Escola Politécnica da USP

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O que acontece com os livros doados à Poli-USP?

Livros de assuntos não pertinentes ao acervo da Escola são doados a ONGs e projetos sociais

Cerca de 300 livros foram doados, no último mês, pela Divisão de Biblioteca da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) ao programa social “Ler é Viver”. Essa organização mantém e administra uma biblioteca gratuita na região de São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo, e incentiva os moradores a praticarem a leitura por meio de empréstimos e doações de obras. A iniciativa de doações por parte da Biblioteca acontece periodicamente e beneficia instituições que trabalham com causas sociais.

“Fomos procuradas pelos responsáveis do projeto e nos dispusemos ajudar”, conta Maria Cristina Olaio Villela, chefe técnica da Divisão de Biblioteca da Poli. É a primeira vez que a Biblioteca realiza a parceria com o projeto “Ler é Viver”, mas outras doações já foram feitas a diversos projetos sociais.

Villela conta como ocorrem as doações. “Regularmente, a biblioteca recebe obras doadas por ex-alunos, professores e da comunidade em geral. Tais obras são selecionadas de acordo com os critérios estabelecidos na Política de Desenvolvimento de Acervo, e aquelas não pertinentes aos assuntos da escola são oferecidas a outras Instituições”.

Obras recebidas e não incorporadas ao acervo da biblioteca podem ser doadas a qualquer pessoa ou instituição. Já as obras do acervo da biblioteca que são despatrimoniadas só podem ser repassadas a órgãos e universidades públicas.

Além das ONGs, os próprios alunos da Poli podem se beneficiar com as obras que não são incorporadas ao acervo da biblioteca. Isso porque Villela organiza, desde 2008, e não consecutivamente, uma feira para doação e barganha de livros. Durante três dias, obras que não interessam à biblioteca ficam expostas em área de fácil acesso no prédio da Engenharia Civil. Alunos, professores, funcionários e demais visitantes oferecem seus livros usados em troca de outros oferecidos na Feira. O evento ocorre em outubro e já está programado para este ano.

Aquisição de material bibliográfico pela biblioteca da Poli

Livros novos são adquiridos por compra e doação. As compras são feitas de acordo com a demanda de cada Departamento. Já quando a Divisão de Biblioteca recebe doações, analisa o estado físico da obra, edição e se o assunto irá interessar as linhas de pesquisa e áreas da engenharia para poder fazer parte do acervo.Villela ressalta que essa é uma iniciativa importante, e que se preocupa sempre em perguntar ao doador se as obras podem ser repassadas. “Nós perguntamos se podemos doar para outras pessoas os livros que não são de interesse para a Biblioteca da Poli”, afirma.

Histórico da Biblioteca – A Biblioteca da Escola foi criada pela Lei Estadual n. 191 de 1893. Com um acervo de 489 volumes, iniciou suas atividades em 07 de janeiro de 1895 no antigo Solar do Marquês de Três Rios. A cidade de São Paulo dispunha, à época, apenas da Biblioteca da Faculdade de Direito, que reunia obras de Ciências Sociais e Jurídicas.

A criação de novos cursos levou à expansão da Escola e a sua instalação em mais de uma sede. A consequência para a Biblioteca foi a descentralização de seu acervo bibliográfico e a manutenção de coleções de obras especializadas junto às respectivas Cadeiras e, mais tarde, aos Departamentos. Cabia à Biblioteca a aquisição e tratamento técnico das obras que permaneciam junto às Cadeiras para consulta e empréstimo dos interessados. Com a mudança para a Cidade Universitária, essa dispersão acentuou-se, dando origem às novas Bibliotecas.

A Poli possui 15 departamentos, nos quais os docentes e pesquisadores se dedicam a diferentes áreas da engenharia, como química, mecânica, civil, sistemas eletrônicos, etc. Nesses departamentos são oferecidas as disciplinas das 17 especialidades de cursos de graduação da Escola.

Atualmente, a Divisão de Biblioteca da Escola desempenha suas atividades a partir dos Serviços Centralizados, uma Biblioteca Central e sete Bibliotecas Setoriais. Os Serviços Centralizados são responsáveis pelas atividades técnico-administrativas da biblioteca, e o Serviço de Aquisição é responsável pela seleção e aquisição do material bibliográfico que é encaminhado às Bibliotecas Setoriais. A Biblioteca Central atende aos alunos dos dois primeiros anos da graduação.

