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Indústria precisa aprimorar tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo

Pesquisador da Poli-USP detecta que a forma de projetar os equipamentos hoje pode não considerar de forma adequada o efeito de forças compressivas

Eduardo Ribeiro Malta, formado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), pesquisador de pós-doutorado da instituição e oficial engenheiro do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), constatou em seu trabalho de doutorado que a forma atual de projetar os tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo pode não ser a mais adequada para enfrentar as condições de operação dos equipamentos nos oceanos.

Da forma como são feitos hoje, os tubos estão sujeitos a rompimentos por causa das forças que afetam as diversas camadas que os compõe, alerta o pesquisador em seu trabalho, que receberá em junho próximo o prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award, concedido pela Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (American Society of Mechanical Engineers).

O prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award veio da participação do pesquisador na Conferência OMAE - Offshore, Marine and Arctic Engineering - em 2016, onde ele apresentou um artigo relacionado à Engenharia Offshore, campo que se dedica ao estudo da extração de petróleo no mar.

O artigo premiado é um recorte da tese de doutorado do pesquisador, voltada para a questão do atrito entre as camadas dos tubos flexíveis. “No meu doutorado, eu mostrei principalmente que a modelagem do tubo flexível não pode ser tão simplificada quanto alguns autores e regulamentos colocam”, afirma. Esses tubos são como mangueiras que interligam a plataforma marítima ao poço, no fundo do mar, e fazem o transporte de óleo, gás e água, encontrados abaixo do solo, até a superfície. Seus diâmetros internos podem variar desde duas polegadas e meia a 18 – tamanho de um calibre de canhão –, e os preços chegam a US$ 6 mil o metro.

Por serem muito longos e estarem expostos a um ambiente agressivo, os tubos podem sofrer danificações das mais diversas. Podem ceder à pressão interna e se romper, não suportar o próprio peso ou até mesmo sofrer ataques externos de animais marinhos; situações que causam o vazamento do conteúdo do tubo no mar e geram graves impactos ambientais e prejuízo financeiro.

Para evitar tais problemas, eles geralmente são produzidos com diversas camadas de reforço, feitas de materiais muito resistentes. Cada uma das camadas possui a finalidade de proteger o tubo de algum dos incidentes. Um exemplo é a camada mais interna, feita de aço inox, que serve para resistir à pressão externa do tubo, no caso de comprometimento da camada estanque externa.

Doutorado – Pensando nisso, Malta resolveu se dedicar ao estudo sobre o processo de falha desses tubos quando submetidos a situações de compressão provocadas pelo movimento da plataforma. Ele conta que esses processos podem ocorrer devido à plataforma marítima se movimentar bastante, por causa das ondas e do vento, o que desloca os tubos e os comprime. Quando comprimidos, acontece um fenômeno denominado birdcaging: a armadura de tração, camada interna responsável por suportar a tração do peso do tubo e que é formada por tendões de aço intercruzados, se expande e ganha o formato de gaiola, danificando os outros revestimentos.

O que o pesquisador fez, então, foi tentar entender quais eram os fatores que contribuíam para que o birdcaging ocorresse. Ele criou um modelo numérico, espécie de simulação computacional, onde testou diversas situações diferentes. A primeira delas foi provocar um rasgo na camada mais externa do tubo, e submetê-lo à compressão, o que não influenciou significativamente os resultados. Depois, foi a vez de outra camada, feita com fibra de aramida (cujo nome comercial é Kevlar e é usado para a fabricação de coletes à prova de balas), ser danificada e exposta aos esforços solicitantes.

Artigo premiado - Na Conferência OMAE, Malta apresentou os resultados dos experimentos envolvendo o atrito entre as camadas do tubo. Normalmente, as camadas são produzidas e dispostas entre si bem justas umas às outras e fitas antiabrasivas são colocadas entre as camadas, pois desse modo não há tanta fricção e elas não se desgastam tão facilmente.

Durante a pesquisa, ele descobriu que isso pode não ser benéfico para o tubo: quanto mais justas as camadas estão uma às outras, ou seja, quanto maiores as forças de atrito entre elas, menor será a carga crítica de compressão que resulta no bircaging. As forças de atrito transferem os esforços de uma camada para a outra, fazendo com que elas trabalhem em conjunto, de modo coeso. Sem o atrito, tais forças coesivas não são tão expressivas, de tal forma que a armadura de tração suporta sozinha a carga de compressão e acaba antecipando a falha.

Essa constatação garantiu ao pesquisador o prêmio de melhor artigo da conferência. “O prêmio é muito importante, pois é bom representar o Brasil em conferências como essa. É uma grande conquista para a Poli e para o Laboratório [de Mecânica Offshore - LMO]”, diz sobre o feito. Ele irá apresentar outro trabalho no evento esse ano, dessa vez relacionado ao mecanismo que conecta os tubos uns aos outros.

