Escola Politécnica da USP

usp.br

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte


Pós em Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Poli-USP é avaliada com nota máxima

CAPES concedeu nota 7 ao programa em avaliação de quadriênio (2013 a 2016) divulgada esta semana

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação (MEC) que realiza a avaliação dos programas de pós-graduação brasileiros, concedeu nota máxima ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da USP na última avaliação do quadriênio de 2013 a 2016, divulgada no dia 19 de setembro. A Avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação foi estabelecida a partir de 1998, é realizada com a participação da comunidade acadêmico-científica por meio de consultores, e tem como principal objetivo assegurar e manter a qualidade dos cursos de Mestrado e Doutorado no país.

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, professor André Paulo Tschiptschin, explica que os cursos de pós-graduação são avaliados pela CAPES com conceitos que variam de 3 a 7 e que levam em consideração a produção científica do corpo docente e discente, a estrutura curricular do curso, a infraestrutura de pesquisa da instituição, dentre outros fatores. “Nos parâmetros da CAPES, a nota 5 é atribuída a cursos de excelência em nível nacional e as notas 6 e 7 correspondem a cursos de qualidade internacional”. O docente explica que a nota é um reconhecimento do esforço de internacionalização das atividades de pesquisa do programa, que tem parceria com grupos de pesquisa no exterior, e ressalta a importância da interação com grupos de excelência de outros países, com alto grau de desenvolvimento e cultura de inovação, bem como laboratórios equipados com tecnologia de ponta. “Interagir com eles é algo muito importante para os nossos pesquisadores, que passam a conhecer e compartilhar desta vivência”.

Entre estas cooperações se destacam os acordos com a School of Metallurgy da University of Birmingham (Reino Unido), com a University of California in Davis (Estados Unidos), com as Universidades de Lyon e Grenoble (França), e com a Universidad Nacional de Colombia (Bogotá e Medellin). Além disso, professores e alunos do programa organizaram Congressos Internacionais neste período, como o Interrnational Conference on Magnetism and Magnetic Materials, em 2016, e o 1st Latin American TMS Meeting em 2015.

Entre os fatores de destaque do programa, a coordenação aponta a expressiva produção bibliográfica com relação ao número de docentes e titulações, a alta formação de doutores por docente, e a alta captação de recursos, expressa em projetos de grande porte.

Sobre o programa – Iniciado em 1970, o programa já formou 440 mestres e 224 doutores. Possui 13 professores pertencentes ao núcleo, seis pesquisadores nível 1 e sete pesquisadores nível 2, e quatro professores colaboradores. Forma, em média, 28 mestres e doutores por ano. O coordenador também destaca o elevado número de pós-docs, e a alta integração com a graduação, com bolsistas de iniciação científica.

No quadriênio avaliado pela CAPES, de 2013 a 2016, o programa desenvolveu 26 projetos de pesquisa, 18 deles apoiados por órgãos de fomento com a FINEP, FAPESP, CNPQ, MCT e outros. Oito deles receberam apoio de empresas como a Vale do Rio Doce - Cátedra Vale, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Alpargatas e Petrobras. O valor de todos os projetos no quadriênio superam a marca de R$ 29 milhões, e deste total, R$ 22 milhões se concentram em sete projetos de valor superior a R$ 1 milhão.

Os principais temas abordados nas pesquisas estão:

Tribologia e Engenharia de Superfícies ( NAP-TRIBES), que trata da redução de atrito e desgaste em motores de combustão interna

Aços avançados de alta resistência para indústria de mobilidade, para diminuição do consumo de combustível e de emissões poluentes

Nanocompósitos de matriz polimérica contendo cargas de reforço biodegradáveis, para redução de poluentes ambientais

Redução de perdas elétricas e magnéticas em aços elétricos, para aumentar a eficiência de motores elétricos, com aplicação na indústria de mobilidade

