dinâmica e Fluidos (NDF), onde eles viram um sistema que simula plataformas de petróleo para analisar fenômenos da mecânica dos fluidos que impactam esse tipo de estrutura.

Um dos estudantes mais ativos no diálogo com os professores e pesquisadores, durante a visita, foi Renato Júnior, de 17 anos, da Escola Técnica Estadual Fernando Prestes. Ele irá se formar em breve como técnico em programação e seu sonho é entrar na Escola de Cadetes do Exército. A visita à Poli abriu a possibilidade de conciliar a carreira militar com a de engenheiro. “Poderia trabalhar com a área de análise de sistemas e programação”, disse.

Ele afirmou ter apreciado de tudo o que viu na Poli. “Mas gostei mais de ver o quanto de conhecimentos de Química e Física estão envolvidos na Engenharia”, contou. “Foi bom saber que temos um projeto da nossa Marinha relacionado a um submarino nuclear”, exemplificou. Se ele não passar nas provas para a Escola de Cadetes, pretende investir no ensino superior. “Há um leque grande de carreiras a seguir em Engenharia”, concluiu. 

 

Poli-USP cria aplicativo para dimensionar reservatórios de captação de água da chuva

Sistema considera o regime de chuva do local usando informações pluviométricas de bases de dados climáticas como as do CPTEC do INPE.

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criaram um modelo matemático e um software que permite o dimensionamento adequado de reservatórios para captação e aproveitamento da água de chuva. Além de considerar a demanda de consumo e o regime de chuva local, o sistema também estima o tempo de amortização do investimento. O software pode ser usado sob licença por empresas e profissionais de construção civil.

O sistema permite a obtenção de dados pluviométricos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o que possibilita a realização dos cálculos, explica José Carlos Mierzwa, diretor técnico do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA) da Poli e um dos integrantes do grupo de pesquisa. Caso o usuário prefira, pode utilizar dados pluviométricos de outras fontes, mas, neste último caso, terá que inserir manualmente os dados.

“Ao entrar no sistema, o usuário primeiro escolhe o período de chuva e estação meteorológica para obter as informações pluviométricas necessárias, referentes à região na qual pretende construir o reservatório. Depois, define itens como o tamanho da área de cobertura (disponível para captar água), o fator de captação, a variação da demanda de água diária e do volume do reservatório de armazenagem para o projeto”, conta Mierzwa.

O resultado é um gráfico que mostra quanto será captado de água de acordo com o volume do reservatório pensado e a demanda projetada. O sistema permite ver dados mais específicos, como, por exemplo, quanto se aproveita de água de chuva a cada mês, qual a precipitação do ano, quantos dias o edifício ficaria sem água se dependesse só desse sistema de captação, qual o melhor volume de reservatório de acordo com o investimento disponível e o tempo em que se quer recuperar esse investimento etc.

“Como é possível trabalhar com vários cenários – por exemplo, pode-se fazer uma estimativa de maior ou menor demanda –, o profissional que está projetando o reservatório poderá escolher a melhor opção para sua obra, tanto em termos de aproveitamento máximo da água da chuva quanto em relação ao melhor retorno de investimento”, ressalta Mierzwa.

Ponto de partida – A lógica e estrutura de cálculo utilizadas no software já haviam sido desenvolvidas pelos docentes José Carlos Mierzwa e Ivanildo Hespanhol, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA), e pelo engenheiro Maurício Costa Cabral da Silva. Todos atuam no Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA) – Hespanhol é fundador e diretor geral e Mierzwa, diretor técnico. Coube ao estudante de graduação Guilherme Mierzwa, que está no quinto ano de Engenharia Elétrica da Poli – Computação, desenvolver o aplicativo.

“O modelo de cálculo estava em planilha Excell e todos os dados precisavam ser inseridos manualmente”, lembra Mierzwa. “O maior desafio foi fazer a interligação entre o aplicativo e o banco de dados do CPTEC e de outras instituições que disponibilizam dados pluviométricos para que os dados selecionados pelos usuários fossem utilizados pelo aplicativo”, acrescenta.

Além da vantagem de se ter um reservatório dimensionado corretamente, o software propicia uma economia de tempo significativa na elaboração do projeto. “Os cálculos de dimensionamento de um projeto que fiz para a construção de um reservatório da prefeitura de Itanhaém, no litoral paulista, levou quatro horas. Com o aplicativo, eu não gastaria mais de 10 minutos”, finaliza.

