Escola Politécnica da USP

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Sociedade de engenheiros de petróleo premia alunos da Poli-USP

Pelo terceiro ano consecutivo, organização profissional da indústria de óleo e gás dá prêmio máximo aos estudantes de engenharia de petróleo da Escola Politécnica

O Capítulo Estudantil da USP, organização universitária composta pelos alunos de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica, receberá da Sociedade dos Engenheiros de Petróleo (SPE) um prêmio pelas atividades desenvolvidas ao longo do último ano. O “2017 Outstanding Student Chapter Award” é o mais alto reconhecimento concedido pela organização aos segmentos estudantis, pelo seu trabalho exemplar em atividades que promovem o engajamento local da indústria, o envolvimento da comunidade, o desenvolvimento profissional e a inovação.

O Capítulo Estudantil da USP funciona no campus de Santos, onde desde 2012 a Escola Politécnica oferece o curso de Engenharia de Petróleo. Em 2014, o grupo recebeu o Prêmio Gold Standard, concedido pela SPE a apenas 19 dos 310 Capítulos existentes em todo mundo, e desde então eles têm se destacado, recebendo a premiação máxima em 2015, 2016 e neste ano de 2017. O professor Giorgio de Tomi ressalta que essa nova premiação recebida pelo Capítulo Estudantil é motivo de muito orgulho para o Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli, chefiado por ele. “O prêmio é um reconhecimento da abordagem profissional e dedicada de nossos alunos em sua atuação acadêmica e junto à comunidade. Esta destacada atuação dos nossos alunos está sendo reconhecida não apenas pela SPE e pela indústria, mas também por outras instituições internacionais”, conta o docente.

A direção regional da SPE, que engloba os países da América do Sul e do Caribe, ressaltou que são premiados apenas os projetos com nível de excelência, e agradeceu pelo alto nível da programação desenvolvida pelos estudantes, e oferecida aos membros da associação e para a comunidade local.

A premiação será realizada em San Antonio, uma cidade americana do estado do Texas, onde a Sociedade dos Engenheiros de Petróleo realizará uma conferência técnica anual. Os estudantes estão em busca de apoio para participar do evento, uma vez que a SPE não cobre os custos de viagem e estadia. Para apoiar os estudantes, entre em contato com o Capítulo pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. "> Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Mas o que faz um capítulo estudantil da SPE?

A organização é orientada a atuar em três frentes: social, profissional e acadêmica. Na área social, eles promovem atividades que os colocam em contato direto com a comunidade local e seus desafios. Os estudantes buscam atender a uma necessidade da comunidade, seja em momentos específicos, como no caso de um banco de sangue estar com baixo estoque, ou em datas comemorativas, quando arrecadam brinquedos, roupas e mantimentos. A doação de sangue e o Natal Solidário já fazem parte do calendário do SPE da USP. A interação com a comunidade local é uma exigência da SPE, para que a sociedade os reconheça como cidadãos engajados, que estão se interando do seu entorno ao longo da sua formação. Porém, o mais importante é a satisfação demonstrada pelos alunos ao realizarem atividades sociais como estas.

No âmbito acadêmico, o Capítulo promove eventos de divulgação científica e de oportunidades, como o Petro Science, ciclo de palestras que divulga oportunidades de iniciação científica aos alunos de graduação, e o PetroMasters, evento aberto ao público que apresenta os cursos de pós-graduação oferecidos na área de Engenharia de Petróleo.

E por fim, englobando as três áreas, o Capítulo promove anualmente o seu evento mais importante, o Workshop do Petróleo. O evento teve a sua quarta edição em novembro do último ano, e trouxe profissionais e representantes da academia para debater o futuro da indústria de óleo e gás. Yan Vieira, que fez parte da direção do capítulo em 2016, explica que o Workshop engloba todos os aspectos que o Capítulo deve prezar, desde a construção de relacionamentos profissionais (networking) até a divulgação de conhecimento especializado sobre a área. “É possível aperfeiçoar outras habilidades, como liderança e organização, uma vez que a organização dos eventos é realizada diretamente pelos membros da equipe”.

