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Professor da UCLA participa de workshop na Poli-USP

William Yeh falou sobre os modelos matemáticos utilizados para otimizar o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas.

William Yeh, professor da University of California Los Angeles (UCLA) e referência em planejamento e operação de sistemas de recursos hídricos de grande porte, esteve presente na última terça-feira (11/07), em São Paulo, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), para explicar sobre os modelos matemáticos utilizados na otimização do armazenamento de água em reservatórios de usinas hidrelétricas. O pesquisador foi um dos palestrantes do “Workshop II: Hydrothermal Planning Operation for the Brazilian Interconnected Power System - Stochastic Optimization with Recourse” realizado como parte das atividades do projeto de P&D “Nova plataforma de planejamento da operação hidrotérmica do Sistema Interligado Nacional” e organizado pelos professores Renato Carlos Zambon e Mario Thadeu Leme de Barros, ambos da Poli.

Yeh destacou que prever a quantidade de água necessária a ser armazenada nos reservatórios das usinas de grande porte não é uma tarefa fácil devido a fatores de imprevisibilidade. “Calcular o armazenamento de água é trabalhar com uma sequência de tomadas de decisão baseada na incerteza”, afirmou. Atualmente, o armazenamento deve levar em conta a operação integrada de energia com térmicas e outras fontes, os múltiplos usos da água, os riscos do não atendimento à demanda da população e a elevação excessiva de custos diante de incertezas, como em cenários de secas mais severas.

Por conta deste cenário, diversos modelos computacionais matemáticos foram criados para otimizar o prognóstico da quantidade de água a ser estocada nos reservatórios. Yeh explicou quais são e como eles foram desenvolvidos. Um deles é utilizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para as hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse software considera quatro grandes subsistemas no país: Norte, Sul, Centro-Oeste/Sudeste e Nordeste, e não considera importantes não linearidades que ocorrem na operação hidráulica das usinas. Já o modelo não linear e estocástico, desenvolvido pelo grupo de pesquisa da Poli, analisa individualmente as mais de 150 usinas hidrelétricas de médio e grande porte no país.

Projeto da Poli – O workshop contou ainda com uma apresentação do projeto feita por Zambon. Ele mostrou aos presentes um gráfico sobre a evolução da geração de energia elétrica a partir das diferentes fontes (hidrelétrica, térmica, eólica e nuclear) durante os últimos 17 anos no país, e explicou que a maior parte é fornecida pela geração hidrelétrica, mas para completar a oferta e atender à demanda da população há a necessidade em se despachar energia térmica, que é mais cara e danosa ao ambiente. Por isso, a decisão mês a mês sobre a quantidade de água a ser estocada ou utilizada para a geração nas usinas hidrelétricas é tão importante.

A pesquisa dos docentes da Poli já está em sua terceira fase e contou com o apoio de diferentes projetos e entidades patrocinadoras ao longo do tempo. A primeira delas, feita em 2003 pelo professor Barros, contou com o desenvolvimento do primeiro modelo matemático que analisava individualmente a estocagem de água de 75 usinas hidrelétricas no país. O paper resultante da pesquisa se tornou referência científica e um dos artigos mais citados do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA).

A segunda fase, realizada em 2008, adicionou a relação das hidrelétricas com as térmicas, e ganhou o mesmo destaque científico. Porém, ainda considerava um cenário único, determinístico de vazões afluentes, problema que pôde ser resolvido agora na conclusão da terceira fase da pesquisa e com a adoção do modelo matemático estocástico, que considera múltiplos cenários.

Zambon deu exemplos de aplicações recentes em estudos como a obra de transposição do Paraíba do Sul para o sistema Cantareira no abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, o impacto das novas usinas como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau e da seca recorde na bacia do São Francisco na operação do SIN, e da participação das eólicas quem em poucos anos cresceu de menos de 1% para mais de 7% do total da geração. A apresentação de Zambon foi finalizada com comentários do Dr. João Eduardo Gonçalves Lopes, que identificou diferenças entre o modelo utilizado no SIN e o desenvolvido na pesquisa da Poli. Yeh concluiu a apresentação com sugestões para pesquisas futuras, com destaque para diferentes técnicas de previsão e cenarização e a incorporação das fontes eólica e solar no modelo de otimização do planejamento energético.

