Escola Politécnica da USP

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Poli-USP recebe alunos do ensino médio

Atividade integra a programação do “USP e as Profissões”, coordenado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) recebeu neste sábado (20/05) aproximadamente 700 alunos do ensino médio, vindos de diversos Estados do País, no dia em que a instituição abriu suas portas para os estudantes conhecerem mais detalhes sobre a carreira de Engenharia e também a respeito da Poli. O evento integra o programa “USP e as Profissões”, coordenado pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, que tem por objetivo oferecer subsídios para ajudar os pré-vestibulandos na escolha de suas carreiras.

Para recepcionar os visitantes, a Poli mobilizou um total de 217 pessoas, entre docentes, funcionários e alunos. Durante a manhã de sábado, os alunos assistiram a palestras com docentes e estudantes da Poli, conheceram os laboratórios de alguns Departamentos e ainda participaram de uma feira sobre os cursos de Engenharia oferecidos na Escola.

Eles começaram o dia de atividades com as palestras de boas-vindas do professor Paulo Carlos Kaminski, presidente da Comissão de Cultura e Extensão da Poli, organizadora do evento, e também dos docentes politécnicos Mércia Maria Semensato Bottura Barros, Antonio Figueiredo, Marcos Barreto e Fabrício Junqueira, que deram mais detalhes sobre a profissão de Engenheiro e sobre a formação oferecida pela Escola.

A seguir, ouviram uma apresentação a respeito da vida na Poli, onde estudantes da instituição contaram sobre como é a rotina de quem estuda na universidade. Falaram sobre questões práticas, como os serviços de moradia, transporte e alimentação no campus, e também sobre oportunidades de desenvolver atividades extras, como fazer pesquisa e extensão, sobre as aulas, em si, a vida social, a Atlética e atividades de esporte, os centros acadêmicos, entre outros assuntos.

Divididos em grupos, os estudantes visitaram parte das instalações e alguns dos laboratórios existentes nos Departamentos de Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica e Engenharia Civil. Participaram também da Feira de Projetos, onde puderam interagir com estudantes e professores da Poli para tirar suas dúvidas e ver detalhes sobre todas as carreiras oferecidas pela Escola. Os participantes receberam durante a visita um kit que continha achocolatado, biscoito e um folder explicativo sobre a Poli.

Confira as fotos do dia no Flickr da Poli-USP

 

Poli -USP e Amigos da Poli promovem evento sobre carreiras a estudantes da graduação

O principal objetivo do evento é fazer com que os alunos das diversas Engenharias da Escola entendam quais as principais áreas que podem seguir.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP), em parceria com o Fundo Patrimonial Amigos da Poli, organizará, no dia 26 de maio, às 11 horas, uma mesa de debates sobre as diferentes carreiras que podem ser exercidas pelos engenheiros no mercado de trabalho. As carreiras abordadas no dia serão Consultoria, Mercado Financeiro, Indústria, Empreendedorismo e Tecnologia da Informação; e contarão com palestrantes do Banco Safra, Embraer, DEV Tecnologia, entre outros. O evento é gratuito e deve ser feita a inscrição prévia por meio deste link.

Ao final do evento, os presentes ainda poderão assistir a uma explicação a respeito da iniciativa Programa de Carreira, uma espécie de embrião de um escritório de carreira voltado aos alunos da graduação. O Programa tem duração de sete meses e proporciona aos alunos da Poli treinamentos, estágios de férias e mentoria individual com o objetivo de auxiliá-los no gerenciamento de suas vidas profissionais. Para participar do Programa, basta se inscrever no formulário fornecido no site do projeto. As inscrições poderão ser feitas até o dia 4 de junho.

Sobre o Programa – Logo nas primeiras sessões, os alunos participam de workshops de autoconhecimento, para identificar seus pontos fortes e fracos e avaliar como melhorar suas qualidades para o ingresso no mercado de trabalho. Adicionalmente, é realizada uma sessão de planejamento de carreira e de apresentação de indústrias com oportunidades para engenheiros.

Uma série de treinamentos abordam as habilidades essenciais, como técnicas de resolução de problemas, estratégia e finanças corporativas. Além disso, ocorrerá uma preparação para dinâmicas de grupo e entrevistas.

