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Poli-USP discute o planejamento da operação das usinas hidrelétricas e térmicas no Brasil

O evento tratará dos avanços mais recentes sobre o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e contará com a presença de William Yeh, professor da UCLA 

Como gerir corretamente o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras, considerando a operação integrada com térmicas e outras fontes, intercâmbios, usos múltiplos da água, expansão do sistema, riscos de não atendimento à demanda e elevação excessiva de custos diante das incertezas sobre as principais variáveis envolvidas, como em cenários de secas mais severas. Esse é um desafio que os pesquisadores Renato Carlos Zambon e Mario Thadeu Leme de Barros, professores do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), estão enfrentando atualmente. Os últimos avanços desse estudo serão tema de um workshop que será realizado no dia 11 de julho, que contará com a presença de William Yeh, professor da University of California Los Angeles (UCLA).

O workshop servirá para discutir resultados do projeto de pesquisa “Nova plataforma de planejamento da operação hidrotérmica do Sistema Interligado Nacional” sobre técnicas de otimização aplicadas à geração de energia elétrica no Brasil. Começa às 9 horas e será realizado no PHA. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . O professor Yeh é um estudioso na área de análise de sistemas de recursos hídricos e parceiro de Zambon e Barros na pesquisa.

Atualmente, o sistema de produção de energia elétrica no país se baseia nos sistemas hidrelétrico, térmico e eólico. As usinas hidrelétricas são responsáveis por atender maior parte da demanda de energia no país, que por sua vez é complementada pela produção dos outros dois tipos de usinas. Fatores como períodos de secas podem influenciar e prejudicar a produtividade das usinas hidrelétricas, exigindo acionar térmicas de custo muito elevado e com impactos ambientais significativos.

Os modelos utilizados atualmente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) representam as regiões Norte, Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste como quatro grandes subsistemas agregados em reservatórios equivalentes. Em seus trabalhos de pesquisa, os professores Zambon e Barros defendem a análise individualizada das mais de 150 usinas hidrelétricas de médio e grande porte no país.

Cooperação de longo prazo – A pesquisa é fruto de uma parceria entre os dois docentes da Poli e o professor William Yeh, da UCLA. Zambon atua em trabalhos conjuntos com o professor norte americano desde 2003, incluindo o seu pós-doutorado realizado na UCLA entre 2013 e 2014. Barros e Yeh possuem trabalhos conjuntos desde o final da década de 1980.

“Nosso Departamento é muito conhecido por ter participado de diversos projetos de construção das maiores usinas hidrelétricas do Brasil”, conta Zambon. “Agora, o interesse não está mais apenas em construir, mas também em como operar essas usinas de uma forma eficiente”, complementa. O grupo de pesquisas já contou com a participação de graduandos, pós-graduandos e pesquisadores de outras universidades brasileiras, e recebe o apoio da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

(Amanda Panteri)

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Serviço: Workshop II: Hydrothermal Planning Operation for the Brazilian Interconnected Power System - Stochastic Optimization with Recourse

Quando: 11 de julho.
Horário: Das 9h às 17h.
Onde: Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli-USP. Av. Prof. Almeida Prado, trav.2, n.83, Prédio da Engenharia Civil, Cidade Universitária, São Paulo SP.
Inscrições: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. informando nome completo, profissão, instituição e e-mail para contato. 

Última atualização em Sex, 07 de Julho de 2017 17:13
 

Estudantes da Nigéria iniciam aulas de pós-graduação na Poli-USP

Um grupo de 17 alunos nigerianos vai participar dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) deu mais um passo importante no sentido da internacionalização da instituição. Em agosto, um grupo de 17 estudantes nigerianos inicia as aulas no programa de pós-graduação do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo (PMI) da Escola. A estada dos alunos na USP é resultado de um convênio assinado em junho do ano passado entre a Poli e o Petroleum Technology Development Fund (PTDF), instituição da Nigéria que apoia pesquisas em exploração de petróleo por meio da concessão de bolsas de estudo.