Confira as fotos do evento em nosso álbum no Flickr

(Amanda Panteri). 

Última atualização em Qui, 13 de Julho de 2017 11:31
 

Poli Cidadã entrega certificados aos voluntários dos projetos de 2017

Foram entregues 68 certificados a alunos e funcionários da Poli-USP que foram voluntários em projetos sociais promovidos pelo Programa.

Alunos e funcionários da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que contribuíram como voluntários em projetos sociais realizados no primeiro semestre deste ano, no âmbito do Programa Poli Cidadã, receberam ontem (11/07) seus certificados de participação. A cerimônia ocorreu no prédio da Administração da Poli e contou com a presença do professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Escola; da professora Liedi Légi Bariani Bernucci, vice-diretora; e do coordenador do Programa, o professor Antonio Luis de Campos Mariani, do Departamento de Engenharia Mecânica.

Na abertura do evento, o diretor da Poli ressaltou a importância do Programa e disse estar muito contente por ter, em seu mandato, apoiado projetos que ele considera fundamentais para a sociedade. Piqueira defendeu a formação de engenheiros de alto nível e comprometidos com o rigor ético. “Eu quero que vocês tenham consciência de que vivem em um ambiente que precisa de vocês para inúmeras coisas. Eu quero que vocês saiam da Politécnica sabendo disso e da importância da ética no mundo atual”, ressaltou.

Já a vice-diretora da Poli lembrou a todos que, em países desenvolvidos, os projetos sociais são muito valorizados. “Em um país como o nosso, com tantas diferenças sociais, nós que somos privilegiados temos que ter este papel”, enfatizou.

Piqueira também parabenizou a atuação do professor Mariani e a considerou decisiva para o bom funcionamento dos projetos – o que, na visão de Mariani, foi uma via de mão dupla: “O apoio da Diretoria tem sido fundamental”, destacou ele, após apresentar as iniciativas de 2017 e falar sobre o histórico do Poli Cidadã, que já contou com mais de 200 alunos voluntários.

Projetos realizados – No total, foram entregues 68 certificados – todos relacionados a três projetos. Um deles foi a Oficina de Redação, ministrada no dia 8 de abril pela funcionária Juliana Freire Leite, do Serviço de Cultura e Extensão da Poli. Juliana participa da Comissão Gestora do Poli Cidadã e tem formação em Letras-Português pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP). Na oficina, ela orientou e discutiu elementos que podem ajudar os alunos do ensino médio na redação do vestibular. Foi uma forma de preparar os monitores que ministram aulas ou tutorias nos projetos parceiros do Poli Cidadã, como o Projeto Kali e o Matemática em Movimento.

Outro projeto foi a Oficina de Brinquedos, realizada em parceria com alunos do Centro Acadêmico da Mecânica (CAM) da Escola. A atividade contou com a participação de crianças de 11 e 12 anos de duas instituições vizinhas à USP (ONG Sinhazinha Meirelles e a Escola Estadual Professor Emygdio de Barros), que puderam projetar e construir brinquedos.

O terceiro projeto foi feito em parceria com o grupo estudantil PET Mecatrônica e com o Projeto Envelhecimento Ativo, do Hospital Universitário, e resultou na realização da Oficina de Inclusão Digital. Voltada a funcionários e servidores terceirizados da USP, a atividade consistiu em aulas de informática gratuitas. 

Confira as fotos do evento no álbum do Flickr da Escola Politécnica. 

(Amanda Panteri)

Última atualização em Qui, 13 de Julho de 2017 16:13
 

Poli-USP discute o planejamento da operação das usinas hidrelétricas e térmicas no Brasil

O evento tratará dos avanços mais recentes sobre o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) e contará com a presença de William Yeh, professor da UCLA 

Como gerir corretamente o armazenamento de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras, considerando a operação integrada com térmicas e outras fontes, intercâmbios, usos múltiplos da água, expansão do sistema, riscos de não atendimento à demanda e elevação excessiva de custos diante das incertezas sobre as principais variáveis envolvidas, como em cenários de secas mais severas. Esse é um desafio que os pesquisadores Renato Carlos Zambon e Mario Thadeu Leme de Barros, professores do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), estão enfrentando atualmente. Os últimos avanços desse estudo serão tema de um workshop que será realizado no dia 11 de julho, que contará com a presença de William Yeh, professor da University of California Los Angeles (UCLA).