O software, intitulado CAPCHU - Captação de Água de Chuva, obteve registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em janeiro deste ano. Mais informações: http://biton.uspnet.usp.br/cirra/

 

RCGI busca parceiros para criar o primeiro carro híbrido flex do mundo

Pesquisadores querem transformar veículo híbrido para que funcione com dois tipos diferentes de gasolina e ainda etanol, GNC e biometano.

O FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI), que fica sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), está buscando montadoras que se interessem por um dos projetos de sua carteira: a transformação de um carro híbrido em um veículo híbrido/flex. O objetivo é adaptá-lo para que utilize, como combustível, a gasolina pura (E0); a gasolina brasileira (E27, que tem 27% de etanol anidro); o etanol hidratado (E100); o gás natural comprimido (GNC) e biometano (biogás purificado, do qual se remove dióxido de carbono e outros gases).

“Estamos procurando um fabricante de veículos que se interesse por esse projeto, no qual já temos como parceiro o Instituto Mauá de Tecnologia. Estamos tratando com dois fabricantes, inicialmente em negociação para poder transformar o veículo. Primeiro, iremos cuidar da função flex, modificando-o para que ele utilize etanol e gasolina em qualquer proporção. A seguir, passaremos a adaptá-lo para gás natural e biometano”, explica o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini.

Segundo ele, este será o primeiro carro híbrido/flex fuel do mundo. O veículo híbrido é aquele que tem mais de um motor, sendo cada um deles movido a um tipo de energia diferente, como combustível e eletricidade, por exemplo. Já o flex possui um único motor, que recebe gasolina, álcool ou gás. “Acreditamos que o futuro, ao menos a médio prazo no Brasil, é o carro híbrido ser flex. Principalmente usando gasolina e etanol e, eventualmente, gás natural e biometano.”

Segundo Meneghini, o maior desafio além das adaptações, é chegar a uma eficiência acima de um carro flex convencional no que tange a consumo e  emissões de poluentes. “Por ele ter uma tecnologia híbrida, acredita-se que teremos um carro flex que será mais econômico, tanto do ponto de vista de consumo de combustível quanto de emissões de gases causadores de efeito estufa. E falo tanto das emissões de dióxido de carbono originário de combustíveis fósseis quanto do CO2 originário de fontes renováveis, como o etanol.”

Ele crê que, eventualmente, as transformações irão implicar na utilização de bicos ejetores com pré-aquecimento, por conta do uso de etanol. “Outras modificações serão necessárias para que o veículo rode com GNC ou biometano, mas tratam-se de alterações factíveis, comprovadamente viáveis. Acreditamos que o desenvolvimento de tal tecnologia seja importante para que o mercado de carros híbridos se fortaleça no Brasil.”

O projeto, intitulado “Development of an hybrid penta-fuel flex vehicle”, faz parte da carteira de 29 projetos de pesquisa do RCGI, cuja missão é desenvolver pesquisa e inovação para o uso sustentável de gás natural, biogás e hidrogênio, além de transporte e armazenamento de CO2 em escala global. 

Sobre o RCGI:

O RCGI – FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa e Inovação em Gás) realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, além de estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Grupo Shell. O Centro reúne mais de 150 pesquisadores, de diversas instituições brasileiras, que atuam em 29 projetos de pesquisa. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

 

16ª Conferência AAMAS termina nesta sexta em São Paulo

Termina nesta sexta-feira (12/05) a 16ª International Conference on Autonomous Agents and Multiagent Systems (AAMAS 2017), que se realiza no bairro do Brooklin, em São Paulo (SP), e pela primeira vez foi sediada em um país da América do Sul. O evento se realiza no WTC São Paulo.

A coordenação da Conferência realizada no Brasil é do professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jaime Simão Sichman. Criada em 2002, a Conferência é considerada o principal evento científico sobre o tema, e tem como objetivo reunir os principais atores e promover discussões no âmbito da pesquisa científica nesse campo. 

No evento estão sendo apresentados trabalhos de pesquisadores do mundo inteiro, que submeteram seus artigos e pesquisas para a análise da comissão julgadora ao final de 2016. Também estão na programação workshops e tutoriais, além das palestras principais com especialistas nacionais e estrangeiros. Confira no site oficial do evento a programação completa. 

 

 


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