Escola Politécnica da USP

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Diretor da Poli-USP destaca programas sociais da instituição no Seminário Procoas

Professor José Roberto Castilho encerrou a 13ª edição do evento, que tratou de Economia Social e Solidária.

Terminou nesta quarta-feira (11/10) o XIII Seminário Internacional Procoas, organizado pelo Comitê de Processos Cooperativos e Associativos (Procoas) e realizado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O encerramento contou com a participação do diretor da Poli-USP, professor José Roberto Castilho Piqueira, que destacou algumas das ações no campo social executadas por professores e alunos da Escola.

O evento tratou do tema “Autogestão, Cooperativismo e Economia Social e Solidária: Experiências Latino-Americanas” e reuniu alguns dos principais pesquisadores e estudiosos do assunto no País. A programação incluiu debates, apresentações de artigos, saraus, almoços comunitários e lançamentos de livro.

Piqueira lembrou que a Poli nasceu por iniciativa de um grupo de abolicionistas republicanos e, portanto, tem uma tradição inclusiva na sua origem. “Esta Escola foi criada para desenvolver tecnologia para o Estado de São Paulo e o Brasil e para que esse desenvolvimento trouxesse à população qualidade de vida, conforto, progresso, igualdade, trabalho”, apontou.

Ele disse ser uma honra para a Poli poder receber um evento como o Procoas, que está alinhado com uma das vocações da Escola, a promoção do desenvolvimento do País. “Nos últimos anos temos insistido junto aos nossos alunos  sobre o fato de que eles têm uma missão muito importante para quando saírem desta universidade, que é pública: eles precisam devolver para a sociedade a formação que eles obtém, pois eles estudam aqui financiados por ela”, disse. Esse retorno não precisa ser necessariamente em dinheiro, segundo Piqueira. “Pode ser em trabalho, em geração de empregos, na promoção de ações que tragam o desenvolvimento para toda a população”, exemplificou.

O diretor da Poli também ressaltou que a Escola está totalmente aberta para qualquer trabalho social importante. “Temos grupos de alunos que dão aulas de Química, Física e Matemática em escolas públicas da região, durante os finais de semana; oferecemos o Programa de Iniciação Científica, o Pré-IC, para estudantes da rede pública; temos projetos de reúso de água, de reformas em salas de aula etc, com nossos alunos indo às escolas para desenvolver esses trabalhos”, enumerou.

Piqueira concluiu sua fala parabenizando os organizadores do Seminário Procoas, destacando que o evento é totalmente compatível com a missão da Poli-USP de produzir conhecimento e formar pessoas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de toda a população. 

 

Mulheres com carreira de sucesso na Engenharia são exemplos de incentivo para estudantes

Em mesa-redonda na Poli-USP docentes discutem questão de gênero na Engenharia, e como enfrentar casos de discriminação.

Procurar e divulgar amplamente os bons exemplos de mulheres que se destacam na carreira de Engenharia é uma das ações práticas que podem ajudar a despertar o interesse do sexo feminino pela área e, dessa forma, ampliar a presença das mesmas nesse campo do conhecimento. Essa foi uma das sugestões apresentadas pelas participantes da mesa-redonda “Mulheres na Engenharia”, realizada nesta terça-feira (19/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em São Paulo. O evento integra a programação da IV Semana de Engenharia Elétrica e de Computação (IV SEnEC), promovida pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação da Poli, que se encerra na sexta-feira.

A mesa-redonda teve a intermediação da vice-diretora e professora do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP, Liedi Legi Bariani Bernucci, primeira mulher a ocupar um cargo na Diretoria da Escola. Como debatedoras participaram as professoras Cintia Borges Margi, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS), e Roseli de Deus Lopes, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos (PSI), além da engenheira politécnica Renata Bartoli de Noronha, que atua em captações de recursos em desenvolvimento imobiliário no Credit Suisse (CSFB).

O resultado do debate mostrou que, apesar do machismo que ainda permeia a sociedade de uma forma geral, a discriminação, geralmente implícita, é algo que pode ser lidado com uma postura mais propositiva por parte da mulher. E que a Poli, como instituição, tem tido um papel ativo para combater este tipo de postura.