Ao longo do Programa, os alunos são acompanhados por um mentor politécnico, que compartilha aprendizados sobre os desafios encontrados no ambiente profissional e ajuda o aluno a conhecer os setores com as melhores oportunidades profissionais.

Na etapa final, os alunos participam de um estágio de férias com o objetivo de executar um projeto desafiador para a empresa, com o suporte de um gestor.

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Serviço:

Evento Carreiras na Mesa
Data:
26/05/2017
Horário:
11h às 14h
Local:
Auditório do Prédio de Engenharia de Produção (PRO) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
Endereço: Universidade de São Paulo - Av. Prof. Almeida Prado, 128 - Butantã, São Paulo - SP, 05508-070, Brasil.

Inscrições gratuitas: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfgbdaiGfa7LjDcsIwZXJhaMAA6afEd6aW0M-8-BjdGVBai7g/viewform

 

Seminário na USP discute direitos autorais na internet e inteligência artificial

O evento trará especialistas ao Largo São Francisco para discorrer sobre temas atuais

O Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia (CEST) da Escola Politécnica da USP  realizará no dia 24 de maio, a partir das 8h30, um seminário com palestras de professores de Direito e pesquisadores da área de computação para tratar dos desafios que os sistemas legislativos enfrentam a partir do surgimento de novas formas de publicação de conteúdo.

Com o desenvolvimento tecnológico avançando cada vez mais rápido, surge o desafio das Leis se adequarem aos novos cenários. Os meios de comunicação se apropriaram das facilidades de acesso ao público trazidas pela internet, de forma que, atualmente, há uma vasta quantidade de material acerca dos mais diversos assuntos disponível a qualquer pessoa. Mas como garantir que os direitos daqueles que publicam esses conteúdos sejam respeitados?

Os tratados internacionais que protegem os direitos dos autores estão, em muitos casos, em descompasso com a realidade desse trabalho. Para discutir essa questão, estarão presentes a Dra. Vera Kerr, pesquisadora do CEST, o Dr. Daniel R. Pinto, diplomata especialista em Propriedade Intelectual, e os Professores Doutores Maristela Basso e Newton Silveira, da Faculdade de Direito da USP.

Outro problema trazido pelas inovações científicas é o surgimento das Inteligências Artificiais, que será explicado pela pesquisadora do CEST, Dra. Silvia Melchior, e pelo Dr. Jaime Sichman, professor do Departamento de Computação e Sistemas Digitais da POLI-USP. A contemplação ou a ausência desses avanços tecnológicos por parte do sistema legal vigente e o modo como os direitos autorais devem ser aplicados às suas produções serão analisadas no evento pelo Dr. Antônio Carlos Morato, professor da Faculdade de Direito da USP. Os especialistas irão tratar de possíveis caminhos para a solução de eventuais complicações que passaram a existir com as Inteligências Artificiais.

O III Seminário Propriedade Intelectual na Sociedade da Informação - Direito de Autor e Inteligência Artificial será transmitido online ao vivo pelo canal de IPTV da Universidade de São Paulo. Para participar pessoalmente, é necessário inscrever-se gratuitamente pelo site. Haverá emissão de certificado online para quem assinar a lista de presença no dia e local do evento.

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Serviço:

III Seminário Propriedade Intelectual na Sociedade da Informação - Direito de Autor e Inteligência Artificial
Local: Faculdade de Direito da USP - Auditório 1 - 01005-010, Largo São Francisco, 95, Sé, São Paulo, São Paulo
Data: quarta-feira, 24 de maio de 2017
Horário: 08:30 às 13h

Inscrições e programação completa: https://www.doity.com.br/propriedade-intelectual-direito-de-autor-e-inteligencia-artificial

 

Mestrando da Poli-USP é selecionado para compor grupo do Fórum Econômico Mundial

A comunidade denominada Global Shapers abrange jovens de até 30 anos que possuem projetos sociais relevantes em suas cidades

Renato Dallora, ex-aluno do curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli – USP), e atualmente mestrando na área de Planejamento Urbano da instituição, foi nomeado membro de uma comunidade chamada Global Shaper, iniciativa do Fórum Econômico Mundial (FEM). O grupo é formado por 30 jovens de até 30 anos que atuam socialmente em suas cidades, e possuem, de acordo com o Fórum, “o poder de transformar o mundo”. Dallora é o primeiro politécnico a ser selecionado para participar da comunidade de São Paulo.