“O PTDF é extremamente ativo no apoio à pesquisa em petróleo e busca sempre uma formação no estado da arte para os alunos na pós-graduação. Quando procuraram por instituições que têm programas de formação e de pesquisa avançados na exploração de petróleo em grandes profundidades, olharam para o Brasil e nos encontraram. Depois de um tempo de negociação, fechamos a parceria”, destaca o chefe do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo, professor Giorgio de Tomi.

O PMI ocupa a 25ª posição no QS World University Rankings by Subject, entre os cursos universitários existentes no mundo. O QS World University é o principal ranking internacional relacionado ao ensino superior no mundo. Já o PTDF, que existe há mais de 15 anos, é um grande financiador na Nigéria. Até o ano passado, já havia financiado mais de 2,5 mil bolsas de mestrado e 642 de doutorado.

O petróleo é a principal fonte de riqueza do país africano, que busca, com o convênio, formar os profissionais para atuar na sua indústria. A Nigéria também tem petróleo em camada de pré sal, mas está tecnologicamente um pouco atrás em relação ao Brasil na exploração de águas profundas, área na qual nosso país é líder mundial em pesquisa e produção, daí buscar a formação de recursos humanos aqui. “Quando pensamos em termos de país, a gente nota que temos problemas e desafios semelhantes. Queremos sair de onde estamos e elevar o patamar de nossas economias, então é natural que sejamos parceiros e que eles nos procurem por termos a liderança no conhecimento e na tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas”, atesta Giorgio.

Dos 17 alunos que virão da Nigéria, nove irão cursar o mestrado e oito farão o doutorado na Poli, e ambos vão ter aulas e desenvolver atividades de pesquisa nos campi da Poli em São Paulo e em Santos. “A porta de entrada é o curso de petróleo, mas o programa que eles vão desenvolver aqui é multidisciplinar e vai envolver outras áreas da Engenharia, em assuntos relacionados ao setor de petróleo e aos seus projetos de pesquisa”, acrescenta. Cada um tem um docente tutor – que não é necessariamente o orientador da pesquisa. “O papel do tutor é ajudar na ambientação, dar dicas para facilitar a adequação como aluno da USP, como se engajar nas disciplinas etc”, explica.

O programa de pós-graduação do PMI já tem quase metade de seu conteúdo aplicado em língua inglesa, então esse não será um problema para os estudantes nigerianos. Mas eles terão aulas de língua portuguesa, pois parte do programa é também oferecer elementos da cultura brasileira aos participantes e inseri-los na sociedade enquanto estiverem no Brasil. O prazo previsto para conclusão dos cursos é de dois anos para quem está fazendo mestrado, e de três anos para o doutorado.

(Janaína Simões)

Última atualização em Qui, 06 de Julho de 2017 15:55
 

Software ajuda a indústria a projetar peças mais leves e eficientes

Startup que desenvolveu o Virtual Pyxis foi criada por alunos dos professores da Poli-USP, Emílio Carlos Nelli Silva e Paulo de Mattos Pimenta

Sistemas de Engenharia Assistida por Computador (CAE, sigla do inglês Computer-Aided Engineering) têm auxiliado a indústria a projetar peças com topologia – forma e estrutura internas e externas – ideal para suportar as condições em que deverão operar, como temperatura, pressão, vibrações, esforços diversos etc. e produzi-las com o mínimo de matéria-prima possível. Ou seja, lançando mão de um software para otimização topológica por meio da tecnologia CAE.

Os softwares de otimização topológica possibilitam à indústria esculpir virtualmente peças mais leves, usando um determinado volume de matéria-prima e monitorando a sua resistência.

Esses atributos são função do design. “Você fornece parâmetros ao software com as qualidades e características que precisa naquela peça e o programa mostra o caminho do design que precisa ser seguido para que ela apresente aquelas propriedades”, resume Ricardo Doll Lahuerta, engenheiro mecatrônico responsável pela pesquisa que, com financiamento conjunto do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP, e da empresa VirtualCAE, está promovendo um enorme salto de qualidade nesse tipo de ferramentas.

Recém-lançado, e ainda com vários aprimoramentos em curso, o Virtual.Pyxis já está licenciado para departamentos de pesquisa avançada de grandes multinacionais e para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), conceituada escola de engenharia do mundo.