Vocês foram vítimas de preconceito na Engenharia da Poli? Renata Noronha foi taxativa na resposta. Não. “Sempre tive demanda muito grande por performance, vivi em um ambiente de competição e cooperação muito forte. Essa questão de se sentir discriminada está muito relacionada a não se deixar discriminar. Nunca me senti discriminada”, disse.

Já Roseli Lopes ponderou que viveu algumas situações no passado que lhe pareceram normais na época, mas hoje, ao revê-las, fica em dúvida sobre se foi vítima de machismo – como, por exemplo, uma vez em que tirou nota alta em uma disciplina e percebeu que os colegas ficaram incomodados. “Estávamos muito no piloto automático no passado, inclusive com relação a outros problemas além de gênero, como bullying. Hoje, as pessoas não aceitam muitas coisas que antes toleravam”, afirmou.

Cintia Margi também não se recorda de ter sofrido preconceito, de forma explícita, mas lembrou de algumas brincadeiras discriminatórias. “De modo geral, eu ouvia, não gostava, mas não criava antagonismo com os colegas”, contou. “Esse tipo de brincadeira existe há muito tempo e continua existindo, mas acho que, com o passar da idade, criamos uma casca”, prosseguiu. “Hoje é mais comum as pessoas deixarem claro quando não gostam de algo”, acrescentou.

Casos de brincadeiras discriminatórias de professores ou de alunos foram citados pelo público. Liedi Bernucci lembrou que a Poli tem um canal para que esses casos sejam reportados: a Ouvidoria. “Temos acolhido as reclamações, e os nomes são preservados”, destacou ela. “É preciso pontuar essas questões com tranquilidade, mas com firmeza.”

Maior exigência – A mulher precisa se esforçar mais do que o homem para não duvidarem de sua capacidade e para ter mais oportunidades na carreira? Para Renata Noronha, performance é uma obrigação quando se trabalha em um ambiente norteado pela meritocracia. “Na medida em que você entrega resultados consistentes, você conquista seu espaço”, afirmou.

A executiva considera, porém, que as mulheres são pouco representadas nos cargos de liderança porque, quando constituem família, acabam acumulando muitas tarefas, o que torna difícil entregar resultados iguais aos de um homem sem as mesmas responsabilidades. “A empresa quer resultado. Se uma pessoa acumula funções fora do ambiente de trabalho, ela tende a entregar menos e tem dificuldade de assumir cargos mais elevados”, continuou.

Em sua opinião, o que deve mudar é a posição do homem, que também precisa assumir responsabilidades familiares, dividindo as tarefas com as mulheres. “As mulheres muitas vezes tomam a dianteira e assumem tarefas sem dar chance ao homem para ele fazer isso”, acrescentou. Para ela, as mulheres precisam saber dividir as tarefas e construir essa visão de compartilhamento na educação dos seus filhos.

Cintia Margi lembrou que, apesar de as metas serem iguais e explícitas na carreira acadêmica, a cobrança é desigual. Ela citou um estudo no qual foi constatado que no processo de revisão de artigo científico duplo cego – revisor e autor não sabem quem são – o resultado é diverso quando se sabe que primeiro autor do artigo é uma mulher.

O elemento cultural, na avaliação das participantes, ainda é um empecilho para ter mais mulheres interessadas em Engenharia. Mulheres não são incentivas a gostar de Matemática e outras disciplinas de Exatas; acabam sendo direcionadas para as de Humanas e Biológicas. E o problema não se reflete apenas na Engenharia da Poli. Liedi Bernucci contou que, depois de formada, foi estudar na Escola Politécnica Federal de Zurique, na Suíça. “Na época, eram 50 pessoas no instituto e não havia nenhuma engenheira. Hoje, apenas 8% dos alunos são mulheres lá, um indicador mais baixo do que o da Poli”, disse.