O Global Shapers foi criado pelo presidente executivo do FEM, o professor Klaus Schwab, em 2011. Com o intuito de trazer jovens com sede de inovação e transformação para discutir as principais pautas econômicas mundiais, a comunidade está presente globalmente em mais de 90 países e em cidades brasileiras como São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

Dallora e os outros integrantes da equipe deverão trabalhar, agora, para alinhar seus objetivos e desenvolver um projeto em conjunto para a cidade, o que pode não ser uma tarefa muito fácil, devido à diversidade do grupo. “Não temos ainda uma missão única, pois somos muito diferentes, mas todos estão com vontade de trabalhar para transformar nossa realidade”, afirma. Além disso, eles participarão de outro processo seletivo que garantirá a atuação de alguns deles no próximo FEM – que ocorre anualmente em Davos, na Suíça –, quando terão oportunidade de conviver com grandes líderes mundiais.

Para o mestrando da Poli-USP, a oportunidade de expandir a rede de contatos é uma das principais vantagens em fazer parte do Global Shapers. “A gente consegue se comunicar com todo mundo que já participou do Fórum. É uma espécie de rede social, onde eu posso tirar minhas dúvidas com o Bill Gates, por exemplo”, brinca. Desde que foram escolhidos, no final de março, os membros já se encontraram três vezes, e em uma das reuniões contaram com a presença de Yemi Babington, presidente da rede Global Shapers. Babington deu uma palestra motivacional aos jovens, explicando quais os objetivos do grupo e por que é importante fazê-los discutir sobre os problemas econômicos do mundo.

O processo pelo qual Dallora foi selecionado escolheu mais 15 nomes para completar o time de São Paulo, e contou com três etapas. A primeira delas consistiu no envio de um texto sobre a história de vida e a formação dos candidatos; na segunda, produziram um vídeo em que explicavam suas ações e projetos em prol da cidade; na terceira fase, participaram de dinâmicas em grupo. “Acredito que o que chamou atenção dos avaliadores foi a minha relação com a gestão de resíduos, tema que trabalhei na graduação, no mestrado e em atividades externas à Poli”, conta.

Formação – Formado em Engenharia Civil, Dallora decidiu investir na carreira acadêmica. Atualmente é mestrando da Escola na área de Planejamento Urbano. Com orientação da professora Karin Marins, ele estuda o potencial de integração das gestões de resíduos sólidos metropolitanos.

Seu trabalho de conclusão de curso na Poli foi feito em grupo. Sua equipe desenvolveu um projeto em conjunto com a prefeitura de Vargem Grande Paulista, cidade do interior paulista, para a instalação de uma usina de reciclagem de resíduos de construções. Eles analisaram mais de 50 prefeituras que não possuíam a destinação correta dos resíduos gerados em obras até decidirem pelo trabalho com esse município. O projeto teve o apoio da Secretaria de Obras da prefeitura.

Dallora, que possui o sonho de ser docente da Poli, diz estar muito animado com a entrada dele no grupo. “É muito bom poder representar internacionalmente a instituição. Agora terei acesso a um novo conhecimento, e espero que isso me ajude no aprendizado e para o meu sonho de ser professor”.

(Amanda Panteri)

 

Últimos dias para concorrer a bolsas de iniciação científica e desenvolvimento tecnológico

Prazo para se inscrever nos editais PIBIC e PIBITI se encerra no dia 24 de maio, às 12h.

Alunos de graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) têm a oportunidade de conseguir bolsas para desenvolver projetos de iniciação científica e também de desenvolvimento tecnológico e inovação. Dois editais que oferecem recursos para esses tipos de pesquisas estão com inscrições abertas até o dia 24 de maio, às 12 horas. Participar de projetos como esses permite aos estudantes começarem a construir uma carreira acadêmica antes mesmo de concluir o curso e ingressar numa pós-graduação, fazendo pesquisa enquanto ainda estão realizando o bacharelado.

O Edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) 2017/2018 é voltado para fomentar o desenvolvimento do pensamento científico e entre estudantes de graduação do ensino superior. As bolsas serão concedidas por um período de 12 meses, admitindo-se renovações. O projeto de IC envolve pesquisa básica ou pesquisa aplicada, utilizando o método científico para produzir conhecimento, com ou sem objetivo prático.

Já o Edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) 2017-2018 visa estimular estudantes do ensino superior a promoverem o desenvolvimento e transferência de novas tecnologias e a gerarem inovação. O objeto do projeto deve ser o desenvolvimento, aperfeiçoamento ou estudo de viabilização de produtos, protótipos, processos, serviços, sistemas ou modelos de negócios, preferencialmente de caráter multidisciplinar. Para este edital pode haver inscrição de grupo de até cinco alunos para desenvolver um mesmo projeto.

 

Indústria precisa aprimorar tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo

Pesquisador da Poli-USP detecta que a forma de projetar os equipamentos hoje pode não considerar de forma adequada o efeito de forças compressivas

Eduardo Ribeiro Malta, formado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), pesquisador de pós-doutorado da instituição e oficial engenheiro do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), constatou em seu trabalho de doutorado que a forma atual de projetar os tubos flexíveis usados nas plataformas de petróleo pode não ser a mais adequada para enfrentar as condições de operação dos equipamentos nos oceanos.

Da forma como são feitos hoje, os tubos estão sujeitos a rompimentos por causa das forças que afetam as diversas camadas que os compõe, alerta o pesquisador em seu trabalho, que receberá em junho próximo o prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award, concedido pela Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (American Society of Mechanical Engineers).

O prêmio Subrata Chakrabarti Young Professional Award veio da participação do pesquisador na Conferência OMAE - Offshore, Marine and Arctic Engineering - em 2016, onde ele apresentou um artigo relacionado à Engenharia Offshore, campo que se dedica ao estudo da extração de petróleo no mar.

O artigo premiado é um recorte da tese de doutorado do pesquisador, voltada para a questão do atrito entre as camadas dos tubos flexíveis. “No meu doutorado, eu mostrei principalmente que a modelagem do tubo flexível não pode ser tão simplificada quanto alguns autores e regulamentos colocam”, afirma. Esses tubos são como mangueiras que interligam a plataforma marítima ao poço, no fundo do mar, e fazem o transporte de óleo, gás e água, encontrados abaixo do solo, até a superfície. Seus diâmetros internos podem variar desde duas polegadas e meia a 18 – tamanho de um calibre de canhão –, e os preços chegam a US$ 6 mil o metro.

Por serem muito longos e estarem expostos a um ambiente agressivo, os tubos podem sofrer danificações das mais diversas. Podem ceder à pressão interna e se romper, não suportar o próprio peso ou até mesmo sofrer ataques externos de animais marinhos; situações que causam o vazamento do conteúdo do tubo no mar e geram graves impactos ambientais e prejuízo financeiro.

Para evitar tais problemas, eles geralmente são produzidos com diversas camadas de reforço, feitas de materiais muito resistentes. Cada uma das camadas possui a finalidade de proteger o tubo de algum dos incidentes. Um exemplo é a camada mais interna, feita de aço inox, que serve para resistir à pressão externa do tubo, no caso de comprometimento da camada estanque externa.

Doutorado – Pensando nisso, Malta resolveu se dedicar ao estudo sobre o processo de falha desses tubos quando submetidos a situações de compressão provocadas pelo movimento da plataforma. Ele conta que esses processos podem ocorrer devido à plataforma marítima se movimentar bastante, por causa das ondas e do vento, o que desloca os tubos e os comprime. Quando comprimidos, acontece um fenômeno denominado birdcaging: a armadura de tração, camada interna responsável por suportar a tração do peso do tubo e que é formada por tendões de aço intercruzados, se expande e ganha o formato de gaiola, danificando os outros revestimentos.