O workshop servirá para discutir resultados do projeto de pesquisa “Nova plataforma de planejamento da operação hidrotérmica do Sistema Interligado Nacional” sobre técnicas de otimização aplicadas à geração de energia elétrica no Brasil. Começa às 9 horas e será realizado no PHA. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . O professor Yeh é um estudioso na área de análise de sistemas de recursos hídricos e parceiro de Zambon e Barros na pesquisa.

Atualmente, o sistema de produção de energia elétrica no país se baseia nos sistemas hidrelétrico, térmico e eólico. As usinas hidrelétricas são responsáveis por atender maior parte da demanda de energia no país, que por sua vez é complementada pela produção dos outros dois tipos de usinas. Fatores como períodos de secas podem influenciar e prejudicar a produtividade das usinas hidrelétricas, exigindo acionar térmicas de custo muito elevado e com impactos ambientais significativos.

Os modelos utilizados atualmente pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN) representam as regiões Norte, Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste como quatro grandes subsistemas agregados em reservatórios equivalentes. Em seus trabalhos de pesquisa, os professores Zambon e Barros defendem a análise individualizada das mais de 150 usinas hidrelétricas de médio e grande porte no país.

Cooperação de longo prazo – A pesquisa é fruto de uma parceria entre os dois docentes da Poli e o professor William Yeh, da UCLA. Zambon atua em trabalhos conjuntos com o professor norte americano desde 2003, incluindo o seu pós-doutorado realizado na UCLA entre 2013 e 2014. Barros e Yeh possuem trabalhos conjuntos desde o final da década de 1980.

“Nosso Departamento é muito conhecido por ter participado de diversos projetos de construção das maiores usinas hidrelétricas do Brasil”, conta Zambon. “Agora, o interesse não está mais apenas em construir, mas também em como operar essas usinas de uma forma eficiente”, complementa. O grupo de pesquisas já contou com a participação de graduandos, pós-graduandos e pesquisadores de outras universidades brasileiras, e recebe o apoio da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e da Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).

(Amanda Panteri)

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Serviço: Workshop II: Hydrothermal Planning Operation for the Brazilian Interconnected Power System - Stochastic Optimization with Recourse

Quando: 11 de julho.
Horário: Das 9h às 17h.
Onde: Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli-USP. Av. Prof. Almeida Prado, trav.2, n.83, Prédio da Engenharia Civil, Cidade Universitária, São Paulo SP.
Inscrições: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. informando nome completo, profissão, instituição e e-mail para contato. 

Última atualização em Sex, 07 de Julho de 2017 17:13
 

Estudantes da Nigéria iniciam aulas de pós-graduação na Poli-USP

Um grupo de 17 alunos nigerianos vai participar dos cursos de mestrado e doutorado do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) deu mais um passo importante no sentido da internacionalização da instituição. Em agosto, um grupo de 17 estudantes nigerianos inicia as aulas no programa de pós-graduação do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo (PMI) da Escola. A estada dos alunos na USP é resultado de um convênio assinado em junho do ano passado entre a Poli e o Petroleum Technology Development Fund (PTDF), instituição da Nigéria que apoia pesquisas em exploração de petróleo por meio da concessão de bolsas de estudo.

“O PTDF é extremamente ativo no apoio à pesquisa em petróleo e busca sempre uma formação no estado da arte para os alunos na pós-graduação. Quando procuraram por instituições que têm programas de formação e de pesquisa avançados na exploração de petróleo em grandes profundidades, olharam para o Brasil e nos encontraram. Depois de um tempo de negociação, fechamos a parceria”, destaca o chefe do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo, professor Giorgio de Tomi.

O PMI ocupa a 25ª posição no QS World University Rankings by Subject, entre os cursos universitários existentes no mundo. O QS World University é o principal ranking internacional relacionado ao ensino superior no mundo. Já o PTDF, que existe há mais de 15 anos, é um grande financiador na Nigéria. Até o ano passado, já havia financiado mais de 2,5 mil bolsas de mestrado e 642 de doutorado.