Mudança em curso – Roseli Lopes contou que houve um aumento da presença de projetos submetidos por meninas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) depois de uma campanha que destacou a presença do sexo feminino no evento. “Precisamos elaborar mais campanhas junto às escolas de ensino fundamental e médio para mudar essa realidade. As próprias alunas da Poli podem voltar a suas escolas e fazer isso”, sugeriu.

Ela também defendeu que a Engenharia seja divulgada junto às escolas como uma atividade que tem profissionais dedicados a resolver problemas da sociedade, e não como uma área técnica e difícil. Cintia Margi também endossa este tipo de iniciativa. “É importante dar visibilidade para mulheres que chegaram a cargos importantes, mostrando que é possível, sim, desenvolver uma carreira.” 

Veja as fotos do evento em nosso álbum do Flickr.

 

Semana de Engenharia Elétrica inicia com palestra sobre internet das coisas

Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, deu a sua visão a respeito das novas tecnologias.

Atualmente, 40% de toda a comida produzida no mundo vai para o lixo antes mesmo de ser consumida. Além disso, 70% do trânsito dos centros urbanos é gerado por pessoas em busca de um local para estacionar. Segundo Guilherme Spina, politécnico fundador da empresa V2COM, apesar desses dados aparentarem não possuir nenhuma relação entre si, são sintomas de um mesmo problema: a falta de organização humana que, ainda para ele, está sendo resolvida aos poucos com o surgimento de tecnologias e sistemas inteligentes como a Internet das Coisas – em inglês, Internet of Things (IoT).

A constatação de Spina foi feita durante a palestra que abriu a Semana de Engenharia Elétrica (SEnEC), organizada pelo Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE). O evento começou nesta segunda-feira (18/09) na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). A Semana durará até o dia 22 e terá mais de 20 atividades, incluindo workshops, mesas de debate e visitas técnicas.

O politécnico contou sobre a história da empresa aos presentes. Fundada em 2002, ela consiste, nas suas palavras, em “uma montadora de Lego de hardware e software”, desenvolvendo sistemas baseados no conceito de IoT. Atualmente atende e foca em organizações que trabalham com energia, óleo e gás, agropecuária e cidades inteligentes.

Sua maior atuação é no setor energético. Spina afirma que a empresa já forneceu medidores elétricos às principais distribuidoras de energia do país, o que coloca a V2COM como uma importante contribuinte para a digitalização do setor.

Para explicar melhor sobre as atividades da empresa, o palestrante trouxe um exemplo de um cliente. Trata-se de uma empresa do setor canavieiro cujo sistema de reversão da vinhaça – que diz respeito ao transporte do resíduo resultante do processamento da cana, depois que ela é utilizada em usinas – foi digitalizado e transformado em imagens, que podem ser acessadas por qualquer parte da fábrica. Segundo ele, o próximo passo é criar sistemas inteligentes que possam trabalhar em cima dessas imagens e cuidar do processo sem a necessidade da mão de obra humana.

Ao falar sobre o futuro da tecnologia, o CEO defendeu que ele será sustentado por três conceitos: IoT, Big Data e inteligência artificial. Isso fará com que “as decisões das grandes empresas deixem de ser tomadas com dados do passado, tirados de uma planilha, e passem a ser tomadas com base em dados captados imediatamente”.

Quando questionado sobre o eventual desemprego gerado pelas inovações, Spina foi otimista. “Dizer que a tecnologia produz desemprego é uma falácia. A tecnologia gera, na verdade, desenvolvimento e, consequentemente, algumas profissões têm que se modificar”, argumentou.

As inscrições para a IV Semana de Engenharia Elétrica ainda podem ser feitas por meio do site. Para conferir a programação, basta acessar o evento da Semana no Facebook.

 

Especialistas discutem desafios para o uso do gás no cenário de redução de emissões de GEE

Evento será realizado na USP por dois centros de referência no assunto: o RCGI, do Brasil, e o SGI, da Inglaterra.