O que o pesquisador fez, então, foi tentar entender quais eram os fatores que contribuíam para que o birdcaging ocorresse. Ele criou um modelo numérico, espécie de simulação computacional, onde testou diversas situações diferentes. A primeira delas foi provocar um rasgo na camada mais externa do tubo, e submetê-lo à compressão, o que não influenciou significativamente os resultados. Depois, foi a vez de outra camada, feita com fibra de aramida (cujo nome comercial é Kevlar e é usado para a fabricação de coletes à prova de balas), ser danificada e exposta aos esforços solicitantes.

Artigo premiado - Na Conferência OMAE, Malta apresentou os resultados dos experimentos envolvendo o atrito entre as camadas do tubo. Normalmente, as camadas são produzidas e dispostas entre si bem justas umas às outras e fitas antiabrasivas são colocadas entre as camadas, pois desse modo não há tanta fricção e elas não se desgastam tão facilmente.

Durante a pesquisa, ele descobriu que isso pode não ser benéfico para o tubo: quanto mais justas as camadas estão uma às outras, ou seja, quanto maiores as forças de atrito entre elas, menor será a carga crítica de compressão que resulta no bircaging. As forças de atrito transferem os esforços de uma camada para a outra, fazendo com que elas trabalhem em conjunto, de modo coeso. Sem o atrito, tais forças coesivas não são tão expressivas, de tal forma que a armadura de tração suporta sozinha a carga de compressão e acaba antecipando a falha.

Essa constatação garantiu ao pesquisador o prêmio de melhor artigo da conferência. “O prêmio é muito importante, pois é bom representar o Brasil em conferências como essa. É uma grande conquista para a Poli e para o Laboratório [de Mecânica Offshore - LMO]”, diz sobre o feito. Ele irá apresentar outro trabalho no evento esse ano, dessa vez relacionado ao mecanismo que conecta os tubos uns aos outros.

Trajetória - Malta conta que se interessou pela área desde a sua iniciação científica, em 2007, quando conheceu o professor Clóvis Martins. Orientado pelo docente, ele iniciou as pesquisas no Núcleo de Dinâmica e Fluidos (NDF) do Departamento de Engenharia Mecânica (PME) da Poli, e posteriormente passou a fazer experimentos no LMO, dos professores Martins e Celso Pesce.

Ele afirma que passou boa parte do tempo do doutorado simulando as situações dos tubos flexíveis no modelo numérico criado por ele. Cada simulação demorava aproximadamente quatro dias para ficar pronta, e, ao todo, foram realizadas cerca de 200. Para o pós-doutorado, ele deseja analisar seu modelo e melhorá-lo baseado nas possíveis sugestões vindas da avaliação da banca.

(Amanda Panteri)

 

Domínio do Big Data é fundamental para o avanço do conhecimento científico

Em workshop, pesquisadores discutiram ferramentas e procedimentos para uso do Big Data, com exemplos na área ambiental.

Com as novas tecnologias, capazes de captar a cada dia maior volume amplo de dados, e a globalização da ciência, demonstrada pelo número cada vez maior de cooperação entre campos do conhecimento e entre países, os cientistas agora se perguntam como armazenar essas informações e compartilhá-las da melhor forma com os pesquisadores e a sociedade de forma geral. O Big Data é apontado como a solução para esse gargalo, e foi justamente sua aplicação no armazenamento e gestão de bases de dados de pesquisa ambiental o tema do II Workshop em Ciência dos Dados da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que terminou nesta sexta-feira (12/05) no campus do Butantã, em São Paulo.

A Poli, o Instituto de Física (IF) da USP e o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), promotores do evento, estão trabalhando em parceria para o desenvolvimento de uma base de gestão de dados, observando desde as ferramentas de computação até as melhores estratégias para fazer essa atividade, direcionada para o uso desse serviço nas pesquisas ambientais.

Em sua segunda versão, o Workshop em Ciência dos Dados procurou disseminar para a comunidade científica os avanços e as melhores técnicas na área de gestão de dados científicos. O tema central do evento foi a Visualização Analítica e como suas técnicas podem ser utilizadas para compreender fenômenos complexos, representados pelos conjuntos de dados.