Trajetória - Malta conta que se interessou pela área desde a sua iniciação científica, em 2007, quando conheceu o professor Clóvis Martins. Orientado pelo docente, ele iniciou as pesquisas no Núcleo de Dinâmica e Fluidos (NDF) do Departamento de Engenharia Mecânica (PME) da Poli, e posteriormente passou a fazer experimentos no LMO, dos professores Martins e Celso Pesce.

Ele afirma que passou boa parte do tempo do doutorado simulando as situações dos tubos flexíveis no modelo numérico criado por ele. Cada simulação demorava aproximadamente quatro dias para ficar pronta, e, ao todo, foram realizadas cerca de 200. Para o pós-doutorado, ele deseja analisar seu modelo e melhorá-lo baseado nas possíveis sugestões vindas da avaliação da banca.

(Amanda Panteri)

 

Primeiro debate da Poli-USP sobre ética no meio acadêmico está disponível na íntegra

Participaram do evento os professores Nilson José Machado, da USP, e Roberto Romano, da Unicamp.

Já é possível assistir ao primeiro debate sobre ética no meio acadêmico promovido pela Comissão de Ética da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O vídeo está disponível no portal IPTV (clique aqui para assistir) e traz, na íntegra, as apresentações sobre os dois temas iniciais: “Relações de poder entre professores, alunos e funcionários: limites éticos” e “Linguagem adequada no meio acadêmico para respeitar questões de gênero, orientação sexual e raça”. Os debates são voltados para alunos, docentes e funcionários da Escola e da universidade.

Os debatedores foram o professor Nilson José Machado, titular da Faculdade de Educação (FE) da USP, e Roberto Romano, professor titular do Instituto de Filosofia da Universidade de Campinas (Unicamp). Machado é doutor em Filosofia da Educação e atua na área de Educação com ênfase no tema Ética e Educação. Romano é doutor em Filosofia e atua na área de Filosofia com ênfase em Filosofia, Ética e Política.

Esse evento faz parte de um ciclo de cinco debates, organizados pela Comissão de Ética da Poli-USP, coordenada pelo professor Raul Gonzalez Lima. O primeiro encontro foi realizado no dia 25 de abril, no Anfiteatro Professor Francisco Romeu Landi, localizado no prédio da Administração Central da Escola, no campus Butantã. Acompanhe o site da Poli e o PoliInforma para saber as datas e temas dos próximos debates. 

 

Brasil e França se unem em rede de pesquisa focada em energia e meio ambiente

Trata-se do Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.), oficialmente instalado hoje, em cerimônia na Poli-USP.

Foi oficializada hoje (3/5) a instalação do Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.). A cerimônia ocorreu no Auditório Professor Francisco Romeu Landi, do prédio da Administração da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O evento contou com a participação do vice-reitor da USP, Vahan Agopyan; do diretor da Poli, José Roberto Castilho Piqueira; do conselheiro de Cooperação e Ação Cultural Adjunto da Embaixada da França no Brasil, Philippe Martineau; do secretário adjunto de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, Ricardo de Toledo e Silva, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg; entre outras autoridades e pesquisadores.

O L.I.A. é, em sua essência, uma rede virtual de pesquisa focada em energia e meio ambiente. Foi criada pelo governo francês para estruturar colaborações entre equipes de pesquisa e laboratórios da França com parceiros de outros países com quem já realizam algum tipo de trabalho conjunto. A Poli já integra essa rede de pesquisa, ao lado das instituições francesas Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), Centrale Supélec, Université Paris-Sud, Université de Lille, Centrale Lille, Ecole Nationale Supérieure de Chimie de Lille e Université d’Artois), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O diretor científico do Laboratório no Brasil, pelo lado da França, é Nasser Darabiha, da Centrale Supélec. Já o diretor científico brasileiro é o professor José Pissolato, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. O grupo de pesquisadores da Poli-USP dentro do L.I.A. é coordenado pelo professor Song Won Park, do Departamento de Engenharia Química (PQI).

A rede vai atuar por quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, em pesquisas de fontes de energia renováveis, observando todas as suas facetas: a produção, o consumo, os impactos ambientais, a integração e interação com outras formas de energia, e as redes de distribuição.

Pesquisadores que tenham projetos nessas áreas podem entrar em contato com o professor José Pissolato ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) para discutir as possibilidades de cooperação e inserção no L.I.A. As principais linhas de pesquisa são: transformação da energia (focando em pesquisas sobre combustão, formação de poluentes, eficiência energética, por exemplo); redes de distribuição (integração, estocagem geração distribuída, proteção e qualidade dos serviços e outros); e meio ambiente (redução das emissões, fontes renováveis, otimização da rede de energia, gerenciamento de recursos hídricos e lixo). Veja aqui mais detalhes sobre as linhas de pesquisa.