Nos dias 19 e 20 de setembro, a Universidade de São Paulo sediará a 2ª edição da Sustainable Gas Research & Innovation Conference, que reunirá especialistas do Brasil, Inglaterra, China e Estados Unidos para discutir o futuro do gás. O objetivo é compartilhar o conhecimento de tecnologias inovadoras que viabilizem o uso do gás em um cenário mundial de expectativa de redução de emissões de gases de efeito de estufa (GEEs).

O evento, organizado pelo Fapesp Shell Research Centrer for Gas Innovation (RCGI), do Brasil - sediado na Escola Politécnica da USP -, e pelo Sustainable Gas Institute (SGI), da Inglaterra, está em sua segunda edição e acontece no auditório do Centro de Difusão Internacional da USP, no campus do Butantã, em São Paulo.

Além de pesquisadores dos dois institutos, participam também da conferência o Secretário de Minas e Energia do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles; o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, José Goldemberg; o vice-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan; o pró-reitor de pesquisa da USP, José Eduardo Krieger; o diretor de separação de gás da Shell, Rob Littel e Plínio Nastari, membro do Conselho Nacional de Políticas Energéticas.

Abordagens inovadoras – Na ocasião, serão apresentados os resultados dos 29 projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos pelos 150 pesquisadores do RCGI. Haverá palestras com especialistas da Inglaterra, China e EUA sobre políticas energéticas, transferência de tecnologia e comercialização, e novas tecnologias. Um painel irá discutir o papel do gás, biogás, hidrogênio e das tecnologias de captura e armazenamento de carbono no mix de energia para o futuro.

Segundo o diretor científico do RCGI, Julio Meneghini, a conferência é uma iniciativa única que possibilita aos pesquisadores das duas instituições o compartilhamento de conhecimento para que se compreenda plenamente o papel do gás natural no cenário global de energia. “O gás natural representa, a um só tempo, um imenso desafio e uma incrível oportunidade para o Brasil, tendo em vista a expectativa de que a produção brasileira cresça por conta da entrada em operação do Pré-sal”, lembra ele.

“Nossos desafios incluem desde a tecnologia para o armazenamento e o aproveitamento do recurso – não só como energético, mas como matéria-prima para obtenção de outros recursos cujas tecnologias de aproveitamento ainda estão sendo desenvolvidas – até a infraestrutura para sua disseminação e transporte, passando pela formação de demanda e pela falta de cultura de uso do gás no País”, resume

Serviço: A Sustainable Gas Research & Innovation Conference 2017 acontece no Auditório do CDI da USP (Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 222 – Cidade Universitária – São Paulo). No dia 19/9, das 8h às 20h, e no dia 20/09, das 8h às 21h15. Veja a programação completa em: http://bit.ly/2h5nwdl

 

Pesquisa Origem Destino do Metrô deve ter primeiros resultados no segundo semestre de 2018

Quase 65 mil domicílios da Grande São Paulo devem receber a visita dos pesquisadores para levantar informações sobre a locomoção das pessoas na região.

O Metrô deve divulgar os primeiros resultados da Pesquisa Origem Destino (OD) – Edição 2017 no segundo semestre do ano que vem. A previsão foi feita pelo gerente de Planejamento, Integração e Viabilidade de Transportes Metropolitanos da companhia, o arquiteto Luiz Antônio Cortez Ferreira, durante apresentação feita por ele hoje (13/09) a alunos, docentes e pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), no campus da USP do Butantã, em São Paulo. A pesquisa é o principal e mais completo levantamento feito sobre a locomoção das pessoas pela Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O governo está investindo R$ 11 milhões na pesquisa. Parte dos recursos vem de um empréstimo junto ao Banco Mundial.

Realizada a cada dez anos desde 1967, um ano antes da criação do Metrô, a Pesquisa Origem-Destino completa 50 anos ocupando um papel fundamental para a companhia. “Trata-se de uma fonte confiável e contínua de informação para o planejamento. Para nós, é um estudo essencial, pois dele dependem os simuladores de demanda do Metrô, ou seja, não podemos deixar de fazê-la se quisermos planejar o transporte de São Paulo”, destacou Cortez.