Materiais cerâmicos nanoestruturados com propriedades físicas

Polímeros condutores

O site do programa de pós-graduação pode ser acessado no link. http://www.pmt.usp.br/pos-graduacao/

 

Poli pretende reunir setor elétrico para debater flexibilidade em tarifas

A Escola Politécnica da USP, por meio do Departamento de Engenharia de Energia e Automação (PEA), realizará um evento sobre tarifas dinâmicas de energia elétrica no dia 29 de setembro, sexta-feira. O objetivo dos organizadores é reunir representantes do setor elétrico brasileiro para debater como as redes inteligentes, ou smart grids, podem alterar as atuais tarifas cobradas, de maneira que beneficie as concessionárias de energia e os consumidores.

O coordenador do evento, professor Carlos Marcio Vieira Tahan, ressalta que há consultores que acreditam que Smart Grids sem tarifas dinâmicas não exploram suas potencialidades. “Desta reunião esperamos, além do conhecimento da problemática, saber como abordar e ter futuramente tarifas que podem reduzir os encargos dos consumidores, dando lugar a tarifas mais econômicas”.

O evento será realizado no prédio da administração da Escola Politécnica da USP, que fica na Cidade Universitária, em São Paulo. As inscrições podem ser realizadas pelo link https://goo.gl/forms/CdGIFSXUrl2oTc1z1. A programação está disponível no link.

Serviço

Jornada de Tarifas Dinâmicas de Energia Elétrica

Data: 29 de setembro de 2017

Local: Auditório Professor Francisco Romeu Landi. Prédio de Administração da Poli.

Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380, Cidade Universitária, São Paulo, SP

Período: 8h30 às 18h30

Inscrições: https://goo.gl/forms/CdGIFSXUrl2oTc1z1

Outras informações no site do evento.

 

Semana Acadêmica de Engenharia de Produção reúne empresas nacionais e multinacionais na Poli

Evento é promovido pelo Centro Acadêmico de Engenharia de Produção (CAEP) da Escola

Empresas como a BTC e The Boston Consulting Group, além de profissionais atuantes no mercado e referências na área de Engenharia de Produção, estão com suas presenças confirmadas para a VI Semana Acadêmica de Engenharia de Produção (SEGEP), organizada pelo Centro Acadêmico do curso (CAEP) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O evento contará com palestras, rodas de conversa e mini-cursos e acontecerá entre os dias 25 e 29 de setembro.

Segundo os organizadores do evento, o intuito é o de aproximar os alunos do mercado de trabalho e das empresas, para que eles se preparem e possam tomar melhores decisões sobre suas carreiras profissionais. Para isso, foram convidados importantes personagens que compõem o cenário das quatro principais áreas dessa Engenharia: mercado financeiro, consultoria, empreendedorismo e indústria. O evento é gratuito e aberto ao público, e as inscrições devem ser feitas por meio deste link.

Confira algumas das atrações da Semana - Em sua sexta edição, a SEGEP terá para a abertura a presença de Ricardo Bacellar Wuerkert, formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele fez mestrado em Administração no Centro de Pesquisa em Administração da instituição e iniciou sua carreira na Ambev, onde trabalhou por 15 anos. Lá, atuou nas áreas de Marketing, Comercial, Internacional e Regional. Foi presidente da empresa na operação da Argentina, quando migrou para a área de Recursos Humanos.

Ainda na segunda-feira, a BTC irá ministrar um minicurso de Strategic Management. Nele, será abordado um caso real de definição e implementação de estratégia corporativa. O minicurso terá vagas limitadas para garantir um melhor aproveitamento das aulas, e as vagas serão alocadas por ordem de inscrição, que deve ser feita pelo formulário geral.

Após isso, a BTC oferecerá uma palestra de Desafios de Crescimentos, em que serão abordados os principais desafios de empresas em fase de crescimento (principalmente startups), com casos reais de negócios, estruturando a ligação entre a estratégia corporativa e estratégia financeira.