Outras informações sobre o Capítulo Estudantil da USP e suas atividades no site https://www.facebook.com/capitulospeusp/.

 

Pesquisa da Poli-USP propõe novo modelo de governança para o sistema portuário brasileiro

Corporatização portuária, descentralização do planejamento, unificação dos planos e reformulação de algumas instituições, entre outras ações, poriam fim a ineficiência do sistema portuário.  

Estima-se que a ineficiência do sistema portuário brasileiro gere prejuízos da ordem de R$4,3 bilhões por ano para o país. Para reverter este quadro, o pesquisador Sergio Sampaio Cutrim, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), identificou os principais fatores que tornam precária a administração do setor, propondo um novo modelo de governança e planejamento que é baseado, principalmente, no modelo corporatização portuária, na descentralização do planejamento e na unificação de algumas instituições e planos.

Em seu estudo, Cutrim constatou que os prejuízos são causados sobretudo pelas multas pagas sobre estadia dos navios aguardando a operação de embarque ou desembarque nos portos, pela demora na liberação das cargas da alfândega, por custos logísticos desnecessários e pela falta de infraestrutura do sistema portuário brasileiro. “São prejuízos que poderiam ser evitados se houvesse um planejamento estratégico dos portos que visasse a superação de gargalos logísticos, a homogeneidade do desenvolvimento da movimentação portuária, além de investimentos suficientes e uma implantação não fragmentada dos planos portuários”, afirma o pesquisador que se debruçou sobre o tema durante três anos.

Descentralização – Uma medida urgente é fazer com que as instituições portuárias públicas funcionem administrativamente do mesmo modo que empresas privadas no País, ou seja, com técnicas de gestão do setor privado, porém preservando o interesse público. É o que ele chama de corporatização portuária. “Isso reduziria a interferência política no setor e melhoraria significativamente sua gestão”, afirma.

“Outra medida importante é implementar a descentralização do planejamento portuário”, completa. Hoje, essa atividade está centralizada no Ministério do Transportes, Portos e Aviação Civil (MT) e a ideia é que seja descentralizada em nível regional para as autoridades portuárias, garantindo maior agilidade no setor. “Atualmente, para aprovar uma nova concessão ou um projeto para um novo berço em um terminal público demora-se de três a quatro anos. E se fosse descentralizado, isso poderia ser definido em meses”.

Por esse modelo, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MT) ficaria responsável pela política nacional portuária, e as autoridades portuárias cuidariam do planejamento da expansão e modernização dos portos. “Atualmente, qualquer expansão ou projeto de investimentos é feita pelo MT, o que torna o processo mais demorado”, conta.

Unificação – O excesso de instituições e planos também foi outro problema identificado. Cutrim sugere que o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) e o Plano Mestre, ambos criados com o objetivo de realizar as previsões de demanda dos portos e o planejamento da infraestrutura necessária para atendê-los, sejam unificados em uma única proposta. “São dois planos distintos trabalhando na mesma área e feitos por duas instituições diferentes, que vez ou outra chegam a resultados diferentes, e isso dificulta muito”, diz. No mesmo sentido seria a unificação do Plano Geral de Outorgas (PGO) com o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP).

O pesquisador também considera a Empresa Brasileira de Planejamento e Logística (EPL), estatal que tem por objetivo o planejamento logístico integrado no país, desnecessária, uma vez que já existem instituições com responsabilidades e funções de planejamento e esta função deve ser descentralizada. Por isso, ele defende a extinção da mesma.

Ainda no sentido da unificação, uma de suas ideias foi adotada recentemente pelo governo: a administração dos três modais de transporte brasileiros em um único ministério, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MT). Antigamente, o MT ficava encarregado apenas do modal rodoviário, enquanto o sistema aquaviário e o da aviação eram administrados por dois órgãos com status de ministérios, a Secretaria Especial de Portos (SEP) e a Secretaria da Aviação Civil, respectivamente.

“A unificação é importante, pois os modais de transporte são interdependentes, em especial o aquaviário”, comenta. “Um porto serve como um elo entre os modais rodoviário, ferroviário e aquaviário. Os sistemas de transportes modernos são administrados de forma integrada, assim se consegue mais eficiência e menos custo na utilização”, defende.