O petróleo é a principal fonte de riqueza do país africano, que busca, com o convênio, formar os profissionais para atuar na sua indústria. A Nigéria também tem petróleo em camada de pré sal, mas está tecnologicamente um pouco atrás em relação ao Brasil na exploração de águas profundas, área na qual nosso país é líder mundial em pesquisa e produção, daí buscar a formação de recursos humanos aqui. “Quando pensamos em termos de país, a gente nota que temos problemas e desafios semelhantes. Queremos sair de onde estamos e elevar o patamar de nossas economias, então é natural que sejamos parceiros e que eles nos procurem por termos a liderança no conhecimento e na tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas”, atesta Giorgio.

Dos 17 alunos que virão da Nigéria, nove irão cursar o mestrado e oito farão o doutorado na Poli, e ambos vão ter aulas e desenvolver atividades de pesquisa nos campi da Poli em São Paulo e em Santos. “A porta de entrada é o curso de petróleo, mas o programa que eles vão desenvolver aqui é multidisciplinar e vai envolver outras áreas da Engenharia, em assuntos relacionados ao setor de petróleo e aos seus projetos de pesquisa”, acrescenta. Cada um tem um docente tutor – que não é necessariamente o orientador da pesquisa. “O papel do tutor é ajudar na ambientação, dar dicas para facilitar a adequação como aluno da USP, como se engajar nas disciplinas etc”, explica.

O programa de pós-graduação do PMI já tem quase metade de seu conteúdo aplicado em língua inglesa, então esse não será um problema para os estudantes nigerianos. Mas eles terão aulas de língua portuguesa, pois parte do programa é também oferecer elementos da cultura brasileira aos participantes e inseri-los na sociedade enquanto estiverem no Brasil. O prazo previsto para conclusão dos cursos é de dois anos para quem está fazendo mestrado, e de três anos para o doutorado.

(Janaína Simões)

Última atualização em Qui, 06 de Julho de 2017 15:55
 

Aplicativo inspirado em Pokémon GO explora fauna da Mata Atlântica

Primeira versão do BioExplorer será lançada com alunos de escolas públicas na Semana do Meio Ambiente da USP

Jovens se aglomerando em lugares por onde nunca haviam passado, interagindo com pessoas com as quais nunca tinham conversado, todos unidos na busca por personagens de um desenho animado japonês. Foi o que provocou o lançamento do aplicativo Pokémon GO, que em pouco tempo se tornou um fenômeno no mundo inteiro.

O sucesso do jogo chamou a atenção de Antônio Mauro Saraiva, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação (NAP BioComp). Ao notar a movimentação em torno do app, Saraiva se questionou como as crianças e os adolescentes poderiam aprender enquanto jogavam.

O resultado foi o BioExplorer, um aplicativo de realidade aumentada com animais da Mata Atlântica. Sua primeira versão conta com quatro animais: o lobo-guará, a capivara, o carcará e a onça-pintada, que aparecem em um raio de 35 metros do jogador. Ao encontrar cada um deles, os animais se apresentam em áudio e texto. Depois de conhecer todos, um personagem folclórico é desbloqueado, o Saci-Pererê.

“Quando eu vi a garotada procurando pokémons, quis criar algo que levasse as pessoas a aprenderem mais sobre a nossa biodiversidade com o mesmo entusiasmo. Mas não só a nossa biodiversidade, o nosso folclore também, que é muito ligado à natureza, aos rios, às matas, à fauna e flora”, diz Saraiva.

Segundo o professor, as próximas versões do aplicativo contarão com mais animais e personagens folclóricos e, dependendo da recepção do BioExplorer, novos aplicativos do gênero podem ser criados.

O BioExplorer é uma ferramenta de educação ambiental que visa a abordar assuntos como o desmatamento, a extinção de animais, as mudanças climáticas e a biodiversidade da Mata Atlântica. O projeto é baseado em conceitos da educomunicação — como a educação outdoor, que propõe uma maior interação dos alunos com o objeto de estudo — e da computação.

O projeto foi feito em conjunto com sete unidades da USP: além da Poli, o Instituto de Biociências (IB), Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), Escola de Comunicações e Artes (ECA), Parque de Ciência e Tecnologia (Cientec), Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) e Superintendência de Gestão Ambiental (SGA). Há também a parceria com as empresas 3Dvoyage e o DoopaTV.