Importância da rede – A cerimônia de instalação do L.I.A. foi aberta pelo coordenador geral do Laboratório, Nasser Darabiha, que deu as boas-vindas aos participantes e ao final do evento fez uma apresentação geral sobre o Laboratório, mencionando as instituições francesas e brasileiras que integram a rede, novos possíveis associados, sua organização institucional e as áreas de pesquisa de interesse.

A seguir, o professor Olivier Fudym, diretor do CNRS no Brasil, fez uma apresentação mais detalhada sobre o Centro, que emprega mais de 33 mil pessoas, 11.500 delas pesquisadores. “Os cientistas do CNRS publicam mais de 43 mil papers por ano e quase 60% deles são copublicações internacionais”, contou ele, ao enfatizar a importância das parcerias com outros países. Segundo ele, no âmbito do CNRS, o L.I.A. é uma das ferramentas utilizadas para apoiar pesquisas colaborativas, tornando-as perenes no tempo.

Philippe Martineau, da Embaixada da França no Brasil, citou exemplos de como a parceria franco-brasileira vem se fortalecendo ao longo do tempo, como o envio de mais de 1.200 pesquisadores franceses para trabalharem no Brasil e os mais de 1.600 artigos cujas autorias são de cientistas de ambos os países. “O L.I.A. é um dos resultados dessa cooperação rica e variada”, ressaltou. “Também representa uma abertura para novas cooperações [entre Brasil e instituições europeias], reunindo pesquisadores de primeira linha nas áreas de energia e meio ambiente”, prosseguiu.

“A rede abre um importante espaço para que pesquisadores brasileiros trabalhem em cooperação internacional. Isso aumentará as chances de participarmos, inclusive, de projetos financiados por instituições europeias e ainda nos dá mais visibilidade internacional, aumentando o impacto das nossas pesquisas, já que as pesquisas são publicadas em regime de coautoria”, ressaltou Pissolato.

Oswaldo Massambani, superintendente chefe da regional da Finep em São Paulo, lembrou que compatibilizar a produção de energia e o impacto ambiental é um tema da maior relevância para todos os países. “O Brasil assinou um compromisso internacional para redução de emissão de gases de efeito estufa, de forma que a criação do L.I.A. é muito bem-vinda”, destacou. “Esse centro é uma oportunidade nova que vai trazer muitos benefícios em termos de cooperação e fluxos de conhecimento entre França e Brasil. É certamente uma oportunidade a que outras universidades, além da USP e Unicamp, poderão aderir. A Finep está aberta para interagir com o setor empresarial, sobretudo as empresas francesas que estão no Brasil, que podem se integrar a essa iniciativa”, concluiu.

José Goldemberg, presidente Fapesp, contou que a agência de fomento paulista apoiou, entre janeiro de 1992 e abril de 2017 um total de 1.132 projetos de pesquisa em meio ambiente e 1.545 projetos em energia. Em relação aos projetos de cooperação internacional, a França ocupa posição de destaque nos financiamentos da Fundação: foram apoiados 132 projetos feitos em cooperação com franceses, atrás apenas do Reino Unido (308) e da Alemanha (136). “O estabelecimento dessa rede é da maior importância porque pode estimular novas cooperações internacionais, algo que aumenta significativamente o impacto das nossas pesquisas e leva a nossa ciência mais perto da vanguarda do conhecimento”, ressaltou.

Teresa Dib Zambon Atvars, coordenadora geral da Unicamp, afirmou que a instalação do L.I.A. abre uma importante área de colaboração conjunta em temas essenciais para a sociedade contemporânea. “Hoje não há desafios científicos e tecnológicos mais importantes do que [os existentes] nessas duas áreas, visando um assunto fundamental, que é o bem-estar dos nossos povos”, afirmou. “É um desafio imenso, que abre outras portas de colaboração com outros grupos de pesquisa em áreas como bioenergia, biocombustível e em uma área em que a Unicamp tem na pós-graduação, ambiente e sociedade”, completou.

Ricardo de Toledo e Silva, da Secretária de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, explicou que parte das metas estabelecidas no Plano Paulista de Energia 2020, vinculada a política de energia, não foi atingida em razão da crise econômica brasileira. “O senso comum diz que a redução da atividade econômica é associada à diminuição das emissões de gases de efeito estufa, o que não é verdade. Pelo contrário: o crescimento das energias renováveis está diretamente associado ao crescimento econômico”, pontuou, explicando que isso se dá porque é preciso investimento para se mover das energias de fonte fóssil para renováveis. Segundo ele, o Plano Paulista de Energia está sendo revisto pelo governo neste momento, mas que ênfase ás energias de fonte renovável continua.

O professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, apontou que o Brasil tem escolas de Engenharia de alto nível, mas não é forte em todas as áreas. “A união das nossas Escolas é fundamental para promover o progresso da Engenharia do País e para transformar a Engenharia em algo que seja útil para a população e não mero balcão de negócios, como temos visto até hoje”, observou. Ele recordou que aprendeu com o professor Goldemberg que Homero já registrava, na Grécia, o problema da remoção de florestas para geração de energia. “O problema não é novo, mas é cada vez mais crítico. Precisamos colocar nosso conhecimento na solução dos problemas do Brasil e do mundo”, exortou.

Piqueira também destacou a parceria entre a Poli e as instituições francesas, lembrando dos bons resultados obtidos com o programa de duplo diploma e as discussões para criação do curso de Engenharia da Complexidade na Poli-Santos. “A França é um importante parceiro na melhoria do ensino, da pesquisa e da extensão dentro da nossa Escola”, disse.

A cerimônia foi encerrada pelo vice-reitor e professor da Poli-USP, Vahan Agopyan. Ele agradeceu a confiança dos colegas franceses. “A parceria estabelecida com o L.I.A. demonstra um reconhecimento de que temos trabalhos de pesquisa de ponta desenvolvidos e a existência de um respeito mútuo a qualidade desse trabalho”, comentou.

Ele lembrou que a colaboração com a França está na gênese da constituição da USP e citou os mais de 20 anos de cooperação entre a Poli e as escolas de Engenharia francesas. “Internacionalização, para nós, é ferramenta imprescindível para alcançarmos patamares mais elevados de qualidade. Por isso, este Laboratório está sendo uma consequência dessa internacionalização”, finalizou.

Amanhã (4/5) o evento continua com apresentações científicas relacionadas aos temas de estudo e a modelos de cooperação entre academia e setor privado.

Visite a página da Poli no Flickr para conferir as fotos do evento


 

 
Última atualização em Qui, 04 de Maio de 2017 16:17
 

Uso equitativo de gás e eletricidade diminuiria em 11% a vulnerabilidade energética das residências

É o que afirmam pesquisadores do RCGI após formatarem um mapa que mostra a vulnerabilidade energética nos bairros paulistanos e simularem o uso complementar das duas fontes de energia.

Pesquisadores do RCGI - Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa em Inovação em Gás), sediado na Escola Politécnica da USP, elaboraram um inédito Mapa de Vulnerabilidade Energética para Áreas Residenciais de São Paulo, que mostra quais são as áreas mais ou menos propensas a sofrerem cortes no fornecimento de energia elétrica, categorizando-as em quatro classes com relação à vulnerabilidade: muito alta, alta, média e baixa. Paralelamente, simularam um cenário em que as residências seriam servidas por gás e eletricidade em igual proporção. E compararam os resultados.

“Ao projetar esse cenário concluímos que o uso de gás e eletricidade, de forma complementar, diminuiria em 11% a vulnerabilidade energética das residências paulistanas”, afirma o coordenador da pesquisa, o geógrafo Luís Antonio Bittar Venturi. As áreas de vulnerabilidade muito alta, que no mapa representam 20,4% de todas as áreas residenciais mapeadas, no cenário de uso equitativo entre eletricidade e gás diminuem para 7%. Do mesmo modo, as áreas de vulnerabilidade alta diminuem de 37% para 28,5%. Por outro lado, áreas de vulnerabilidade média aumentam de 31,9% para 39,4% e, finalmente, as áreas de vulnerabilidade baixa aumentam de 10,7 para 25,1%. 

“O aumento do uso do gás tornaria as residências muito menos vulneráveis energeticamente, pois, havendo complementaridade entre duas fontes, na falta de uma haveria outra que asseguraria, ao menos, metade das funções domésticas que necessitam de energia.”

Ricos e pobresDe acordo com Venturi, na situação atual é possível identificar uma tendência de aumento da vulnerabilidade a partir do centro para o centro expandido, e daí para as regiões periféricas. Outra conclusão: a variação da vulnerabilidade não se relaciona diretamente com o nível socioeconômico dos distritos (maior ou menor demanda de energia), podendo haver áreas de alta ou muito alta vulnerabilidade tanto em distritos mais ricos (Alto de Pinheiros, Campo Belo e Morumbi) como naqueles de padrão socioeconômico mais baixo (São Mateus e Ermelino Matarazzo).