A The Boston Consulting Group irá apresentar um estudo sobre infraestrutura no Brasil, discutindo os principais desafios para se atuar no País. Já a Falconi, consultora brasileira, irá apresentar um case sobre gestão hospitalar. A Semana ainda terá palestras do Itaú, Visagio, AMBEV, além de rodas de conversa com as startups LeanSurvey e LivUp sobre empreendedorismo. O evento programou, ainda, duas visitas técnicas ao Cubo, incubadora de start-ups, e à GM. Para participar das visitas é preciso se inscrever presencialmente, na Xerox no CAEP. As vagas são limitadas.

A SEGEP será encerrada por Monalisa Guarda, que contará um pouco sobre sua trajetória, principais desafios e experiências. Ela formou-se em Economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e fez seu MBA na Ibemec Business School - SP. Desde então, construiu sua carreira na área financeira. Começou como economista na multinacional argentina Bunge & Born, passou quatro anos com chefe de pesquisa de crédito no Instituto Socimer Securities, na Flórida. Em seguida, trabalhou como diretora na área de Business Risk no Standard Bank Group, até que iniciou sua trajetória no Barclays, como diretora executiva na área de Credit Risk. Hoje, Guarda é chefe na área de riscos do Bank of America.

Outras informações sobre a programação aqui.

 

Poli-USP auxilia Anvisa e Hospital das Clínicas em projeto para rastrear medicamentos

O grupo de pesquisa sediado na Escola, GAESI, foi contratado pelo Hospital para realizar especificações do trabalho

 

Um grupo de pesquisa e desenvolvimento na área de automação e gestão de processos, o GAESI, sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), ­está contribuindo no desenvolvimento de um projeto-piloto de rastreabilidade de medicamentos proposto no convênio assinado pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) em abril deste ano.

O sistema está previsto na Lei 13.410 de 2015, e se encontra agora na fase de elaboração das especificações para a sua criação, que conta com a consultoria direta do GAESI. Eduardo Mario Dias, docente da Escola e coordenador do grupo, explica que a etapa é essencial, visto a complexidade da ferramenta a ser lançada em território nacional. “A Poli atua dando consultoria e apoio na parte de criar o projeto e fazer as considerações para que todo esse sistema, que é de uma complexidade muito grande, funcione”.

Depois de criado, o modelo será testado durante oito meses. Se funcionar, deve ser implantado oficialmente em até três anos. “Ainda faremos cases para comprovar que a tecnologia utilizada é aderente ao assunto”, completa o professor.

Como funciona – A previsão é que todos os remédios vendidos nas farmácias e disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passem a conter um QR code, espécie de código de barras de leitura rápida, que por sua vez carregará todas as informações a respeito da fabricação e transporte dos medicamentos, desde a sua produção até chegar às prateleiras.

O projeto deve receber em torno de R$ 5 milhões, e conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Segundo Dias, o modelo poderá resolver uma grande dificuldade da área da Saúde. “Atualmente, os desvios e falsificações de remédios no Brasil são inúmeros, e os sistemas manuais não permitem o controle. O sistema entra então para ordenar o mercado”.

O GAESI Saúde, como é conhecida a equipe que trabalha conjuntamente com o docente, é formado por outros professores do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI) da Escola e alunos cujos mestrados e doutorados são do mesmo assunto.

Dias, que já coordenou um projeto com o Ministério da Agricultura para o desenvolvimento da ferramenta eletrônica Canal Azul (outras informações no link), confirmou o interesse de outros órgãos do Ministério da Saúde em parcerias futuras. “É uma coisa revolucionária na área, pois mostra que a Engenharia é imprescindível para ajudar a Medicina na área de automação”. 