Lançamento - O BioExplorer já está disponível no Google Play e será lançado na Semana do Meio Ambiente da USP, que ocorre entre os dias 5 e 9 de junho. Alunos da Escola de Aplicação (EA) da USP e do Programa de Desenvolvimento Humano pelo Esporte (Prodhe) participarão de uma atividade na Raia Olímpica da USP.

Além disso, a semana também contará com atividades do Projeto Ecossistemas Costeiros, projeto de extensão do IB. Escolas públicas participarão de trilhas no Parque Cientec e no Cepeusp que discutirão as mudanças climáticas e ensinarão a turmas de ensino fundamental o processo de fotossíntese e o ciclo do carbono.

(Larissa Lopes | Jornal da USP)

 

INOVALAB@POLI é primeiro laboratório brasileiro a integrar rede internacional finlandesa

A rede Design Factory Global Network é composta por centros de pesquisa que possuem como pressuposto o ensino multidisciplinar

A inserção do laboratório INOVALAB@POLI, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), na rede internacional Design Factory Global Network é um passo importante para a promoção das parcerias entre os setores acadêmico e industrial, destacou o reitor da USP, professor Marco Antonio Zago. Ele participou da cerimônia de oficialização da entrada do laboratório na rede, realizada nesta terça-feira (20/06), no Anfiteatro do Departamento de Engenharia de Produção (PRO).

Além do reitor, participaram do evento a vice-diretora da Escola, Liedi Légi Bariani Bernucci, o embaixador da Finlândia no Brasil, Markku Virri, e diversas autoridades.

O reitor da USP destacou a importância da rede internacional no que ele disse ser o principal objetivo de sua gestão. “Devemos derrubar os muros da Universidade e fazê-la se relacionar com a sociedade e com o setor produtivo”. Ele afirmou ainda que a Poli faz isso muito bem, e lembrou a todos que o relacionamento entre a Finlândia e o Brasil já é intenso e muito bom, mas que agora está caminhando para áreas como a da inovação. Por isso, segundo ele, é importante incentivar projetos e parcerias entre os dois países.

Zago terminou sua fala agradecendo aos professores e à Poli pela iniciativa, e não se esqueceu dos alunos. “São os estudantes que movem a Universidade e a sociedade, por isso temos que ouvi-los.”

Zago, Bernucci e Virri compuseram a mesa de abertura. Coube à professora Roseli de Deus Lopes, uma das coordenadoras do laboratório, dar as boas vindas a todos os presentes. Ela lembrou que o INOVALAB, que completa cinco anos, surgiu com o intuito de conquistar espaços dentro da Poli e de desenvolver múltiplas competências nos alunos. A docente ainda afirmou que a entrada do laboratório na rede é um grande passo para a Universidade em termos de internacionalização e que o apoio do Fundo Patrimonial Amigos da Poli, da Diretoria da Escola e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP foram imprescindíveis para a realização do projeto.

Liedi Bernucci agradeceu a presença de todas as autoridades em nome da Poli-USP, e disse ser uma honra para a Escola poder fazer parte da rede, uma vez que a Finlândia é um exemplo em educação e inovação. Virri completou a fala da colega afirmando que acompanha os acordos de internacionalização entre universidades dos dois países há três anos, e que a cooperação científica está aumentando e deve ser incentivada. “A Design Factory serve como exemplo de como uma universidade finlandesa utiliza conceitos como a cooperação para realizar projetos inovadores”, terminou.

Os presentes ainda puderam assistir a uma apresentação de Viljami Lyytikaimen, da Universidade de Aalto, na Finlândia. Ele explicou o que é a Design Factory Global Network, criada há dois anos com o intuito de “formar os melhores criadores e desenvolvedores”. Ele contou que os laboratórios que fazem parte da rede trabalham em projetos de engenharia, seminários e atividades mais informais (como um café servido semanalmente e aberto ao público) voltados para a multidisciplinaridade.

Segundo Lyytikaimen, a possibilidade de ter pessoas de diversas áreas trabalhando em espaços comunitários para a solução de um único problema enriquece os resultados obtidos e melhora a interação dos alunos dentro da universidade. Dentro da rede, os professores fazem papel de mentores e os estudantes são os protagonistas. Para se aproximar ainda mais da prática, a Design Factory visa o ensino do processo de inovação considerando os seguintes elementos: conhecimento e estudo do problema, desenvolvimento de protótipos, formação de equipes multidisciplinares, realização de parcerias com a indústria e a colaboração internacional.