“Escolhemos cinco indicadores para mapear a vulnerabilidade: o tamanho da área abastecida por uma única subestação; a existência de fonte alternativa ou complementar de energia; a distância do distrito das vias arteriais; sua proximidade de áreas consideradas prioritárias no fornecimento de energia, como hospitais; e a densidade de árvores nas vias arteriais locais, já que nas áreas residenciais a distribuição de energia é feita predominantemente por rede aérea  e, portanto, vulnerável a quedas de arvores”

O cruzamento dos indicadores resultou na construção do mapa e na definição das quatro classes de vulnerabilidades citadas. “No caso do Alto de Pinheiros, Campo Belo e Morumbi, o indicador referente à densidade de árvores deve ter sido mais determinante que os outros, pois estas áreas costumam ser mais arborizadas. Outra conclusão parcial emerge ao observarmos bairros contíguos e urbanisticamente semelhantes, mas com níveis de vulnerabilidade distintos, como o Campo Limpo e o Capão Redondo. O primeiro é bem menos vulnerável que o segundo. Neste caso, o primeiro indicador foi determinante, já que Capão Redondo está inserido em uma subestação que abastece uma grande área, incluindo outros municípios como Embu das Artes. Daí sua maior vulnerabilidade.”

Por outro lado, a maior proximidade a diversos hospitais na região da Avenida Paulista pode ajudar a explicar a baixa vulnerabilidade das áreas adjacentes, abrangendo partes da Bela Vista, Jd. Paulista e Vila Mariana, além do fato de estas áreas serem bem servidas de vias arteriais.

Metodologia replicável - Outros indicadores poderão ser incluídos na medida em que a equipe obtiver dados mais precisos sobre eles. “O mapa foi criado em ambiente ArcGis, é dinâmico e pode ser alimentado com dados novos. Para nós, mais importante do que ele é a metodologia que a equipe moldou para a tarefa. Ela pode ser aplicada em qualquer cidade do mundo: basta que os pesquisadores escolham os indicadores que melhor se adaptem ao contexto estudado.”

Além disso, ele servirá de base para um estudo mais avançado que avaliará a viabilidade técnica de complementar parcialmente a energia elétrica com o gás natural. Segundo Venturi, pelo menos 50% do consumo doméstico de energia em São Paulo poderia ser convertido para gás, considerando que a cidade tem uma boa infraestrutura de distribuição. “Defendemos que a energia elétrica fique restrita à utilização em que ela é absolutamente necessária, como nos eletroeletrônicos e nos sistemas de comunicação.”

Sobre o RCGI:

O RCGI – FAPESP-SHELL Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa em Inovação em Gás) realiza pesquisas de classe mundial para desenvolver produtos e processos inovadores, e estudos que viabilizem a expansão do uso do gás no Brasil. Sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o RCGI é financiado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da BG Brasil – subsidiária do Grupo Shell. O Centro reúne mais de 150 pesquisadores, de diversas instituições brasileiras, que atuam em 29 projetos de pesquisa. Saiba mais: http://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

Última atualização em Sex, 05 de Maio de 2017 15:09
 

Poli-USP sedia inauguração de laboratório de pesquisa em energia e meio ambiente

Trata-se de uma rede de pesquisa focada em fontes de energia renováveis, 
que integrará pesquisadores do Brasil e da França.

Das instituições que integram a chamada rede de pesquisa 6+5, que reúne cientistas de algumas instituições francesas, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras universidades brasileiras, nasceu o Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement (L.I.A.), que começa a operar oficialmente este mês. No dia 3 de maio, às 9h30, será realizada na Poli-USP a cerimônia de lançamento da iniciativa. A participação no evento é aberta para professores, pesquisadores e alunos da pós-graduação e é gratuita. Não precisa fazer inscrição prévia.

O L.I.A. é um ‘laboratório sem muros’ criado pelo governo francês para estruturar colaborações entre equipes de pesquisa e laboratórios da França com parceiros de outros países com quem já realizam algum tipo de trabalho conjunto. O diretor científico do Laboratório que está sendo estruturado agora no Brasil, pelo lado da França, é Nasser Darabiha, da Centrale Supélec. Já o diretor científico brasileiro é o professor José Pissolato, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. O grupo da Poli –USP é coordenado pelo professor Song Won Park, do PQI.

Depois do lançamento, os participantes poderão assistir uma sequência de palestras, a serem proferidas até o dia 4 de maio por especialistas que agora estão integrando o laboratório, que se configura como uma rede de pesquisa. Segundo Pissolato e Park, o objetivo do evento é apresentar para a comunidade acadêmica as oportunidades de pesquisa abertas com a criação da rede e agregar novos integrantes – pesquisadores, professores e alunos.

Atualmente o laboratório já integra em rede pesquisadores da Poli-USP, de algumas instituições francesas (CNRS, CentraleSupélec, Université Paris-Sud, Université de Lille, Centrale Lille, Ecole Nationale Supérieure de Chimie de Lille e Université d’Artois), e da Unicamp. 