A VirtualCAE é uma startup criada por alunos dos professores Emílio Carlos Nelli Silva e Paulo de Mattos Pimenta, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Leia mais sobre a empresa no site do Pesquisa Para Inovação da Fapesp (link http://pesquisaparainovacao.fapesp.br/software_ajuda_a_industria_a_projetar_pecas_mais_leves_e_eficientes/292).


Última atualização em Qui, 29 de Junho de 2017 16:07
 

Pesquisadora da Poli-USP cria sistema para automatizar a emissão e o controle de prescrição médica

Proposta de automação e padronização do processo de controle é parte do processo de rastreabilidade de medicamentos e inclui uso de tecnologia já aplicada ao controle fiscal do comércio varejista.

A pesquisadora Melissa Serama Pokorny, do grupo Gestão em Automação e Tecnologia da Informação (Gaesi) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), propõe a automação e padronização do processo de controle de prescrição médica e de dispensão de medicamentos no Brasil com base no Sistema Autenticador e Transmissor (SAT), tecnologia que também foi desenvolvida por pesquisadores da Poli-USP e já em uso no Estado de São Paulo para controle fiscal do comércio varejista.

Dispensação é o ato da entrega do medicamento para o paciente quando este entrega a receita em uma farmácia ou ponto de retirada de medicamento. Em seu projeto, a pesquisadora estudou a proposta do governo sobre a rastreabilidade de medicamentos desde a sua produção até o consumo, atendo-se à parte da relação entre médico, paciente e medicamento, chegando então ao sistema sugerido por ela para fazer essa automatização.

A proposta de Pokorny foi detalhada em sua dissertação de mestrado, orientada por Augusto Ferreira Brandão Júnior, docente do Departamento de Engenharia de Energia e Automação Elétricas (PEA) da Poli-USP e professor associado do Gaesi. Segundo a pesquisadora, quase R$ 66 bilhões em medicamentos foram vendidos apenas nas farmácias em 2014 no Brasil, valor correspondente à venda de 3,12 bilhões de unidades de medicamentos. “A lei 11.903, de janeiro de 2009, estabelece que o governo precisa fazer a rastreabilidade do medicamento, com o objetivo de coibir furtos e desperdícios. Ele precisa saber quais medicamentos existem, onde estão, quantos foram produzidos, para quem estão sendo indicados e quem os está consumindo”, conta. Após a conclusão do projeto de mestrado, o governo alterou essa norma por meio da lei 13.410, de 28 de dezembro de 2016, definindo que não será obrigatória a rastreabilidade de todos os medicamentos, cabendo ao ao governo determinar as categorias que serão sujeitas ao Sistema Nacional de Controle de Medicamentos.

Avaliando essa demanda, Pokorny percebeu que os sistemas previstos tratavam da indústria até os pontos de dispensação. “Embora a legislação fale da inclusão de médicos e pacientes nesse sistema de rastreamento, não havia nada palpável até então. Em conversa com o professor Brandão, percebemos um tema de pesquisa, que seria a inclusão dessa parte da cadeia estabelecida pela relação médico-paciente-medicamento-farmácia”, diz.

Tecnologia integradora – Para promover a integração dos dados entre os diversos elos surgiu a ideia de se utilizar o SAT, tecnologia responsável pela geração de cupons fiscais eletrônicos no comércio do Estado de São Paulo. Quando é feita uma compra no varejo, hoje, o SAT gera um cupom fiscal que contém um QR-Code, com elementos de validação da informação sobre a compra. Os dados dessa compra vão para a Secretaria Estadual da Fazenda, de forma que se cruza as informações do estabelecimento comercial e do produto adquirido. A medida serve, basicamente, para combater a sonegação fiscal.

No sistema proposto pela pesquisadora para uso do SAT pelo setor de medicamentos, o órgão público responsável pelo rastreamento poderia ser a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já que ela é responsável pelo Sistema Nacional de Controle de Medicamentos. A entidade teria um banco de dados em que armazena as informações sobre a produção dos medicamentos (laboratório responsável, lote, data etc); dados sobre os médicos, que vão prescrever receitas eletrônicas que também serão armazenadas no sistema; e dos pacientes, que seriam identificados pelo sistema por meio do registro do CPF ou RG, já que não existe um documento único de identificação de pessoas no Brasil e nem todos têm o Cartão Nacional de Saúde do SUS.