Novo foco – Cutrim avalia que o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte (CONIT), órgão ligado ao governo federal, que propõe políticas nacionais de integração dos diferentes tipos de transporte, deve ser reformulado com o objetivo de transformá-lo em um órgão efetivo de assessoria e planejamento do setor. Atualmente, essa função está distribuída a várias instituições, e uma centralização em nível nacional facilitaria a governança, o planejamento e a definição da política nacional de transporte e logística.

A reformulação do Conselho de Administração (CONSAD) – entidade que fiscaliza a gestão dos portos públicos – também é uma proposta de Cutrim. Para ele, o Conselho deveria passar a adotar critérios técnicos para a escolha dos conselheiros e atuar efetivamente na fiscalização da administração portuária, adotando as boas práticas de governança corporativa reconhecidas internacionalmente.

Outra medida necessária seria o retorno da função deliberativa do Conselho de Autoridade Portuária (CAP). Esse órgão que tem por responsabilidade ser o administrador de todos os interesses dos stakeholders do setor está funcionando apenas de forma consultiva. “Ele não possui mais autonomia para decisões importantes, como projetos de expansão e a aprovação do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento - PDZ. Os sistemas portuários mais avançados do mundo, como por exemplo o Holandês e o Chinês, possuem estas decisões descentralizadas no nível regional”, diz.

Para o pesquisador, essas mudanças fariam com que a operação portuária privada fosse mais eficiente, pois ela teria mais liberdade e autonomia para executar o que sabe. E o setor público, por sua vez, seria mais eficiente na regulação, fiscalização e planejamento.

Sobre o estudo - A pesquisa de Cutrim, intitulada “Planejamento e Governança Portuária no Brasil”, é fruto de uma tese de doutorado defendida em junho último no Departamento de Engenharia Naval e Oceânica (PNV) da Poli-USP, sob a orientação do professor da Poli Rui Carlos Botter. Para o estudo, Cutrim avaliou os planos de transporte PNLT – Plano Nacional de Logística e Transporte e o PNLP - Plano Nacional de Logística Portuária, as experiências internacionais do sistema portuário holandês e chinês, desenvolveu um estudo de caso junto ao Porto de Santos e entrevistou especialistas do setor portuário aplicando a técnica Delphi de investigação.

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ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

Angela Trabbold – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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Poli-USP irá atuar em projetos de IoT para a cidade de Joinville

Acordo de Intenções foi assinado ontem (12/07); evento contou também com a empresa Huawei, que possui parcerias em pesquisas com a Escola.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Prefeitura de Joinville (SC) passarão agora a trabalhar em conjunto para desenvolver projetos relacionados à Internet das Coisas (IoT) com o objetivo de melhorar a infraestrutura da cidade. É o que está previsto no Acordo de Intenções assinado ontem (12/07) pelo professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, e Udo Doher, prefeito de Joinville. O evento ocorreu no Auditório de Engenharia Elétrica da Poli e contou com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, com a presença do professor Hamilton Varela, e da empresa multinacional em tecnologia Huawei, com a presença do diretor de Marketing Henri Hezhe.

“Pretendemos triplicar os índices econômicos e sociais da cidade em 30 anos, e fazer com que ela seja considerada uma cidade inteligente no futuro”, afirmou o prefeito, que disse ser imprescindível a parceria entre o setor público e a academia para isso. O município já investe em sistemas eletrônicos como o Sigeor, Simgeo e Sei, ferramentas online que facilitam a busca por informações geográficas, administrativas e jurídicas da cidade. Contudo, o prefeito pretende ir mais longe, e prevê acordos para transformar a cidade em um centro digitalizado e inteligente em longo prazo. A parceria com a Poli caminha nesse sentido. “Não estamos olhando para a Joinville de hoje, mas para Joinville do futuro”, completou.