A pesquisa abrange todos os 39 municípios da RMSP, que é dividida por zonas, de forma a garantir a representatividade estatística da amostra. O estudo trabalha com os locais para os quais o metrô pode se expandir. A amostra é de 32 mil domicílios da RMSP, mas os pesquisadores devem visitar o dobro de residências para obter os dados em quantidade suficiente para atingir a amostra definida. Devem ser entrevistadas 103 mil pessoas.

Além da pesquisa domiciliar, o estudo averigua dados sobre as viagens que têm origem fora da RMSP e aquelas que cruzam as vias da região. É a chamada pesquisa na linha de contorno, na qual o Metrô monta 21 postos de pesquisa em rodovias, no ponto onde está a divisa da RMSP com municípios que não a integram. Com apoio da Polícia Rodoviária, os pesquisadores fazem uma contagem dos veículos que passam, por tipo de veículo, e também entrevistam os ocupantes de veículos – cerca de 40 mil questionários serão aplicados. A polícia faz a abordagem dos motoristas, para garantir a segurança de todos. Também são entrevistadas pessoas que usam os terminais rodoviarios de ônibus, os fretados e aeroportos.

O estágio atual – No momento, os pesquisadores estão coletando os dados, visitando as residências para que seus moradores respondam ao questionário. Os domicílios são sorteados e, antes da visita, o Metrô envia uma carta, na qual consta apenas o endereço do morador, explicando a pesquisa, as medidas de segurança para que a pessoa saiba que é realmente um pesquisador do Metrô que está indo até sua casa e dando os contatos do Metrô para tirar dúvidas e agendar o dia em que o pesquisador pode ir até a casa.

São basicamente três as perguntas dos pesquisadores: quais viagens foram realizadas, no dia anterior (e é sempre um dia útil), pelas pessoas que habitam a residência; quais os modos de locomoção utilizados (metrô, ônibus, carro, táxi, a pé, bicicleta etc); e os motivos que levaram a pessoa a se locomover pela cidade (trabalho, estudo, consulta médica, supermercado etc). “O questionário é aplicado a todos os residentes, inclusive às crianças”, contou. A renda familiar, formação, ocupação dos moradores, endereços de trabalho (formais e informais) e de escola também constam da pesquisa. Isso porque a motivação das viagens é um quesito que influencia muito o uso das redes. A renda também: famílias com melhores condições de renda tendem a se locomover mais.

Os resultados da pesquisa permitem, por exemplo, quantificar o movimento pendular da população que habita a RMSP, no qual as pessoas se deslocam no horário de pico da manhã da periferia para o centro da cidade de São Paulo, e depois retornam no fim do dia para suas casas, gerando um pico na parte da tarde. Isso ocorre, essencialmente, por causa da concentração de empregos na região central da cidade, e na expulsão dos moradores do centro, em razão do custo dos terrenos nesse local ser mais elevado do que na periferia.

O estudo também capta outros momentos de pico de locomoção, como o do horário do almoço, quando muitos estudantes deixam a escola por terem entrado no período da manhã, enquanto outros entram para o período da tarde, e ainda o pico mais próximo do fim de noite, quando as pessoas que trabalham e estudam nas faculdades estão retornando para suas residências. “Observamos a expansão da mancha urbana de São Paulo e vemos como, cada vez mais, as pessoas foram para periferia e como a maior expansão se dá na coroa periférica, enquanto o centro se esvazia. Isso nos obriga a buscar as pessoas cada vez mais longe e a ter de atender uma área cada vez maior”, aponta.

“Nossa pesquisa serve para termos quantificação, caracterização e diagnóstico da mobilidade na Região Metropolitana, para ter subsídio para planos e projetos futuros de transporte e para fornecer insumos para projeção de viagens futuras”, destaca. “A pesquisa serve também para outras áreas: avaliar a evolução urbana, pois temos uma série histórica importante, análise de uso do solo, estudos de mercado, entre outros trabalhos que podem ter interesse da academia, poder público e empresas”, acrescenta.

Os dados de pesquisas anteriores estão disponíveis para o público em geral no site do Metrô: http://www.metro.sp.gov.br/pesquisa-od/. Os resultados da edição 2017 também serão disponibilizados neste canal.