 

Engenharia na prática: alunos de Engenharia de Petróleo da Poli-USP visitam plataformas

Estudantes puderam conhecer estruturas utilizadas na extração de óleo e gás em alto mar

Estudantes do curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica da USP (Poli-USP) realizaram, no mês de agosto, uma visita técnica ao estaleiro Brasfels, que produz e faz manutenção de plataformas de petróleo e outras embarcações ligadas à área. Esta foi uma solução encontrada pela coordenação do curso para proporcionar aos alunos o contato direto com as embarcações, uma vez que, devido às condições técnicas e de segurança, a visita às plataformas brasileiras que operam em alto mar se torna inviável.

A visita teve a participação de aproximadamente 20 alunos, pesquisadores e professores da Poli, e foi acompanhada pelo professor Ricardo Cabral de Azevedo, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo. O idealizador da visita, professor Giorgio de Tomi, considera os resultados da visita excelentes, e destaca a atenção e a receptividade dos responsáveis pelo estaleiro e demais empresas envolvidas durante a visita.

O professor Ricardo Cabral de Azevedo, que leciona disciplinas ligadas à prática da Engenharia de Petróleo há mais de 10 anos, relata que atualmente é muito difícil conseguir visitar plataformas deste tipo, principalmente por razões de segurança e custos, por isso apenas a ida ao estaleiro já seria um êxito. "Mas além da visita, o grupo foi muito bem recebido e foi possível visitar ao todo cinco plataformas (FPSOs e sondas de perfuração) de grande porte que estavam em construção, reforma e  manutenção, sendo que três delas foram visitadas por dentro, o que se configurou ao final  em um sucesso bem maior que o esperado. A atenção e receptividade dos responsáveis pelo  estaleiro e demais empresas envolvidas durante nossa visita foi excepcional".

Ricardo explica que este tipo de atividade é muito importante do ponto de vista pedagógico. "É muito diferente de apresentar fotos e slides em sala. Isto serve para complementar aspectos teóricos vistos ao  longo do curso e ainda dar a eles uma visão do profissionalismo envolvido, para deixá- los mais preparados e cientes de como poderá ser seu próprio cotidiano depois de formados", explica o docente.

O diretor de operações do estaleiro da Brasfels, Luiz Carlos Caetano Dos Santos, conta que a empresa possui um programa de Engenheiro Trainee no qual procura identificar novos talentos no mercado que possam fazer parte de sua equipe de futuros gestores. "Tratamos a visita em duas vias, [...] para que vejam ao vivo que jovens como eles podem fazer toda a diferença no mercado de trabalho se forem comprometidos com as suas metas", relata o diretor.

O estudante Fernando Rocha conta que ficou impressionado com o tamanho e a complexidade das instalações. "Nós, como estudantes, passamos anos vendo aquilo em slides e textos, mas ver de perto é outra coisa, temos muito mais propriedade sobre o assunto. Pisar na plataforma é emocionante, dá vontade de trabalhar lá", relata o futuro engenheiro.  

A visita técnica contou com o apoio da diretoria da Poli-USP e do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo da Escola.

 

Mulheres com carreira de sucesso na Engenharia são exemplos de incentivo para estudantes

Em mesa-redonda na Poli-USP docentes discutem questão de gênero na Engenharia, e como enfrentar casos de discriminação.

Procurar e divulgar amplamente os bons exemplos de mulheres que se destacam na carreira de Engenharia é uma das ações práticas que podem ajudar a despertar o interesse do sexo feminino pela área e, dessa forma, ampliar a presença das mesmas nesse campo do conhecimento. Essa foi uma das sugestões apresentadas pelas participantes da mesa-redonda “Mulheres na Engenharia”, realizada nesta terça-feira (19/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em São Paulo. O evento integra a programação da IV Semana de Engenharia Elétrica e de Computação (IV SEnEC), promovida pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação da Poli, que se encerra na sexta-feira.

A mesa-redonda teve a intermediação da vice-diretora e professora do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP, Liedi Legi Bariani Bernucci, primeira mulher a ocupar um cargo na Diretoria da Escola. Como debatedoras participaram as professoras Cintia Borges Margi, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS), e Roseli de Deus Lopes, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI), além da engenheira politécnica Renata Bartoli de Noronha, que atua em captações de recursos em desenvolvimento imobiliário no Credit Suisse (CSFB).