A expectativa é que laboratório reforce a cooperação já existente entre os participantes da rede, estimule mais colaborações em pesquisa e aplicações práticas, e, consequentemente, amplie a produção científica e a visibilidade internacional. A rede vai atuar na pesquisa de fontes de energia renováveis, observando todas as suas facetas: a produção, o consumo, os impactos ambientais, a integração e interação com outras formas de energia, e as redes de distribuição.

As principais linhas de pesquisa serão: transformação da energia (focando em pesquisas sobre combustão, formação de poluentes, eficiência energética, por exemplo); redes de distribuição (integração, estocagem geração distribuída, proteção e qualidade dos serviços e outros); e meio ambiente (redução das emissões, fontes renováveis, otimização da rede de energia, gerenciamento de recursos hídricos e lixo).

“Trata-se de uma importante parceria entre Brasil e França, com o objetivo de construir uma sólida rede no campo da energia e meio ambiente, reforçando nossa relação com os franceses, com quem já estamos, inclusive, trabalhando para oferecer um curso inédito, o de Engenharia da Complexidade, que deve ser realizado em Santos”, lembra o diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira. “Essa iniciativa mostra a força do processo de internacionalização pelo qual passa a nossa Escola, já que nossos docentes estão cada vez mais ativos na busca por parcerias com pesquisadores de instituições estrangeiras de ponta”, destaca.

Histórico da iniciativa – Segundo um dos integrantes da rede, o professor do PMR, Alexandre Kawano, a origem do L.I.A. remonta as reuniões feitas entre docentes brasileiros e franceses para discutir as diferenças entre estilos de ensino e nos programas dos cursos de Engenharia, principalmente em matemática, nos anos de 2008 e 2009 no Rio de Janeiro.

“Dada força da ligação entre os parceiros do 6+5, começou-se a pensar em estender as discussões para as demais áreas da graduação e para a de pesquisa”, lembra Kawano. Em 2013, houve um encontro na Unicamp para o grupo começar a formular o L.I.A. Em 2015, foi feito um workshop na Poli que refinou a proposta discutida na Unicamp e delimitou as áreas de pesquisa que serão trabalhadas pela rede a partir deste ano.

Serviço:
Cerimônia de inauguração da instalação e palestras de apresentação do L.I.A – Laboratoire International Associé Franco Brésilien – Energie & Environnement.
Quando: 3 de maio, quarta-feira, às 9h30.
Local: Auditório Francisco Romeu Landi do prédio da Administração da Poli-USP (Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa 3, número 380 –Cidade Universitária – São Paulo).
Não é preciso fazer inscrição prévia.

(Janaína Simões)

Última atualização em Sex, 28 de Abril de 2017 18:20
 

Pesquisadores da USP reconstroem digitalmente embarcação histórica do século XVIII

A Engenharia se une à História em uma parceria multisciplinar entre Poli e Museu Paulista da USP pela preservação do patrimônio naval brasileiro.

Uma equipe formada por grupos de pesquisa envolvendo docentes e alunos de graduação do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Escola Politécnica (Poli) e do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP) reconstruiu digitalmente uma embarcação, chamada de Canoão, utilizada na navegação fluvial que era praticada pelo Rio Tietê entre os anos de 1700 e 1800, processo conhecido pelos historiadores como navegação de monções. A reconstrução foi feita a partir da fotogrametria digital de uma fração remanescente da embarcação que integra o acervo do Museu Paulista e que atualmente se encontra no Museu Republicano “Convenção de Itu”, que pertence ao Museu Paulista e se situa em Itu, interior de São Paulo.

O projeto é resultado de uma parceria estabelecida entre o professor Bernardo Andrade, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli-USP, e a professora Maria Aparecida Menezes Borrego, do Departamento de Acervo e Curadoria do Museu Paulista. Quatro alunos de graduação da Poli-USP, um deles com bolsa concedida pela Associação de Engenheiros Politécnicos (AEP), e seis alunos orientados pela professora Maria Aparecida, três deles com bolsa do Programa Unificado de Bolsas de Estudo para Estudantes de Graduação (PUB) da USP, trabalharam na primeira etapa do projeto. O levantamento fotogramétrico contou com o apoio e colaboração da empresa Vtech Consulting.

Resultados – Com base no levantamento fotogramétrico e nas informações históricas extraídas de relatos, documentos e gravuras, a equipe do projeto determinou as características geométricas, a capacidade de carga, a estabilidade inicial e as características de desempenho hidrodinâmico do Canoão, empregando os conceitos teóricos e práticos da Arquitetura Naval. (Veja fotos do projeto no Flickr da Poli-USP).