Sigilo e anonimato – As informações individuais sobre cada um que responde ao questionário, como o endereço, renda familiar, locais de trabalho, são sigilosas e protegidas, inclusive por sistemas de criptografia. Também é garantido pelo Metrô o anonimato: não constam nomes nos formulários, apenas o endereço. Uma vez que o pesquisador preencheu o questionário com o morador e fechou o arquivo, o documento é enviado em tempo real para o sistema central do Metrô que armazena os dados da pesquisa e o questionário não pode mais ser aberto pelo pesquisador ou qualquer outra pessoa que não tenha autorização para acessar o banco de dados.

Para garantir a segurança dos participantes da pesquisa domiciliar, a carta traz uma senha, que deve ser dada pelo pesquisador para o morador antes dele entrar na residência. Os participantes também podem checar na Central de Atendimento do Metrô se o pesquisador é mesmo da empresa, dando o nome do mesmo para o atendente fazer a checagem. Uma nova arquitetura web foi desenvolvida para a realização dessa edição da pesquisa, contemplando novas medidas de segurança dos dados e também a transmissão em tempo real dos dados coletados pelos pesquisadores, entre outros aspectos. 

 

Equipe da USP Mining Team garante pódio dos Jogos Minerários

A organização de alunos USP Mining Team garantiu a primeira e terceira colocação em uma competição promovida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os Jogos Minerários. Realizado entre os dias 16 e 18 de agosto, o campeonato tem como objetivo a integração entre os alunos de cursos na área de mineração de diversas universidades do país, com provas que envolvem atividades típicas do setor.

Baseado nos Jogos Internacionais de Mineração (International Mining Games), os Jogos Minerários são um evento pioneiro no Brasil que promovem competições entre equipes utilizando técnicas clássicas de mineração, além de fomentar o networking entre os participantes.

O aluno de Engenharia de Minas da Poli e integrante da USP Mining Team, Milton Candido, acredita que o evento o fez ter mais vontade de seguir no seu curso, pois as palestras mostraram as diversas inovações empregadas na mineração, e o horizonte de possibilidades gerado por isso. Ele ressalta, também, que com a competição foi possível estar em contato com alunos de engenharia de minas de diversas faculdades. “É sempre bom ver como pessoas de outras Universidades enxergam o curso, e isso foi possível durante os Jogos Minerários”.

Os alunos tiveram como patrocinadores a HDA, Bosch, Martin Engenharia e LACASEMIN, foram orientados pelo professor Maurício Bergerman, e tiveram apoio também da Diretoria da Escola Politécnica da USP, que forneceu o transporte até Belo Horizonte.

Outras informações sobre a equipe estão na página https://www.facebook.com/uspminingteam/

 

Estudo da Poli mostra queda acentuada de polinização com impacto na produção agrícola

Noventa por cento de quase 5 mil municípios analisados terão perdas de polinizadores em 30 anos. Regiões Sul, Sudeste e Nordeste serão mais afetadas

No Brasil, 60% das culturas agrícolas dependem de polinizadores, em maior ou menor grau. Mas um artigo assinado por biólogos, agrônomos e engenheiros mostra que o aquecimento global e as mudanças no clima podem afetar a ocorrência de polinizadores naturais. O artigo será publicado na revista PLOS ONE nesta quarta (9/8), e nele foram avaliados 95 polinizadores de 13 culturas agrícolas dependentes de polinização no País. Descobriu-se que quase 90% dos 4.975 municípios analisados enfrentarão perda de espécies polinizadoras nos próximos 30 anos. No Brasil, a probabilidade de ocorrência de polinizadores poderá ter uma queda de 13% até 2050, segundo o estudo.

Escrito por um time multidisciplinar encabeçado pela bióloga e pós doc pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Tereza Cristina Giannini, o artigo Projected climate change threatens pollinators and crop production in Brazil aponta que a região Sudeste será a mais impactada, ao passo que na região Norte há possibilidade de um leve aumento da ocorrência de determinados polinizadores. Entretanto, como afirma Tereza, que hoje é pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, as perdas serão maiores que os ganhos.