O acervo da Divisão de Bibliotecas é de aproximadamente seiscentos mil itens dentre livros, periódicos, teses, dissertações, materiais multimídia e outros, distribuídos em uma área de seis mil metros quadrados. A atualização do acervo é feita por meio de compra com verbas oriundas da Reitoria USP e do orçamento da Unidade, além de doações particulares ou de Projetos como FAPESP e CNPq.

 

Alunos pré-vestibulandos passam uma semana na USP e têm aulas de Engenharia

A Escola Avançada de Engenharia Mecatrônica (EAEM) é uma iniciativa do PET Mecatrônica e beneficia jovens de todas as regiões do Brasil

Passar uma semana na Universidade de São Paulo (USP), hospedar-se no Centro de Práticas Esportivas (Cepe-USP), comer no Restaurante Universitário e ainda assistir às aulas da Escola Politécnica (Poli-USP). Foi o que fizeram 25 vestibulandos de todo o país que participaram da Escola Avançada de Engenharia Mecatrônica (EAEM), uma iniciativa organizada anualmente pelo Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Engenharia Mecatrônica da Poli. Sob a tutoria do professor Diolino José dos Santos Filho e com a liderança da estudante do terceiro ano da Poli, Paolla Furquim Daud, o evento ocorreu de 23 a 30 de julho.

O EAEM já está em sua 11ª edição e tem como objetivo servir como uma espécie de primeiro contato dos estudantes com a graduação. A ideia é que eles se sintam incluídos na comunidade da Universidade, e por isso comem, dormem e estudam na USP ao longo da semana. Eles ainda recebem um material didático para acompanhar aulas que fazem parte da grade curricular da Engenharia Mecatrônica, como Fabricação Mecânica, Eletrônica, Sistemas Dinâmicos e Computação e, ao final do curso, devem desenvolver carrinhos motorizados para uma competição entre eles.

Dos 25 participantes desse ano, 14 estudam em instituições públicas, 13 são meninas e 12 são de fora do estado de São Paulo. É o caso de Nicole Karen Moura de Jesus, de Salvador, Bahia. Ela tem 17 anos, cursa o último ano do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e está se preparando para o vestibular. Ela conta como a experiência a está ajudando para decidir entre a Engenharia Mecatrônica ou Elétrica.

“Estou gostando muito da EAEM, pois aqui podemos vivenciar a Universidade e ter contato com matérias novas, como cálculo”, comenta. Ela, que já possui um projeto na escola de um robô que se adapta a regiões de desastres, pretende seguir a carreira de pesquisa e incluiu a Fuvest na lista de vestibulares que irá prestar esse ano.

A EAEM acontece no mês de julho, e por isso as inscrições são abertas nos primeiros meses do semestre. A seleção dos candidatos é feita por meio de três etapas: preenchimento de formulário, envio de uma carta de motivação e entrevista por videoconferência. Diego Rodrigues, aluno do 4º ano da Poli e um dos organizadores do evento, garante que os critérios de triagem são estabelecidos em vista de selecionar estudantes proativos, que demonstram interesse na área de Engenharia Mecatrônica e que buscam uma graduação no ensino superior. Dez das vagas são reservadas para alunos de escola pública, sendo as demais para ampla concorrência.

Programação da Semana – Os alunos começam as aulas desde o primeiro dia que chegam à USP. Eles assistem a palestras com ex-alunos e professores e aprendem como realizar projetos. Nos outros dias, são introduzidos às aulas de Mecatrônica e realizam atividades como a construção de uma ponte feita com macarrão para verificarem os efeitos dos esforços nos materiais. Oficinas para o manuseio de equipamentos também são realizadas. Todas as atividades são pensadas para, no final da semana, os participantes terem conhecimento suficiente para a construção dos robôs. O domingo é reservado para a competição das máquinas construídas e apresentações de despedida.

Confira as fotos no álbum do Flickr da Escola: https://www.flickr.com/photos/poliusp/albums/72157684393171033

 

Poli-USP e IPT pretendem realizar pesquisas em conjunto

Evento voltado a docentes da Escola e pesquisadores do Instituto contará com a assinatura de um protocolo de intenções 

Professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), também sediado na USP, têm um encontro marcado para discutir as possíveis linhas de pesquisa em que as instituições trabalharão. O 1º Workshop de Parceria Poli-IPT tem como objetivo aproximar os dois centros de referência em tecnologia no Estado de São Paulo e ocorrerá no dia 17 de agosto, às 14 horas, no IPT.