“Conectamos conhecimentos históricos e de Engenharia no projeto, e os alunos estão aprendendo ou recuperando conhecimentos de cálculo, álgebra linear e ótica geométrica para entender como podemos reconstruir objetos tridimensionais a partir de uma foto, que é plana. Os alunos perceberam por que tiveram de aprender tantos conceitos básicos de ciências e engenharia, que agora aparecem como fundamentais por trás de um projeto como esse”, diz o professor Andrade.

“Também estamos dando ao participante do projeto a oportunidade de trabalhar em equipe e de forma multidisciplinar. Ele vai tomar contato com pessoas que pensam de forma diferente e são detentoras de conhecimentos de outras áreas que não a Engenharia, compreendendo que é necessário integrá-los para chegar ao resultado final”, completa.

Fillipe Rocha Esteves, do quinto ano da Engenharia Naval, achou interessante poder fazer Engenharia reversa usando a fotogrametria. “Também me interessei por trabalhar nesse projeto porque ele integra outras unidades da USP e me permitiu ter contato, trocar experiências com pessoas que pesquisam a história dessas navegações e até assuntos mais específicos, como a madeira, material utilizado para fazer as embarcações”, conclui.

Pedro Henrique Bulla, do quinto ano da Engenharia de Produção da Poli, dá seu testemunho sobre os benefícios. “Foi muito bom para minha formação poder unir diversas áreas do conhecimento, tais como história e o conhecimento técnico da Engenharia. O projeto me animou muito para estudos de cálculo, algo que estava me desmotivando na Poli desde o primeiro ano. Faltava enxergar a aplicação de Álgebra Linear, de Cálculo e consegui isso com o projeto”, conta.

Do ponto de vista de um engenheiro de produção, ele pôde observar os processos usados para a fotogrametria e agora está desenvolvendo estudos em metodologia para torná-los mais eficientes. “É possível, por exemplo, cobrir uma maior área do objeto com menor custo, reduzindo as operações em campo e o processamento computacional, que são atividades que elevam o custo do processo de fotogrametria. Isso é algo que queremos aprimorar”, comenta Bulla.

Aprendizado multidisciplinar – A peça do Museu Republicano estava em exposição, mas pouco se sabia sobre as características da embarcação da qual esta fração fazia parte. Ao cursar como optativa livre uma disciplina no Museu Paulista, ministrada pela professora Maria Aparecida de Menezes Borrego, Victor Otozato - aluno do curso de Engenharia Naval da Poli - percebeu a possibilidade de envolver a Engenharia em uma investigação sobre a embarcação histórica que movimentava grandes quantidades de carga nas chamadas monções, que ocorreram no século XVIII entre as regiões dos atuais municípios de Porto Feliz (SP) e Cuiabá (MT), pelo rio Tietê e bacias do Paraná e do Paraguai.

A partir deste vínculo inicial, o professor Andrade e a professora Maria Aparecida, formalizaram um Termo de Cooperação entre estas unidades da USP para o desenvolvimento de um projeto multidisciplinar de caracterização do Canoão a partir da reconstrução digital do mesmo, com base em técnicas de fotogrametria combinadas com as informações e registros históricos a respeito destas expedições. “O Canoão é um dos veículos de um dos primeiros grandes sistemas logísticos implantados no País”, comenta o professor Andrade.

“Era uma peça isolada, sobre a qual precisamos saber mais para entender sua existência dentro de um contexto histórico e social. A pesquisa com a Poli está nos ajudando a entender esse tipo de embarcação, as viagens realizadas e o protagonismo das canoas nas monções”, ressalta Maria Aparecida.

O projeto está sendo um diferencial na formação dos futuros engenheiros da Poli. “Precisamos de profissionais que saibam identificar de forma sistêmica um problema e que possam estabelecer uma estratégia para sua solução, com a competência de enxergar a multidisciplinaridade dos aspectos envolvidos e conectar os diversos campos do conhecimento necessários para sua solução”, diz Andrade.

Continuidade – Para a segunda etapa, o grupo procura estudantes e docentes interessados em integrar a equipe para pesquisar e desenvolver um totem multimídia a ser colocado à disposição dos visitantes do Museu Republicano numa futura exposição. Trabalhar na continuidade do projeto trará várias vantagens aos participantes, como observado em relação aos alunos e alunas que atuaram na primeira fase.

“Nesse totem queremos disponibilizar as informações técnicas sobre o Canoão que levantamos na primeira fase da pesquisa, quando nos dedicamos a reconstruir digitalmente toda a embarcação. Também desejamos fazer um tipo de totem no qual as pessoas possam experimentar, como num simulador ou ‘game’, a navegação no Canoão pelo Tietê como fizeram, no passado, os navegadores”, contam Bernardo Andrade e Maria Aparecida.