Os médicos usariam softwares específicos para prescrição de medicamentos. Ao fazer uma receita eletrônica, ela seria gerada, armazenada e transmitida pelo SAT. “Esse equipamento teria uma conexão com o celular ou computador para fazer essa transmissão. O software de prescrição, obviamente, precisaria ser adaptado para poder transmitir as informações em um padrão unificado, que pode ser definido pelo órgão regulador, no caso sugerido, a Anvisa”, diz Pokorny. Já o paciente receberia do médico um extrato unificado, que seria entregue na farmácia na compra do medicamento.

Quando o paciente comprar o medicamento ou retirá-lo, ele apresenta o extrato, que já está no banco de dados da Anvisa porque seus dados constam na receita gerada pelo médico eletronicamente durante a consulta. A farmácia, que também terá um terminal SAT para registrar a venda, irá vincular o número de série do medicamento dispensado à Receita Médica Eletrônica proposta no trabalho e transmitirá esses dados para o banco de dados da Anvisa. Poderão ser cruzadas, então, as informações sobre os medicamentos produzidos, enviados pela indústria, com a receita prescrita pelo médico e a dispensação pela farmácia. Dessa forma, a Agência saberia não só sobre a produção e distribuição dos medicamentos, mas quem comprou o medicamento, onde, quando e qual médico o prescreveu, conseguindo fazer o ciclo completo da rastreabilidade.

“A conexão dos terminais SAT com o banco de dados da Anvisa seria segura. Além disso, os dados devem ser tratados com mesmo nível de segurança do que se faz na Receita Federal hoje”, afirma o professor Brandão, ao comentar os aspectos de privacidade e segurança que devem ser contemplados ao se adotar o sistema.

Para Pokorny, o grande diferencial permitido pelo uso do SAT é que esse sistema permite a geração de documentos mesmo que em modo offline. “Como a cobertura de internet no Brasil ainda é precária em vários locais, nem sempre um médico ou uma farmácia terão a conexão no momento em que prescrevem ou vendem um medicamento. Mas é possível pensar em trabalhar como se faz com as urnas eletrônicas para as eleições, em que se armazena os dados offline e depois o equipamento é levado até algum local para fazer a conexão e transmitir os dados armazenados para o banco de dados da Anvisa”, diz.

Além de ajudar no combate ao uso indiscriminado, furto e falsificação de medicamentos, o sistema de rastreabilidade pode ser efetivo em momentos de crise, como, por exemplo, quando é preciso retirar um medicamento do mercado. “Em um caso de problema em determinado lote seria possível identificar quantos produtos desse lote foram fabricados, onde foram comercializados, quem comprou e quantos ainda estão em estoque nas farmácias”, exemplifica. “Isso permite uma rápida intervenção para retirada do produto do mercado, o que pode, em última instância, salvar muitas vidas”, conclui a pesquisadora.

(Janaína Simões)

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Atendimento à imprensa
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Janaína Simões
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USP desenvolverá projetos de inovação com empresas

No dia 26 de junho, foram assinados os contratos das sete novas unidades credenciadas pela Embrapii, das quais três são de projetos da USP; Poli-USP participa da inicitiva por meio da Engenharia Química.

Uma solenidade realizada no Salão de Atos, no prédio da Reitoria, no dia 26 de junho, marcou a assinatura dos contratos das sete novas unidades credenciadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa de Inovação Industrial (Embrapii), das quais três são de projetos da USP.

As unidades da USP selecionadas estão ligadas à Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e à Escola Politécnica (Poli). No total, as novas unidades poderão receber até R$ 177 milhões para seus planos de ação. A chamada pública foi lançada em setembro de 2016 e a seleção, entre as 85 propostas recebidas, foi realizada pelo Conselho de Administração da Empresa.

Embrapii é uma organização social que mantém contrato de gestão com o Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Educação (MEC). Atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação.

As unidades selecionadas estão credenciadas a receber recursos financeiros para prospectar e executar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em parceria com empresas industriais. Para isso, devem ter um plano de ação para seis anos de operação, incluindo metas a serem atingidas quanto ao número de projetos e valores estimados.