Segundo o docente Mauro Zilbovicius, que colaborou com a Diretoria da Escola na organização do evento, a parceria será benéfica para ambos os lados. “Acho que é possível ganhar muito em termos de compartilhar instalações, laboratórios e pessoas. Tanto o IPT quanto a Poli possuem pesquisadores de excelente nível”, afirma.

Esse também seria um meio encontrado para driblar a crise financeira que afeta o Estado e as instituições financiadas por ele. “A situação não está fácil em termos de mercado e empresas, então podemos juntar esforços para buscar recursos e trabalhar juntos”, completou.

A proximidade física da Escola com o IPT é uma das grandes vantagens em se incentivar a parceira. Literalmente vizinhas, elas permitem que uma pessoa vá de um local para o outro a pé e em poucos minutos. Outra vantagem citada pelo professor são os estágios proporcionados aos alunos, uma oportunidade de associar a graduação ao mercado de trabalho, aproveitando o aprendizado ao máximo.

Tendo isso em vista, a Poli já tem tomado iniciativas para fazer com que os estudantes conheçam melhor o IPT. Uma delas foi a visita monitorada ao Instituto, voltada aos ingressantes de 2017, durante a Semana de Recepção aos Calouros. Nela, os recém-chegados puderam conhecer os laboratórios e conversar com pesquisadores do IPT.

Para o Workshop, conta-se com a presença dos docentes da Poli que possuem algum vínculo com o IPT (por já terem trabalhado lá ou orientado alguma tese ou dissertação de algum pesquisador), o que não impede que professores interessados em contribuir com a parceria também participem.

No dia, serão realizadas rodas de conversas e atividades com os pesquisadores do Instituto para, no final, traçar e identificar as principais linhas de pesquisa a serem desenvolvidas em conjunto, definir se elas precisarão de financiamento ou não, e quais equipamentos e laboratórios poderão ser utilizados. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Também será assinado um acordo de intenções entre o professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, e Fernando José Gomes Landgraf, diretor presidente do IPT.

Histórico - Zilbovicius conta que o IPT nasceu há mais de 100 anos, fruto de um escritório de projetos da Poli. Posteriormente, tornou-se uma empresa estatal, sociedade anônima controlada pelo Estado. Sem ligações diretas entre si, as duas instituições passaram a ter as suas dinâmicas de pesquisa próprias e, apesar de vários professores da Poli já terem feito parte do IPT e vice-versa, o docente enxerga que ainda há espaço para a formação de novos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Queremos usar os recursos da sociedade de uma melhor maneira possível”.

 

Pós-doutorado em Tratamento de Resíduos Sólidos com Bolsa da FAPESP

Via Agência FAPESP – O Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) oferece uma oportunidade de Pós-Doutorado em Tratamento de Resíduos Sólidos com Bolsa FAPESP. Prazo de inscrição até dia 4 de agosto.

A bolsa está vinculada ao Projeto Temático “Estudo de novas tecnologias e rotas de processamento para o tratamento e reciclagem de resíduos sólidos”.

O projeto temático tem como objetivo geral caracterizar e estudar processos e alternativas tecnológicas para tratar e reciclar resíduos sólidos de acordo com o que foi estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, além de estudar as implicações e regulamentações previstas na lei brasileira sobre o assunto. O projeto será desenvolvido no Laboratório de Reciclagem, Tratamento de Resíduos e Metalurgia Extrativa da Poli.

O bolsista selecionado irá desenvolver o tema “Recuperação de cobre a partir do liquor obtido na biolixiviação de placas de circuito impresso através de eletro-obtenção”. O candidato deve comprovar experiência científica no tema proposto. É desejável que tenha experiência em resíduos sólidos, técnicas eletroquímicas e analíticas (FAAS, ICP, EDX, CI).

As inscrições serão recebidas exclusivamente por e-mail, com documentação anexa em formato pdf, e enviadas ao professor responsável pelo Projeto Temático Jorge Alberto Soares Tenório ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), pesquisador principal do projeto.

Os documentos necessários para a inscrição são Curriculum Lattes atualizado, certificado de conclusão do doutorado e carta de apresentação indicando a razão de interesse na bolsa, com um breve relato da experiência do candidato.