Ele ainda trouxe um exemplo concreto de atividades que são feitas dentro da rede. Uma delas é a hackathon, realizada durante uma semana simultaneamente em diversos países, e que utiliza a diferença de fuso-horário entre eles para o revezamento do trabalho das equipes em turnos, à medida que anoitece em cada localidade. Após a apresentação de Lyytikaimen, os presentes assistiram a um vídeo produzido por alunos que compõem a rede internacional em que davam boas vindas ao INOVALAB.

Uma segunda mesa de cerimônia visou discutir a importância da rede para a USP. Estiveram presentes na discussão Fernando José Barbin Laurindo, chefe do Departamento de Engenharia de Produção; Lucas Tomilheiro Sancassani, presidente do Amigos da Poli; Carlos Gilberto Carlotti Jr, Pró-Reitor de Pós-Graduação da USP; José Eduardo Krieger, Pró-Reitor de Pesquisa da Universidade; Moacyr Ayres Novaes Filho, da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (AUCANI) e a vice-diretora da Poli, Liedi Bernucci.

Sancassani começou falando das iniciativas do Amigos da Poli com o objetivo de aumentar a qualidade da formação dos alunos. Ele explicou também como funcionam os Fundos Endowment. Barbin Laurindo disse ter ficado impressionado com a iniciativa da Poli, uma vez que a entrada da Escola em uma rede como a Design Factory é muito importante para combater o que ele defendeu ser uma crescente individualização do mundo. “A Engenharia de Produção nasceu com uma necessidade de multidisciplinaridade, e ter esse espaço que possa acolher alunos de outros cursos é muito bom”, afirmou.

Ayres Novaes destacou que as diretrizes de ação internacional nas universidades estão mudando: antes elas eram baseadas na troca de conhecimento entre as instituições de ensino, e agora focam mais nas transformações das mesmas. Carlotti endossou a fala do colega ao defender que a internacionalização agora passa por uma nova fase, onde os investimentos deixarão de ser concentrados nos alunos e passarão às universidades e suas iniciativas, como as redes de pesquisa.

Krieger foi o último a discursar. Ele afirmou que a USP é uma instituição cara e financiada pela sociedade, que espera muito dela. “Por isso, precisamos melhorar a relação da USP com a sociedade e com a indústria, assim como a Design Factory faz”, completou.

Eduardo Zancul, professor da Poli e coordenador do laboratório, encerrou a cerimônia com agradecimentos a todos. Após isso, os presentes foram convidados para o descerramento da placa de agradecimento ao Fundo Patrimonial Amigos da Poli e a reinauguração de uma sala do INOVALAB. O dia terminou com uma feira de startups e projetos incubados pelo laboratório.

Sobre a rede - A rede nasceu na Universidade de Aalto, na Finlândia, onde foi desenvolvido o sistema educativo da Design Factory. A expressão diz respeito à ideia de integração multidisciplinar entre engenharia, design e negócios para a realização de projetos e pesquisas. Os bons resultados do laboratório da universidade finlandesa fizeram com que a instituição resolvesse expandir a ideia e criar a rede internacional, que é integrada por instalações semelhantes de universidades em Portugal, Suíça, Estados Unidos, Austrália, Chile, Colômbia e agora do Brasil.

Confira as fotos da cerimônia em nosso álbum do Flickr

(Amanda Panteri)

Última atualização em Qui, 22 de Junho de 2017 16:50
 

Workshop sobre relação entre indústria e universidade é sediado na Poli

Evento realizado pela Associação de Engenheiros Brasil - Alemanha (VDI) teve as presenças de representantes de instituições de ensino e de importantes empresas brasileiras e multinacionais.

Uma pequena sondagem feita pela Associação de Engenheiros Brasil - Alemanha (VDI) junto a um grupo de docentes de instituições de ensino superior paulistas e representantes de algumas empresas de origem alemã mostrou que o Brasil ainda tem muito espaço para avançar na questão do relacionamento universidade-empresa. Problemas com a burocracia e insegurança jurídica no que se relaciona a propriedade intelectual ainda são as principais barreiras na relação academia-indústria no Brasil, mostraram as respostas ao questionário da VDI.