O professor da Escola Moacyr Martucci Jr foi o responsável pela organização do evento e explicou como a Poli irá contribuir no projeto. “Iremos utilizar as inovações relacionadas à IoT desenvolvidas no Departamento em aplicações práticas para a cidade de acordo com os interesses dela”, afirmou. “Podemos fazer isso em diferentes setores, como o da saúde, segurança pública e educação. A assinatura de hoje significou a abertura de um leque de possibilidades”.

Segurança Pública – A Poli já desenvolveu projetos relacionados com a IoT. Um deles, o Smart Campus, resultou da parceria entre a Huawei e a Poli, proporcionada pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade. A ferramenta se utiliza de dispositivos e câmeras de alta tecnologia para identificar pessoas em atividades suspeitas dentro do campus. Esses dispositivos detectam rostos e objetos e enviam as informações para um banco de dados em nuvem, que por sua vez é capaz de identificar a pessoa se ela estiver cadastrada no sistema. Se houver indícios de atividades suspeitas, o sistema envia um alerta de segurança.

Fabio Cabrini, pesquisador do PSI, desenvolveu sua tese de doutorado sobre o software e fez uma apresentação prática para o público do evento. “Estamos trabalhando para que no futuro a ferramenta consiga identificar o caminho que a pessoa faz dentro da Universidade e possa até traçar o perfil da mesma”, concluiu. Para isso, ele afirmou ser necessário o desenvolvimento de uma infraestrutura de comunicação melhor do que a que existe atualmente, uma vez que o tempo de resposta entre os dispositivos, denominado latência, pode sofrer atrasos mesmo com a tecnologia 4G.

Devido a esse problema, a Poli e a Huawei já estão trabalhando com projetos nesse sentido, e até falam na construção de uma comunicação 5G. Foi o que afirmou Martucci, que explicou também sobre outra vertente da parceira Huawei-Poli que estuda meios para aprimorar o ensino utilizando a IoT. O evento contou ainda com uma apresentação da multinacional feita pelo diretor de Relações Públicas da empresa, Vinicius Fiori. 

Confira as fotos do dia no álbum de fotos do Flickr.

(Amanda Panteri)

 

Professor da UCLA participa de workshop na Poli-USP

William Yeh falou sobre os modelos matemáticos utilizados para otimizar o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas.

William Yeh, professor da University of California Los Angeles (UCLA) e referência em planejamento e operação de sistemas de recursos hídricos de grande porte, esteve presente na última terça-feira (11/07), em São Paulo, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), para explicar sobre os modelos matemáticos utilizados na otimização do armazenamento de água em reservatórios de usinas hidrelétricas. O pesquisador foi um dos palestrantes do “Workshop II: Hydrothermal Planning Operation for the Brazilian Interconnected Power System - Stochastic Optimization with Recourse” realizado como parte das atividades do projeto de P&D “Nova plataforma de planejamento da operação hidrotérmica do Sistema Interligado Nacional” e organizado pelos professores Renato Carlos Zambon e Mario Thadeu Leme de Barros, ambos da Poli.

Yeh destacou que prever a quantidade de água necessária a ser armazenada nos reservatórios das usinas de grande porte não é uma tarefa fácil devido a fatores de imprevisibilidade. “Calcular o armazenamento de água é trabalhar com uma sequência de tomadas de decisão baseada na incerteza”, afirmou. Atualmente, o armazenamento deve levar em conta a operação integrada de energia com térmicas e outras fontes, os múltiplos usos da água, os riscos do não atendimento à demanda da população e a elevação excessiva de custos diante de incertezas, como em cenários de secas mais severas.

Por conta deste cenário, diversos modelos computacionais matemáticos foram criados para otimizar o prognóstico da quantidade de água a ser estocada nos reservatórios. Yeh explicou quais são e como eles foram desenvolvidos. Um deles é utilizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para as hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse software considera quatro grandes subsistemas no país: Norte, Sul, Centro-Oeste/Sudeste e Nordeste, e não considera importantes não linearidades que ocorrem na operação hidráulica das usinas. Já o modelo não linear e estocástico, desenvolvido pelo grupo de pesquisa da Poli, analisa individualmente as mais de 150 usinas hidrelétricas de médio e grande porte no país.