A Esalq atuará na área de biocontroladores de pragas agrícolas e o IFSC apresentará projetos em biofotônica e instrumentação, ligados ao desenvolvimento de equipamentos médicos para tratamento por meio de luzes e micro-ondas terapêuticas. Já a Poli, por meio do Departamento de Engenharia Química, irá oferecer às empresas sua expertise na recuperação de rejeitos industriais por meio do desenvolvimento de substâncias químicas sustentáveis, a chamada química verde.

Setor produtivo

“A Embrapii veio estimular ainda mais a interação dos grupos acadêmicos com a indústria. O modelo é bastante distinto de outros que existem no mundo todo, porque pré-selecionamos aqueles grupos de pesquisa que estão qualificados e capacitados, que já têm infraestrutura e alguma experiência em trabalhar em projetos com empresas, para aumentar essa capacidade de interação. O modelo foca no projeto da indústria, o que tem dado resultados bastante interessantes”, destacou o diretor-presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, na abertura da cerimônia.

Segundo Guimarães, atualmente, a Embrapii tem 35 unidades credenciadas e a expectativa é que esse número chegue a 42 até o final deste ano.

O reitor da USP, Marco Antonio Zago, ressaltou a importância da relação da Universidade com o setor produtivo e a inovação. “Esta é a Universidade retomando uma de suas principais missões, que remonta à sua origem, que é a de atender às necessidades da sociedade. A Universidade justifica sua presença na sociedade por oferecer educação superior de qualidade e promover o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, considerou.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, que também participou da solenidade, ressaltou a importância da Embrapii como vetor nacional de inovação e desenvolvimento tecnológico das empresas. “Esse projeto é emblemático. Mostra o quanto é importante acreditar na parceria da inovação com a academia, e o quanto é importante essa parceria ser apoiada pelo poder público. É em projetos como a Embrapii que identificamos as oportunidades e consolidamos os projetos, apresentando as perspectivas de um novo Brasil”, afirmou Kassab.

Além da USP, as outras unidades credenciadas pela Embrapii foram o Centro de Química Medicinal de Inovação Aberta da Unicamp; o Centro Suíço de Eletrônica e Microtécnica, localizado em Minas Gerais; o Instituto Senai de Joinville; e o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico de Manaus.

(Adriana Cruz | Jornal da USP)

Última atualização em Ter, 27 de Junho de 2017 13:41
 

Aplicativo inspirado em Pokémon GO explora fauna da Mata Atlântica

Primeira versão do BioExplorer será lançada com alunos de escolas públicas na Semana do Meio Ambiente da USP

Jovens se aglomerando em lugares por onde nunca haviam passado, interagindo com pessoas com as quais nunca tinham conversado, todos unidos na busca por personagens de um desenho animado japonês. Foi o que provocou o lançamento do aplicativo Pokémon GO, que em pouco tempo se tornou um fenômeno no mundo inteiro.

O sucesso do jogo chamou a atenção de Antônio Mauro Saraiva, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação (NAP BioComp). Ao notar a movimentação em torno do app, Saraiva se questionou como as crianças e os adolescentes poderiam aprender enquanto jogavam.

O resultado foi o BioExplorer, um aplicativo de realidade aumentada com animais da Mata Atlântica. Sua primeira versão conta com quatro animais: o lobo-guará, a capivara, o carcará e a onça-pintada, que aparecem em um raio de 35 metros do jogador. Ao encontrar cada um deles, os animais se apresentam em áudio e texto. Depois de conhecer todos, um personagem folclórico é desbloqueado, o Saci-Pererê.

“Quando eu vi a garotada procurando pokémons, quis criar algo que levasse as pessoas a aprenderem mais sobre a nossa biodiversidade com o mesmo entusiasmo. Mas não só a nossa biodiversidade, o nosso folclore também, que é muito ligado à natureza, aos rios, às matas, à fauna e flora”, diz Saraiva.

Segundo o professor, as próximas versões do aplicativo contarão com mais animais e personagens folclóricos e, dependendo da recepção do BioExplorer, novos aplicativos do gênero podem ser criados.