O resultado do debate mostrou que, apesar do machismo que ainda permeia a sociedade de uma forma geral, a discriminação, geralmente implícita, é algo que pode ser lidado com uma postura mais propositiva por parte da mulher. E que a Poli, como instituição, tem tido um papel ativo para combater este tipo de postura.

Vocês foram vítimas de preconceito na Engenharia da Poli? Renata Noronha foi taxativa na resposta. Não. “Sempre tive demanda muito grande por performance, vivi em um ambiente de competição e cooperação muito forte. Essa questão de se sentir discriminada está muito relacionada a não se deixar discriminar. Nunca me senti discriminada”, disse.

Já Roseli Lopes ponderou que viveu algumas situações no passado que lhe pareceram normais na época, mas hoje, ao revê-las, fica em dúvida sobre se foi vítima de machismo – como, por exemplo, uma vez em que tirou nota alta em uma disciplina e percebeu que os colegas ficaram incomodados. “Estávamos muito no piloto automático no passado, inclusive com relação a outros problemas além de gênero, como bullying. Hoje, as pessoas não aceitam muitas coisas que antes toleravam”, afirmou.

Cintia Margi também não se recorda de ter sofrido preconceito, de forma explícita, mas lembrou de algumas brincadeiras discriminatórias. “De modo geral, eu ouvia, não gostava, mas não criava antagonismo com os colegas”, contou. “Esse tipo de brincadeira existe há muito tempo e continua existindo, mas acho que, com o passar da idade, criamos uma casca”, prosseguiu. “Hoje é mais comum as pessoas deixarem claro quando não gostam de algo”, acrescentou.

Casos de brincadeiras discriminatórias de professores ou de alunos foram citados pelo público. Liedi Bernucci lembrou que a Poli tem um canal para que esses casos sejam reportados: a Ouvidoria. “Temos acolhido as reclamações, e os nomes são preservados”, destacou ela. “É preciso pontuar essas questões com tranquilidade, mas com firmeza.”

Maior exigência – A mulher precisa se esforçar mais do que o homem para não duvidarem de sua capacidade e para ter mais oportunidades na carreira? Para Renata Noronha, performance é uma obrigação quando se trabalha em um ambiente norteado pela meritocracia. “Na medida em que você entrega resultados consistentes, você conquista seu espaço”, afirmou.

A executiva considera, porém, que as mulheres são pouco representadas nos cargos de liderança porque, quando constituem família, acabam acumulando muitas tarefas, o que torna difícil entregar resultados iguais aos de um homem sem as mesmas responsabilidades. “A empresa quer resultado. Se uma pessoa acumula funções fora do ambiente de trabalho, ela tende a entregar menos e tem dificuldade de assumir cargos mais elevados”, continuou.

Em sua opinião, o que deve mudar é a posição do homem, que também precisa assumir responsabilidades familiares, dividindo as tarefas com as mulheres. “As mulheres muitas vezes tomam a dianteira e assumem tarefas sem dar chance ao homem para ele fazer isso”, acrescentou. Para ela, as mulheres precisam saber dividir as tarefas e construir essa visão de compartilhamento na educação dos seus filhos.

Cintia Margi lembrou que, apesar de as metas serem iguais e explícitas na carreira acadêmica, a cobrança é desigual. Ela citou um estudo no qual foi constatado que no processo de revisão de artigo científico duplo cego – revisor e autor não sabem quem são – o resultado é diverso quando se sabe que primeiro autor do artigo é uma mulher.

O elemento cultural, na avaliação das participantes, ainda é um empecilho para ter mais mulheres interessadas em Engenharia. Mulheres não são incentivas a gostar de Matemática e outras disciplinas de Exatas; acabam sendo direcionadas para as de Humanas e Biológicas. E o problema não se reflete apenas na Engenharia da Poli. Liedi Bernucci contou que, depois de formada, foi estudar na Escola Politécnica Federal de Zurique, na Suíça. “Na época, eram 50 pessoas no instituto e não havia nenhuma engenheira. Hoje, apenas 8% dos alunos são mulheres lá, um indicador mais baixo do que o da Poli”, disse.