Projeto da Poli – O workshop contou ainda com uma apresentação do projeto feita por Zambon. Ele mostrou aos presentes um gráfico sobre a evolução da geração de energia elétrica a partir das diferentes fontes (hidrelétrica, térmica, eólica e nuclear) durante os últimos 17 anos no país, e explicou que a maior parte é fornecida pela geração hidrelétrica, mas para completar a oferta e atender à demanda da população há a necessidade em se despachar energia térmica, que é mais cara e danosa ao ambiente. Por isso, a decisão mês a mês sobre a quantidade de água a ser estocada ou utilizada para a geração nas usinas hidrelétricas é tão importante.

A pesquisa dos docentes da Poli já está em sua terceira fase e contou com o apoio de diferentes projetos e entidades patrocinadoras ao longo do tempo. A primeira delas, feita em 2003 pelo professor Barros, contou com o desenvolvimento do primeiro modelo matemático que analisava individualmente a estocagem de água de 75 usinas hidrelétricas no país. O paper resultante da pesquisa se tornou referência científica e um dos artigos mais citados do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA).

A segunda fase, realizada em 2008, adicionou a relação das hidrelétricas com as térmicas, e ganhou o mesmo destaque científico. Porém, ainda considerava um cenário único, determinístico de vazões afluentes, problema que pôde ser resolvido agora na conclusão da terceira fase da pesquisa e com a adoção do modelo matemático estocástico, que considera múltiplos cenários.

Zambon deu exemplos de aplicações recentes em estudos como a obra de transposição do Paraíba do Sul para o sistema Cantareira no abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, o impacto das novas usinas como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau e da seca recorde na bacia do São Francisco na operação do SIN, e da participação das eólicas quem em poucos anos cresceu de menos de 1% para mais de 7% do total da geração. A apresentação de Zambon foi finalizada com comentários do Dr. João Eduardo Gonçalves Lopes, que identificou diferenças entre o modelo utilizado no SIN e o desenvolvido na pesquisa da Poli. Yeh concluiu a apresentação com sugestões para pesquisas futuras, com destaque para diferentes técnicas de previsão e cenarização e a incorporação das fontes eólica e solar no modelo de otimização do planejamento energético.

Confira as fotos do evento em nosso álbum no Flickr

(Amanda Panteri). 

 

Poli Cidadã entrega certificados aos voluntários dos projetos de 2017

Foram entregues 68 certificados a alunos e funcionários da Poli-USP que foram voluntários em projetos sociais promovidos pelo Programa.

Alunos e funcionários da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que contribuíram como voluntários em projetos sociais realizados no primeiro semestre deste ano, no âmbito do Programa Poli Cidadã, receberam ontem (11/07) seus certificados de participação. A cerimônia ocorreu no prédio da Administração da Poli e contou com a presença do professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Escola; da professora Liedi Légi Bariani Bernucci, vice-diretora; e do coordenador do Programa, o professor Antonio Luis de Campos Mariani, do Departamento de Engenharia Mecânica.

Na abertura do evento, o diretor da Poli ressaltou a importância do Programa e disse estar muito contente por ter, em seu mandato, apoiado projetos que ele considera fundamentais para a sociedade. Piqueira defendeu a formação de engenheiros de alto nível e comprometidos com o rigor ético. “Eu quero que vocês tenham consciência de que vivem em um ambiente que precisa de vocês para inúmeras coisas. Eu quero que vocês saiam da Politécnica sabendo disso e da importância da ética no mundo atual”, ressaltou.

Já a vice-diretora da Poli lembrou a todos que, em países desenvolvidos, os projetos sociais são muito valorizados. “Em um país como o nosso, com tantas diferenças sociais, nós que somos privilegiados temos que ter este papel”, enfatizou.

Piqueira também parabenizou a atuação do professor Mariani e a considerou decisiva para o bom funcionamento dos projetos – o que, na visão de Mariani, foi uma via de mão dupla: “O apoio da Diretoria tem sido fundamental”, destacou ele, após apresentar as iniciativas de 2017 e falar sobre o histórico do Poli Cidadã, que já contou com mais de 200 alunos voluntários.