Essa sondagem foi uma atividade prévia do workshop sobre a relação entre a indústria e as universidades brasileiras realizado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) na última quarta-feira (13/06). No evento, os participantes da sondagem discutiram, na forma de grupos de trabalho, algumas possíveis soluções para facilitar a parceria entre universidades e empresa no Brasil, observando as práticas na Alemanha.

Participaram da atividade representantes de empresas como a Bosch Rexroth, Mercedez-Benz, Simens, Volkswagen e ThyssenKrupp e de universidades paulistas como o Ensino Superior de Negócios, Direito e Engenharia (Insper), Instituto Mauá de Tecnologia e a própria Poli. Antes do workshop, os participantes responderam a um questionário avaliativo da relação indústria brasileira\universidades.

Marcio Lobo Netto, docente da Escola e um dos organizadores do evento, conta que a ideia do workshop nasceu a partir da realização de algo parecido em 2016. Nele, foram convidados engenheiros e estudantes para responder a perguntas sobre a indústria 4.0 e pensar no papel da profissão após a revolução tecnológica. Esse ano, foram chamadas apenas pessoas já formadas atuantes no mercado de trabalho e professores universitários.

Netto, que possui muito contato com a VDI e com universidades alemãs,  abriu o workshop com sua análise sobre o assunto. Segundo ele, as universidades e empresas possuem muitos pontos em comum que podem render ótimas parcerias. Porém, ele ressaltou que a relação entre os dois campos no Brasil ainda é bem fraca quando comparada com a situação existente no país europeu.

Johannes Klingberg, da VDI, explicou que a ideia do workshop nasceu com a inquietação que as empresas têm a respeito da mudança brusca e da rapidez com que novas tecnologias são inventadas hoje em dia. Ele passou então a palavra a Maurício Muramoto, vice-presidente da VDI, que fez uma breve apresentação sobre os desafios que a indústria tem pela frente.

Livaldo Aguiar dos Santos, vice-presidente da VDI, concordou com o parecer de Marcio Lobo Netto ao afirmar que, na Alemanha, há mais diálogo entre os dois setores do que no Brasil, e explicou que a pesquisa apontou justamente isso: a falta de comunicação e de parcerias efetivas entre as empresas e instituições de ensino. Segundo ele, o principal objetivo do evento foi tentar mover iniciativas e soluções para o problema, seja por meio da criação de núcleos ou da formação de clusters - concentração de empresas que se comunicam por possuírem características semelhantes e discutirem os mesmos assuntos.

Na pesquisa, a maioria dos presentes sinalizou que a própria empresa não tinha um acordo de colaboração em criação tecnológica com universidades, e apontou que a questão da propriedade intelectual era uma barreira. Além disso, grande parte afirmou ter consciência de que o relacionamento entre empresas e universidades é fraco no País por dificuldades geradas devido às burocracias jurídicas. “As universidades possuem limites na questão dos entraves burocráticos”, confirmou Aguiar. Ele finalizou com um desafio. “A gente tem que trazer para as empresas associadas à VDI mais discussão com as universidades e mais sugestões para melhorar o cenário brasileiro”.

Após a apresentação dos resultados do questionário, iniciou-se a dinâmica. Os participantes foram divididos em grupos de quatro a cinco pessoas e orientados por Flavia Ursini, da empresa Inova na Conversa. Eles foram então incentivados a pensar nas problemáticas e possíveis soluções que melhorariam a relação entre as empresas e as instituições de ensino por meio do método do design thinking, processo criativo voltado para o desenvolvimento de soluções que tenham a empatia como pressuposto. Na sequência, foram discutidas propostas para a resolução do problema, convergindo em um grupo de ideias principais. Todo o material será devidamente compilado e disponibilizado em breve por Netto, que ficou muito contente com os resultados do dia.

“Foi o primeiro passo numa importante aproximação entre instituições que reconhecem o valor das parcerias, mas têm dificuldades para implementá-las no nível em que gostariam. O evento mostrou ainda que os participantes tem interesse e disposição para prosseguir com algumas das iniciativas propostas”, afirma.

Além de Netto, participaram da atividade os professores da Poli Gilberto Martha e Jaime Sichman, presidente e vice da Comissão de Pesquisa da Escola. Confira as fotos do evento no álbum do Flickr da Escola. 

(Amanda Panteri)

 


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