O BioExplorer é uma ferramenta de educação ambiental que visa a abordar assuntos como o desmatamento, a extinção de animais, as mudanças climáticas e a biodiversidade da Mata Atlântica. O projeto é baseado em conceitos da educomunicação — como a educação outdoor, que propõe uma maior interação dos alunos com o objeto de estudo — e da computação.

O projeto foi feito em conjunto com sete unidades da USP: além da Poli, o Instituto de Biociências (IB), Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), Escola de Comunicações e Artes (ECA), Parque de Ciência e Tecnologia (Cientec), Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) e Superintendência de Gestão Ambiental (SGA). Há também a parceria com as empresas 3Dvoyage e o DoopaTV.

Lançamento - O BioExplorer já está disponível no Google Play e será lançado na Semana do Meio Ambiente da USP, que ocorre entre os dias 5 e 9 de junho. Alunos da Escola de Aplicação (EA) da USP e do Programa de Desenvolvimento Humano pelo Esporte (Prodhe) participarão de uma atividade na Raia Olímpica da USP.

Além disso, a semana também contará com atividades do Projeto Ecossistemas Costeiros, projeto de extensão do IB. Escolas públicas participarão de trilhas no Parque Cientec e no Cepeusp que discutirão as mudanças climáticas e ensinarão a turmas de ensino fundamental o processo de fotossíntese e o ciclo do carbono.

(Larissa Lopes | Jornal da USP)

 

INOVALAB@POLI é primeiro laboratório brasileiro a integrar rede internacional finlandesa

A rede Design Factory Global Network é composta por centros de pesquisa que possuem como pressuposto o ensino multidisciplinar

A inserção do laboratório INOVALAB@POLI, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), na rede internacional Design Factory Global Network é um passo importante para a promoção das parcerias entre os setores acadêmico e industrial, destacou o reitor da USP, professor Marco Antonio Zago. Ele participou da cerimônia de oficialização da entrada do laboratório na rede, realizada nesta terça-feira (20/06), no Anfiteatro do Departamento de Engenharia de Produção (PRO).

Além do reitor, participaram do evento a vice-diretora da Escola, Liedi Légi Bariani Bernucci, o embaixador da Finlândia no Brasil, Markku Virri, e diversas autoridades.

O reitor da USP destacou a importância da rede internacional no que ele disse ser o principal objetivo de sua gestão. “Devemos derrubar os muros da Universidade e fazê-la se relacionar com a sociedade e com o setor produtivo”. Ele afirmou ainda que a Poli faz isso muito bem, e lembrou a todos que o relacionamento entre a Finlândia e o Brasil já é intenso e muito bom, mas que agora está caminhando para áreas como a da inovação. Por isso, segundo ele, é importante incentivar projetos e parcerias entre os dois países.

Zago terminou sua fala agradecendo aos professores e à Poli pela iniciativa, e não se esqueceu dos alunos. “São os estudantes que movem a Universidade e a sociedade, por isso temos que ouvi-los.”

Zago, Bernucci e Virri compuseram a mesa de abertura. Coube à professora Roseli de Deus Lopes, uma das coordenadoras do laboratório, dar as boas vindas a todos os presentes. Ela lembrou que o INOVALAB, que completa cinco anos, surgiu com o intuito de conquistar espaços dentro da Poli e de desenvolver múltiplas competências nos alunos. A docente ainda afirmou que a entrada do laboratório na rede é um grande passo para a Universidade em termos de internacionalização e que o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, da Diretoria da Escola e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP foram imprescindíveis para a realização do projeto.

Liedi Bernucci agradeceu a presença de todas as autoridades em nome da Poli-USP, e disse ser uma honra para a Escola poder fazer parte da rede, uma vez que a Finlândia é um exemplo em educação e inovação. Virri completou a fala da colega afirmando que acompanha os acordos de internacionalização entre universidades dos dois países há três anos, e que a cooperação científica está aumentando e deve ser incentivada. “A Design Factory serve como exemplo de como uma universidade finlandesa utiliza conceitos como a cooperação para realizar projetos inovadores”, terminou.