Projetos realizados – No total, foram entregues 68 certificados – todos relacionados a três projetos. Um deles foi a Oficina de Redação, ministrada no dia 8 de abril pela funcionária Juliana Freire Leite, do Serviço de Cultura e Extensão da Poli. Juliana participa da Comissão Gestora do Poli Cidadã e tem formação em Letras-Português pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP). Na oficina, ela orientou e discutiu elementos que podem ajudar os alunos do ensino médio na redação do vestibular. Foi uma forma de preparar os monitores que ministram aulas ou tutorias nos projetos parceiros do Poli Cidadã, como o Projeto Kali e o Matemática em Movimento.

Outro projeto foi a Oficina de Brinquedos, realizada em parceria com alunos do Centro Acadêmico da Mecânica (CAM) da Escola. A atividade contou com a participação de crianças de 11 e 12 anos de duas instituições vizinhas à USP (ONG Sinhazinha Meirelles e a Escola Estadual Professor Emygdio de Barros), que puderam projetar e construir brinquedos.

O terceiro projeto foi feito em parceria com o grupo estudantil PET Mecatrônica e com o Projeto Envelhecimento Ativo, do Hospital Universitário, e resultou na realização da Oficina de Inclusão Digital. Voltada a funcionários e servidores terceirizados da USP, a atividade consistiu em aulas de informática gratuitas. 

Confira as fotos do evento no álbum do Flickr da Escola Politécnica. 

(Amanda Panteri)

 

Poli-USP discute o planejamento da operação das usinas hidrelétricas e térmicas no Brasil

O evento tratará dos avanços mais recentes sobre o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e contará com a presença de William Yeh, professor da UCLA 

Como gerir corretamente o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras, considerando a operação integrada com térmicas e outras fontes, intercâmbios, usos múltiplos da água, expansão do sistema, riscos de não atendimento à demanda e elevação excessiva de custos diante das incertezas sobre as principais variáveis envolvidas, como em cenários de secas mais severas. Esse é um desafio que os pesquisadores Renato Carlos Zambon e Mario Thadeu Leme de Barros, professores do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), estão enfrentando atualmente. Os últimos avanços desse estudo serão tema de um workshop que será realizado no dia 11 de julho, que contará com a presença de William Yeh, professor da University of California Los Angeles (UCLA).

O workshop servirá para discutir resultados do projeto de pesquisa “Nova plataforma de planejamento da operação hidrotérmica do Sistema Interligado Nacional” sobre técnicas de otimização aplicadas à geração de energia elétrica no Brasil. Começa às 9 horas e será realizado no PHA. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . O professor Yeh é um estudioso na área de análise de sistemas de recursos hídricos e parceiro de Zambon e Barros na pesquisa.

Atualmente, o sistema de produção de energia elétrica no país se baseia nos sistemas hidrelétrico, térmico e eólico. As usinas hidrelétricas são responsáveis por atender maior parte da demanda de energia no país, que por sua vez é complementada pela produção dos outros dois tipos de usinas. Fatores como períodos de secas podem influenciar e prejudicar a produtividade das usinas hidrelétricas, exigindo acionar térmicas de custo muito elevado e com impactos ambientais significativos.

Os modelos utilizados atualmente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) representam as regiões Norte, Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste como quatro grandes subsistemas agregados em reservatórios equivalentes. Em seus trabalhos de pesquisa, os professores Zambon e Barros defendem a análise individualizada das mais de 150 usinas hidrelétricas de médio e grande porte no país.

Cooperação de longo prazo – A pesquisa é fruto de uma parceria entre os dois docentes da Poli e o professor William Yeh, da UCLA. Zambon atua em trabalhos conjuntos com o professor norte americano desde 2003, incluindo o seu pós-doutorado realizado na UCLA entre 2013 e 2014. Barros e Yeh possuem trabalhos conjuntos desde o final da década de 1980.