Estudantes que atuem com design de games e programação, por exemplo, têm uma grande oportunidade de colocar em prática seus conhecimentos. Há possibilidade de obtenção de bolsa para fazer a pesquisa. Interessados em trabalhar na continuação do projeto podem entrar em contato com o professor Andrade pelo email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

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Angela Trabbold

 

Aluno da Poli-USP vence competição e visita sede da Scania na Suécia

Jesus Emanuel Choquepuma integrou equipe que venceu o Inovathon Logistics Challenge, promovido pela montadora no Brasil.

Jesus Emanuel Choquepuma, aluno de graduação do curso de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), acaba de voltar de uma viagem feita para a Suécia e a França, promovida pela Scania. Ele integrou um grupo de estudantes que conquistou o primeiro lugar no Inovathon Logistics Challenge, competição sobre o setor de logística que ocorreu nos dias 8 e 9 de outubro do ano passado, na fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, São Paulo. Como prêmio, eles ganharam uma viagem para conhecer a sede da empresa, na cidade de Södertälje, e também para Paris, onde puderam conversar com alguns dos clientes da montadora.

Choquepuma e sua equipe ficaram cinco dias em Södertälje. Na sede da Scania, eles entenderam o processo de montagem dos caminhões, assistiram várias palestras com gestores da empresa e tiveram uma conversa com Christopher Podgorski, vice-presidente da multinacional.

Podgorski os levou para conhecer a torre de controle da Scania, que monitora à distância, por GPS, os veículos da marca que circulam em boa parte da Europa. O funcionamento da tecnologia é muito parecido com a do projeto que o grupo havia proposto na competição da Scania. “Foi engraçado, pois a gente conheceu o nosso projeto na prática”, brinca Choquepuma.

Em Paris, foram apresentados a um dos clientes da montadora. “A visão da Scania é muito interessante, pois seu objetivo não é só vender os veículos, mas também fornecer equipamentos adequados para que o cliente da montadora possa atender bem o seu próprio cliente”. A empresa que o grupo conheceu na França, uma distribuidora de alimentos para supermercados locais, é um exemplo, pois possuía veículos da Scania equipados e preparados para o transporte de alimentos congelados e frágeis. “Os caminhões eram especializados para que essa empresa entregasse as encomendas do jeito certo”.

O projeto e a competição – O grupo de Choquepuma venceu o Inovathon Logistics Challenge com o projeto de um sistema de monitoramento de caminhões da Scania via GPS a partir de uma torre de controle altamente tecnológica. Trabalharam no projeto, juntamente com Choquepuma, os estudantes Rodrigo Metedieri, do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Amanda Magalhães e Carlos Eduardo Queiroz, da Universidade Federal do ABC (UFABC), e Peterson Moreira, da Fundação Santo André.

Chegar até o final exigiu muito esforço da equipe. A competição foi divida em quatro etapas e se iniciou no final de setembro de 2016, com uma prova teórica online para os mais de 600 inscritos, dos quais apenas 50 foram selecionados. A partir daí, foram feitas entrevistas com os candidatos. Dos 25 finalistas aprovados, seis eram da Poli: além de Choquepuma, participaram do torneio os estudantes Vitor Cordiolli Silvestre (Engenharia Mecatrônica), Pablo Paixão (Engenharia Civil), José Ignácio Olenscki (Engenharia Mecatrônica), Carolina Abiricha Montesi (Engenharia Mecatrônica) e Ethore Moura (Engenharia Mecânica).

Os participantes da final tiveram, então, que preencher um questionário de avaliação psicológica com o intuito de serem divididos em grupos diversificados de cinco integrantes. A última fase ocorreu na montadora da empresa, em São Bernardo do Campo, e contou com uma maratona de 24 horas. Ilaquita assistiu palestras e participou de dinâmicas durante a competição. Após isso, foi dado aos estudantes o desafio de apresentar uma solução em logística que levasse em consideração um cenário de 25 anos no futuro (uma realidade em que todos os veículos de transporte fossem elétricos e autônomos, por exemplo). Eles deveriam estar prontos para a apresentação dos projetos desenvolvidos às 6 horas do dia seguinte.

“Tentamos identificar os problemas que podem surgir no futuro e envolver tudo em uma proposta só para o nosso projeto”, afirma. Com isso, chegaram ao projeto da torre. “Ela mostraria dados de quantos quilômetros o veículo percorreu, informações sobre a estrada, clima, e possíveis danos sofridos. Se surgisse algum problema, a central iria enviar drones ou uma equipe especializada, e tudo seria bastante automatizado”, explica.

O aluno afirma que a viagem e toda a experiência da competição contribuíram muito para o seu crescimento pessoal. “Tive contato com pessoas incríveis, como o vice-presidente da Scania, que tem uma grande mentalidade de produtividade. Isso fez com que eu me esforçasse mais em todas as áreas desde que eu cheguei”, finaliza. 

(Amanda Panteri)

 


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