A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O selecionado receberá Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP no valor de R$ 6.819,30 mensais e Reserva Técnica. A Reserva Técnica de Bolsa de PD equivale a 15% do valor anual da bolsa e tem o objetivo de atender a despesas imprevistas e diretamente relacionadas à atividade de pesquisa.

Caso o bolsista de PD resida em domicílio diferente e precise se mudar para a cidade onde se localiza a instituição-sede da pesquisa, poderá ter direito a um Auxílio-Instalação. Mais informações sobre a Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP estão disponíveis em http://www.fapesp.br/bolsas/pd

 

Politécnicos criam ferramenta que seleciona mudas ideais de cana-de-açúcar

O projeto já recebeu um prêmio da Odebrecht, e concorre a outro em agosto.

Selecionar mudas de cana-de-açúcar em condições favoráveis para o plantio se tornou uma tarefa fácil graças à tecnologia criada pelos politécnicos Fernando Lopes, Fernando Veloso e Henrique Oliveira, sócios fundadores da startup Mvsia, incubada no Inovalab@Poli da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O projeto já ganhou o Prêmio Odebrecht de Desenvolvimento Sustentável e concorre agora ao Prêmio Inovacana, promovido pelo Grupo IDEA nos dias 9 e 10 de agosto.

A ferramenta faz a seleção das mudas utilizando visão computacional e inteligência artificial e se baseia em critérios como o enraizamento da mesma, sua cor, diâmetro do caule e altura para diferenciar aquelas com melhores condições para o plantio. Ainda há um sistema mecatrônico que separa as consideradas boas das ruins.

Com a capacidade de analisar e separar uma muda por segundo, a ferramenta contribui para aperfeiçoar a produção e reduzir custos com mão de obra. “Sem falar na qualidade do produto final, que é difícil de mensurar”, acrescenta Lopes. “Quem faz isso geralmente é uma pessoa, e o olho humano cansa. A nossa ferramenta faz a seleção durante 10 horas sem perder produtividade”, explica ainda. Ele garante que o investimento feito gera lucros que alcançam o preço da tecnologia em até um ano e meio.

O politécnico conta que a criação é quase exclusiva no mercado, uma vez que a técnica do plantio da cana utilizando a muda foi criada no Brasil, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e é usada somente no país. Esse foi um dos motivos que levaram os sócios a escolherem o aprimoramento da produção de cana-de-açúcar como projeto. “Temos muito contato com pessoas do ramo do agronegócio. A gente sabe que o mercado da cana é muito grande, principalmente no Brasil, o maior produtor mundial”, destaca Lopes.

Apesar do sucesso e destaque nas premiações, a ferramenta ainda é um protótipo, e não há previsão do seu lançamento no mercado. Isso porque os politécnicos esperam contar com o apoio de empresas do agronegócio interessadas na tecnologia. Lopes explica, no entanto, que eles aguardarão para tocar este projeto em específico, uma vez que outras ferramentas parecidas, também desenvolvidas por eles, já estão disponíveis no mercado. É o caso da seletora de mudas de eucalipto, que recebeu o Prêmio Santander de Empreendedorismo em 2015.

Premiações – Fernando Lopes esteve em Nova Iorque durante a semana do dia 17 de julho para receber o Prêmio Odebrecht de Desenvolvimento Sustentável na categoria Person of the Year (POY) Fellowshipa Award, concedido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA e pelo comitê da premiação. A cerimônia contou com a presença de Albert Fishlow, professor emérito da Universidade de Columbia (NY) e um dos maiores especialistas em economia brasileira; Paulo Vieira da Cunha, economista e ex-diretor do Banco Central (BC); e dirigentes da Câmara e da Odebrecht.

Para Lopes, experiências como essa são imprescindíveis para o crescimento da startup. “A premiação em dinheiro é muito importante para nós, porque estamos investindo na empresa. Além disso, ganhamos muito com a divulgação do projeto”. A premiação foi criada em 2008 e já foi realizada em oito países.

Além disso, eles também concorrem ao Prêmio Inovacana, promovido pelo Grupo IDEIA, consultora especializada na indústria canavieira. A premiação foi criada com o intuito de incentivar a criação de inovações voltadas ao setor sucroenergético, e acontecerá nos dias 9 e 10 de agosto. Nesses dias, três projetos selecionados (incluindo o dos politécnicos) deverão apresentar um resumo de suas invenções aos julgadores em Ribeirão Preto, SP.