“Nosso Departamento é muito conhecido por ter participado de diversos projetos de construção das maiores usinas hidrelétricas do Brasil”, conta Zambon. “Agora, o interesse não está mais apenas em construir, mas também em como operar essas usinas de uma forma eficiente”, complementa. O grupo de pesquisas já contou com a participação de graduandos, pós-graduandos e pesquisadores de outras universidades brasileiras, e recebe o apoio da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

(Amanda Panteri)

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Serviço: Workshop II: Hydrothermal Planning Operation for the Brazilian Interconnected Power System - Stochastic Optimization with Recourse

Quando: 11 de julho.
Horário: Das 9h às 17h.
Onde: Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli-USP. Av. Prof. Almeida Prado, trav.2, n.83, Prédio da Engenharia Civil, Cidade Universitária, São Paulo SP.
Inscrições: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. informando nome completo, profissão, instituição e e-mail para contato. 

 

Estudantes da Nigéria iniciam aulas de pós-graduação na Poli-USP

Um grupo de 17 alunos nigerianos vai participar dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) deu mais um passo importante no sentido da internacionalização da instituição. Em agosto, um grupo de 17 estudantes nigerianos inicia as aulas no programa de pós-graduação do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo (PMI) da Escola. A estada dos alunos na USP é resultado de um convênio assinado em junho do ano passado entre a Poli e o Petroleum Technology Development Fund (PTDF), instituição da Nigéria que apoia pesquisas em exploração de petróleo por meio da concessão de bolsas de estudo.

“O PTDF é extremamente ativo no apoio à pesquisa em petróleo e busca sempre uma formação no estado da arte para os alunos na pós-graduação. Quando procuraram por instituições que têm programas de formação e de pesquisa avançados na exploração de petróleo em grandes profundidades, olharam para o Brasil e nos encontraram. Depois de um tempo de negociação, fechamos a parceria”, destaca o chefe do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo, professor Giorgio de Tomi.

O PMI ocupa a 25ª posição no QS World University Rankings by Subject, entre os cursos universitários existentes no mundo. O QS World University é o principal ranking internacional relacionado ao ensino superior no mundo. Já o PTDF, que existe há mais de 15 anos, é um grande financiador na Nigéria. Até o ano passado, já havia financiado mais de 2,5 mil bolsas de mestrado e 642 de doutorado.

O petróleo é a principal fonte de riqueza do país africano, que busca, com o convênio, formar os profissionais para atuar na sua indústria. A Nigéria também tem petróleo em camada de pré sal, mas está tecnologicamente um pouco atrás em relação ao Brasil na exploração de águas profundas, área na qual nosso país é líder mundial em pesquisa e produção, daí buscar a formação de recursos humanos aqui. “Quando pensamos em termos de país, a gente nota que temos problemas e desafios semelhantes. Queremos sair de onde estamos e elevar o patamar de nossas economias, então é natural que sejamos parceiros e que eles nos procurem por termos a liderança no conhecimento e na tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas”, atesta Giorgio.

Dos 17 alunos que virão da Nigéria, nove irão cursar o mestrado e oito farão o doutorado na Poli, e ambos vão ter aulas e desenvolver atividades de pesquisa nos campi da Poli em São Paulo e em Santos. “A porta de entrada é o curso de petróleo, mas o programa que eles vão desenvolver aqui é multidisciplinar e vai envolver outras áreas da Engenharia, em assuntos relacionados ao setor de petróleo e aos seus projetos de pesquisa”, acrescenta. Cada um tem um docente tutor – que não é necessariamente o orientador da pesquisa. “O papel do tutor é ajudar na ambientação, dar dicas para facilitar a adequação como aluno da USP, como se engajar nas disciplinas etc”, explica.

O programa de pós-graduação do PMI já tem quase metade de seu conteúdo aplicado em língua inglesa, então esse não será um problema para os estudantes nigerianos. Mas eles terão aulas de língua portuguesa, pois parte do programa é também oferecer elementos da cultura brasileira aos participantes e inseri-los na sociedade enquanto estiverem no Brasil. O prazo previsto para conclusão dos cursos é de dois anos para quem está fazendo mestrado, e de três anos para o doutorado.

(Janaína Simões)

 


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