“Para as culturas agrícolas e os polinizadores que estudamos, esse foi o resultado. Mas isso não significa que esse resultado seja sempre válido para todas as espécies. Os cenários climáticos são baseados em projeções do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) que utilizam vários critérios, inclusive de caráter socioeconômico como desmatamento, uso de combustível fóssil, desigualdade de distribuição na renda... Então, o que se tem discutido é que, especialmente o oeste da região Norte, ainda bem protegido por mata nativa, talvez sofra um impacto menor das mudanças de clima, diferentemente das áreas do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil. Mas, no geral, o que se vê é que, apesar das tendências levemente positivas no Norte, as perdas são maiores que os ganhos.”

As culturas agrícolas estudados foram acerola, urucum e maracujá (categorizados como culturas agrícolas em que a polinização é essencial); abacate, goiaba, girassol e tomate (muito dependentes da polinização); coco, café e algodão (modestamente dependentes); feijão, tangerina e caqui (pouco dependentes). A dependência se deve à morfologia da flor: há flores que não precisam de polinizador animal (o vento, por exemplo, já resolve). Outras precisam que o polinizador carregue o grão de pólen de uma flor para outra, garantindo, assim, a polinização.

“É importante ressaltar as seguintes descobertas: primeiro, as perdas maiores afetam municípios com baixo PIB, o que pode impactar ainda mais os níveis de pobreza dessas regiões; e segundo, ao mesmo tempo (e em menor grau), elas afetam também um grupo de municípios muito rico, com valores de PIB muito altos que podem ser potencialmente reduzidos pelas perdas de polinizadores.”

O grupo usou a Modelagem de Distribuição de Espécies (MDE), técnica que determina áreas potenciais de ocorrência de espécies e projeta sua distribuição futura. Para estimar a ocorrência e localização de cada espécie polinizadora, foram usados os bancos de dados do Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA) e do Global Biodiversity Information Facility (GBIF).

“A modelagem de distribuição de espécies já tem sido usada há alguns anos. O ineditismo nesse trabalho foi a abordagem de cruzar a estimativa dos polinizadores do país, com foco nos municípios, com o impacto que isso tem na produção agrícola, município por município”, resume o professor Antonio Mauro Saraiva, do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação da Poli-USP.

Supervisor de Tereza no pós doc, ele afirma que o enfoque do trabalho ultrapassa o de um mero exercício científico. “Não se trata de entender apenas como as mudanças climáticas afetarão os polinizadores, mas como elas poderão impactar diretamente as culturas polinizadas e a produção agrícola, e os efeitos econômicos disso – algo que tem uma importância social grande. Esses resultados podem ser apresentados para tomadores de decisão e produtores e a metodologia tem potencial para tornar-se uma ferramenta de políticas públicas.”

Segundo ele, a grande novidade é que a abordagem mostra, município por município, onde é possível haver problemas de déficit de produção agrícola em função de polinizadores. Para Tereza, a pergunta mais importante agora é: que espécies vão se adaptar?

“De modo geral, achamos que a adaptação provavelmente vai acontecer com espécies que toleram amplas faixas de temperatura e precipitação. Mas isso é muito difícil de medir. Podemos mensurar a tolerância de um polinizador à mudança de calor, por exemplo. Mas como medir essa mesma tolerância se a mudança demorar dez anos para acontecer?”

Entre as espécies estudadas pelo grupo, Tereza aponta como relevantes as abelhas sem ferrão do gênero Melipona e a Tetragonisca angustula (chamada de jataí); as espécies do gênero Bombus e Xylocopa (as mamangavas); e as abelhas do gênero Centris (abelhas de óleo).

O artigo é assinado ainda por William França Costa (também pós doc na Poli), Guaraci Duran Cordeiro, Vera Lucia Imperatriz-Fonseca, Jacobus Biesmeijer (da Holanda) e Lucas Alejandro Garibaldi (da Argentina), além do professor Antonio Mauro Saraiva.

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ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

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