Mudança em curso – Roseli Lopes contou que houve um aumento da presença de projetos submetidos por meninas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) depois de uma campanha que destacou a presença do sexo feminino no evento. “Precisamos elaborar mais campanhas junto às escolas de ensino fundamental e médio para mudar essa realidade. As próprias alunas da Poli podem voltar a suas escolas e fazer isso”, sugeriu.

Ela também defendeu que a Engenharia seja divulgada junto às escolas como uma atividade que tem profissionais dedicados a resolver problemas da sociedade, e não como uma área técnica e difícil. Cintia Margi também endossa este tipo de iniciativa. “É importante dar visibilidade para mulheres que chegaram a cargos importantes, mostrando que é possível, sim, desenvolver uma carreira.” 

Veja as fotos do evento em nosso álbum do Flickr.

 

Semana de Engenharia Elétrica inicia com palestra sobre internet das coisas

Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, deu a sua visão a respeito das novas tecnologias.

Atualmente, 40% de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo antes mesmo de ser consumida. Além disso, 70% do trânsito dos centros urbanos é gerado por pessoas em busca de um local para estacionar. Segundo Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, apesar desses dados aparentarem não possuir nenhuma relação entre si, são sintomas de um mesmo problema: a falta de organização humana que, ainda para ele, está sendo resolvida aos poucos com o surgimento de tecnologias e sistemas inteligentes como a Internet das Coisas – em inglês, Internet of Things (IoT).

A constatação de Spina foi feita durante a palestra que abriu a Semana de Engenharia Elétrica (SEnEC), organizada pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE). O evento começou nesta segunda-feira (18/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). A Semana durará até o dia 22 e terá mais de 20 atividades, incluindo workshops, mesas de debate e visitas técnicas.

O politécnico contou sobre a história da empresa aos presentes. Fundada em 2002, ela consiste, nas suas palavras, em “uma montadora de Lego de hardware e software”, desenvolvendo sistemas baseados no conceito de IoT. Atualmente atende e foca em organizações que trabalham com energia, óleo e gás, agropecuária e cidades inteligentes.

Sua maior atuação é no setor energético. Spina afirma que a empresa já forneceu medidores elétricos às principais distribuidoras de energia do país, o que coloca a V2COM como uma importante contribuinte para a digitalização do setor.

Para explicar melhor sobre as atividades da empresa, o palestrante trouxe um exemplo de um cliente. Trata-se de uma empresa do setor canavieiro cujo sistema de reversão da vinhaça – que diz respeito ao transporte do resíduo resultante do processamento da cana, depois que ela é utilizada em usinas – foi digitalizado e transformado em imagens, que podem ser acessadas por qualquer parte da fábrica. Segundo ele, o próximo passo é criar sistemas inteligentes que possam trabalhar em cima dessas imagens e cuidar do processo sem a necessidade da mão de obra humana.

Ao falar sobre o futuro da tecnologia, o CEO defendeu que ele será sustentado por três conceitos: IoT, Big Data e inteligência artificial. Isso fará com que “as decisões das grandes empresas deixem de ser tomadas com dados do passado, tirados de uma planilha, e passem a ser tomadas com base em dados captados imediatamente”.

Quando questionado sobre o eventual desemprego gerado pelas inovações, Spina foi otimista. “Dizer que a tecnologia produz desemprego é uma falácia. A tecnologia gera, na verdade, desenvolvimento e, consequentemente, algumas profissões têm que se modificar”, argumentou.

As inscrições para a IV Semana de Engenharia Elétrica ainda podem ser feitas por meio do site. Para conferir a programação, basta acessar o evento da Semana no Facebook.

 


Página 9 de 31