 

Pesquisa da Poli-USP propõe novo modelo de governança para o sistema portuário brasileiro

Corporatização portuária, descentralização do planejamento, unificação dos planos e reformulação de algumas instituições, entre outras ações, poriam fim a ineficiência do sistema portuário.  

Estima-se que a ineficiência do sistema portuário brasileiro gere prejuízos da ordem de R$4,3 bilhões por ano para o país. Para reverter este quadro, o pesquisador Sergio Sampaio Cutrim, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), identificou os principais fatores que tornam precária a administração do setor, propondo um novo modelo de governança e planejamento que é baseado, principalmente, no modelo corporatização portuária, na descentralização do planejamento e na unificação de algumas instituições e planos.

Em seu estudo, Cutrim constatou que os prejuízos são causados sobretudo pelas multas pagas sobre estadia dos navios aguardando a operação de embarque ou desembarque nos portos, pela demora na liberação das cargas da alfândega, por custos logísticos desnecessários e pela falta de infraestrutura do sistema portuário brasileiro. “São prejuízos que poderiam ser evitados se houvesse um planejamento estratégico dos portos que visasse a superação de gargalos logísticos, a homogeneidade do desenvolvimento da movimentação portuária, além de investimentos suficientes e uma implantação não fragmentada dos planos portuários”, afirma o pesquisador que se debruçou sobre o tema durante três anos.

Descentralização – Uma medida urgente é fazer com que as instituições portuárias públicas funcionem administrativamente do mesmo modo que empresas privadas no País, ou seja, com técnicas de gestão do setor privado, porém preservando o interesse público. É o que ele chama de corporatização portuária. “Isso reduziria a interferência política no setor e melhoraria significativamente sua gestão”, afirma.

“Outra medida importante é implementar a descentralização do planejamento portuário”, completa. Hoje, essa atividade está centralizada no Ministério do Transportes, Portos e Aviação Civil (MT) e a ideia é que seja descentralizada em nível regional para as autoridades portuárias, garantindo maior agilidade no setor. “Atualmente, para aprovar uma nova concessão ou um projeto para um novo berço em um terminal público demora-se de três a quatro anos. E se fosse descentralizado, isso poderia ser definido em meses”.

Por esse modelo, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MT) ficaria responsável pela política nacional portuária, e as autoridades portuárias cuidariam do planejamento da expansão e modernização dos portos. “Atualmente, qualquer expansão ou projeto de investimentos é feita pelo MT, o que torna o processo mais demorado”, conta.

Unificação – O excesso de instituições e planos também foi outro problema identificado. Cutrim sugere que o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) e o Plano Mestre, ambos criados com o objetivo de realizar as previsões de demanda dos portos e o planejamento da infraestrutura necessária para atendê-los, sejam unificados em uma única proposta. “São dois planos distintos trabalhando na mesma área e feitos por duas instituições diferentes, que vez ou outra chegam a resultados diferentes, e isso dificulta muito”, diz. No mesmo sentido seria a unificação do Plano Geral de Outorgas (PGO) com o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP).

O pesquisador também considera a Empresa Brasileira de Planejamento e Logística (EPL), estatal que tem por objetivo o planejamento logístico integrado no país, desnecessária, uma vez que já existem instituições com responsabilidades e funções de planejamento e esta função deve ser descentralizada. Por isso, ele defende a extinção da mesma.

Ainda no sentido da unificação, uma de suas ideias foi adotada recentemente pelo governo: a administração dos três modais de transporte brasileiros em um único ministério, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MT). Antigamente, o MT ficava encarregado apenas do modal rodoviário, enquanto o sistema aquaviário e o da aviação eram administrados por dois órgãos com status de ministérios, a Secretaria Especial de Portos (SEP) e a Secretaria da Aviação Civil, respectivamente.

“A unificação é importante, pois os modais de transporte são interdependentes, em especial o aquaviário”, comenta. “Um porto serve como um elo entre os modais rodoviário, ferroviário e aquaviário. Os sistemas de transportes modernos são administrados de forma integrada, assim se consegue mais eficiência e menos custo na utilização”, defende.