Os presentes ainda puderam assistir a uma apresentação de Viljami Lyytikaimen, da Universidade de Aalto, na Finlândia. Ele explicou o que é a Design Factory Global Network, criada há dois anos com o intuito de “formar os melhores criadores e desenvolvedores”. Ele contou que os laboratórios que fazem parte da rede trabalham em projetos de engenharia, seminários e atividades mais informais (como um café servido semanalmente e aberto ao público) voltados para a multidisciplinaridade.

Segundo Lyytikaimen, a possibilidade de ter pessoas de diversas áreas trabalhando em espaços comunitários para a solução de um único problema enriquece os resultados obtidos e melhora a interação dos alunos dentro da universidade. Dentro da rede, os professores fazem papel de mentores e os estudantes são os protagonistas. Para se aproximar ainda mais da prática, a Design Factory visa o ensino do processo de inovação considerando os seguintes elementos: conhecimento e estudo do problema, desenvolvimento de protótipos, formação de equipes multidisciplinares, realização de parcerias com a indústria e a colaboração internacional.

Ele ainda trouxe um exemplo concreto de atividades que são feitas dentro da rede. Uma delas é a hackathon, realizada durante uma semana simultaneamente em diversos países, e que utiliza a diferença de fuso-horário entre eles para o revezamento do trabalho das equipes em turnos, à medida que anoitece em cada localidade. Após a apresentação de Lyytikaimen, os presentes assistiram a um vídeo produzido por alunos que compõem a rede internacional em que davam boas vindas ao INOVALAB.

Uma segunda mesa de cerimônia visou discutir a importância da rede para a USP. Estiveram presentes na discussão Fernando José Barbin Laurindo, chefe do Departamento de Engenharia de Produção; Lucas Tomilheiro Sancassani, presidente do Amigos da Poli; Carlos Gilberto Carlotti Jr, Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP; José Eduardo Krieger, Pró-Reitor de Pesquisa da Universidade; Moacyr Ayres Novaes Filho, da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (AUCANI) e a vice-diretora da Poli, Liedi Bernucci.

Sancassani começou falando das iniciativas do Amigos da Poli com o objetivo de aumentar a qualidade da formação dos alunos. Ele explicou também como funcionam os Fundos Endowment. Barbin Laurindo disse ter ficado impressionado com a iniciativa da Poli, uma vez que a entrada da Escola em uma rede como a Design Factory é muito importante para combater o que ele defendeu ser uma crescente individualização do mundo. “A Engenharia de Produção nasceu com uma necessidade de multidisciplinaridade, e ter esse espaço que possa acolher alunos de outros cursos é muito bom”, afirmou.

Ayres Novaes destacou que as diretrizes de ação internacional nas universidades estão mudando: antes elas eram baseadas na troca de conhecimento entre as instituições de ensino, e agora focam mais nas transformações das mesmas. Carlotti endossou a fala do colega ao defender que a internacionalização agora passa por uma nova fase, onde os investimentos deixarão de ser concentrados nos alunos e passarão às universidades e suas iniciativas, como as redes de pesquisa.

Krieger foi o último a discursar. Ele afirmou que a USP é uma instituição cara e financiada pela sociedade, que espera muito dela. “Por isso, precisamos melhorar a relação da USP com a sociedade e com a indústria, assim como a Design Factory faz”, completou.

Eduardo Zancul, professor da Poli e coordenador do laboratório, encerrou a cerimônia com agradecimentos a todos. Após isso, os presentes foram convidados para o descerramento da placa de agradecimento ao Fundo Patrimonial Amigos da Poli e a reinauguração de uma sala do INOVALAB. O dia terminou com uma feira de startups e projetos incubados pelo laboratório.

Sobre a rede - A rede nasceu na Universidade de Aalto, na Finlândia, onde foi desenvolvido o sistema educativo da Design Factory. A expressão diz respeito à ideia de integração multidisciplinar entre engenharia, design e negócios para a realização de projetos e pesquisas. Os bons resultados do laboratório da universidade finlandesa fizeram com que a instituição resolvesse expandir a ideia e criar a rede internacional, que é integrada por instalações semelhantes de universidades em Portugal, Suíça, Estados Unidos, Austrália, Chile, Colômbia e agora do Brasil.

Confira as fotos da cerimônia em nosso álbum do Flickr

(Amanda Panteri)

Última atualização em Qui, 22 de Junho de 2017 16:50
 


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