“Estamos falando sobre a e-Science, sobre o quarto paradigma da ciência, baseada no uso intensivo de dados gerados e manipulados para resolver grandes problemas, como a questão das mudanças climáticas globais ou o sequenciamento do genoma humano, por exemplo, em trabalhos que envolvem parcerias e compartilhamento amplo de informações”, destacou o professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa, pesquisador desse tema na USP.

Ele anunciou na abertura do workshop que será realizado um evento internacional sobre o mesmo tema, em outubro deste ano, na Poli, e do qual devem participar representantes do Atmospheric Radiation Measurement (ARM), projeto do Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos, e um dos grandes exemplos de uso de Big Data para armazenamento e compartilhamento de informações científicas na área ambiental.

Os dados de interesse para armazenamento e compartilhamento são, em geral, informações de uma pesquisa que não foram expressas em artigos científicos, monografias, publicações científicas, mas que serviram para embasar as análises e conclusões dos estudos e experimentos. “Esses dados precisam ser preservados e não devem ser reaproveitados para validar ou criar novos experimentos”, apontou Corrêa. São exemplos de dados coleções de registro de medidas usado pelo pesquisador, textos, algoritmos, modelos matemáticos, questionários e entrevistas usados em Ciências Sociais, fotos, gravações em áudio e em vídeo etc.

Ter uma ferramenta onde armazenar esses dados e dar acesso a eles é apenas um passo no sentido de usar as Ciências de Dados para ajudar os cientistas a trabalharem com grandes bancos e encontrar informações corretas. Gerenciar dados passa então pelas etapas de definição, planejamento, implantação e execução de estratégias. “Precisamos aprender não só a acessar os dados, mas a compartilhá-los, e isso passa por uma mudança de cultura”, disse.

Os cientistas já dispõem de ferramentas para as várias atividades necessárias para se criar, compartilhar e acessar um bom banco de dados. Por exemplo, o DMP Tool é uma ferramenta que ajuda na elaboração do plano de gestão de dados, uma etapa da organização de um banco. Outra iniciativa mencionada foi a do Data Observation Network for Earth (DataONE), apoiada pela National Science Foundation (NSF) nos EUA. É um grande repositório de dados científicos para uso de pesquisadores, educadores e público em geral. Lá estão depositados dados de redes de pesquisa como o The Digital Archaeological Record (tDAR) e o Gulf of Mexico Research Initiative (GRIIDC).

Exemplos – Côrrea citou exemplos de como a Ciências de Dados está sendo empregada em pesquisas ambientais. Um deles é o projeto USGS, órgão responsável pelas unidades de conservação dos Estados Unidos, e que coleta dados ambientais sobre essas áreas. Um dos estudos que estão fazendo é o de observação de uma espécie de ave para verificar se as mudanças no clima afetam seus padrões de migração.

Outro grande projeto é o ARM, que coleta dados climáticos de todo o mundo para criar modelos que serão usados em estudos sobre as mudanças climáticas globais. O sistema tem até um mecanismo semelhante ao das lojas de comércio eletrônico, na qual é possível ‘colocar no carrinho’ as informações que foram pesquisadas e são de interesse do cientista-usuário. As informações colhidas são todas referenciadas, ou seja, fala quem é a fonte do dado. “O ARM é, na minha visão, um dos projetos de maior maturidade em Ciências de Dados aplicada à pesquisa sobre o meio ambiente”, disse.

A pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Luciana Varanda Rizzo, falou sobre os resultados parciais do projeto GoAmazon 2014-2015. Ela contou sobre o estudo que investiga as interações entre as emissões da área urbana de Manaus na região amazônica, observando o comportamento do vento que passa pela capital do Amazonas e leva os poluentes emitidos na cidade para a região de floresta.

Segundo ela, a equipe enfrenta vários desafios em termos de gerenciamento de informações colhidas no experimento, como a integração de dados vindos de diferentes plataformas (estações meteorológicas instaladas na floresta, sensores acoplados em aviões, imagens de satélite, entre outros.) “É um prato cheio para se aplicar ferramentas de Big Data”, concluiu.

(Janaína Simões)

 


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