Novo foco – Cutrim avalia que o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte (CONIT), órgão ligado ao governo federal, que propõe políticas nacionais de integração dos diferentes tipos de transporte, deve ser reformulado com o objetivo de transformá-lo em um órgão efetivo de assessoria e planejamento do setor. Atualmente, essa função está distribuída a várias instituições, e uma centralização em nível nacional facilitaria a governança, o planejamento e a definição da política nacional de transporte e logística.

A reformulação do Conselho de Administração (CONSAD) – entidade que fiscaliza a gestão dos portos públicos – também é uma proposta de Cutrim. Para ele, o Conselho deveria passar a adotar critérios técnicos para a escolha dos conselheiros e atuar efetivamente na fiscalização da administração portuária, adotando as boas práticas de governança corporativa reconhecidas internacionalmente.

Outra medida necessária seria o retorno da função deliberativa do Conselho de Autoridade Portuária (CAP). Esse órgão que tem por responsabilidade ser o administrador de todos os interesses dos stakeholders do setor está funcionando apenas de forma consultiva. “Ele não possui mais autonomia para decisões importantes, como projetos de expansão e a aprovação do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento - PDZ. Os sistemas portuários mais avançados do mundo, como por exemplo o Holandês e o Chinês, possuem estas decisões descentralizadas no nível regional”, diz.

Para o pesquisador, essas mudanças fariam com que a operação portuária privada fosse mais eficiente, pois ela teria mais liberdade e autonomia para executar o que sabe. E o setor público, por sua vez, seria mais eficiente na regulação, fiscalização e planejamento.

Sobre o estudo - A pesquisa de Cutrim, intitulada “Planejamento e Governança Portuária no Brasil”, é fruto de uma tese de doutorado defendida em junho último no Departamento de Engenharia Naval e Oceânica (PNV) da Poli-USP, sob a orientação do professor da Poli Rui Carlos Botter. Para o estudo, Cutrim avaliou os planos de transporte PNLT – Plano Nacional de Logística e Transporte e o PNLP - Plano Nacional de Logística Portuária, as experiências internacionais do sistema portuário holandês e chinês, desenvolveu um estudo de caso junto ao Porto de Santos e entrevistou especialistas do setor portuário aplicando a técnica Delphi de investigação.

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ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

Angela Trabbold – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

(11) 5549-1863 / 5081-5237

 

Poli-USP irá atuar em projetos de IoT para a cidade de Joinville

Acordo de Intenções foi assinado ontem (12/07); evento contou também com a empresa Huawei, que possui parcerias em pesquisas com a Escola.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e a Prefeitura de Joinville (SC) passarão agora a trabalhar em conjunto para desenvolver projetos relacionados à Internet das Coisas (IoT) com o objetivo de melhorar a infraestrutura da cidade. É o que está previsto no Acordo de Intenções assinado ontem (12/07) pelo professor José Roberto Castilho Piqueira, diretor da Poli, e Udo Doher, prefeito de Joinville. O evento ocorreu no Auditório de Engenharia Elétrica da Poli e contou com o apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, com a presença do professor Hamilton Varela, e da empresa multinacional em tecnologia Huawei, com a presença do diretor de Marketing Henri Hezhe.

“Pretendemos triplicar os índices econômicos e sociais da cidade em 30 anos, e fazer com que ela seja considerada uma cidade inteligente no futuro”, afirmou o prefeito, que disse ser imprescindível a parceria entre o setor público e a academia para isso. O município já investe em sistemas eletrônicos como o Sigeor, Simgeo e Sei, ferramentas online que facilitam a busca por informações geográficas, administrativas e jurídicas da cidade. Contudo, o prefeito pretende ir mais longe, e prevê acordos para transformar a cidade em um centro digitalizado e inteligente em longo prazo. A parceria com a Poli caminha nesse sentido. “Não estamos olhando para a Joinville de hoje, mas para Joinville do futuro”, completou.

O professor da Escola Moacyr Martucci Jr foi o responsável pela organização do evento e explicou como a Poli irá contribuir no projeto. “Iremos utilizar as inovações relacionadas à IoT desenvolvidas no Departamento em aplicações práticas para a cidade de acordo com os interesses dela”, afirmou. “Podemos fazer isso em diferentes setores, como o da saúde, segurança pública e educação. A assinatura de hoje significou a abertura de um leque de possibilidades”.

Segurança Pública – A Poli já desenvolveu projetos relacionados com a IoT. Um deles, o Smart Campus, resultou da parceria entre a Huawei e a Poli, proporcionada pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade. A ferramenta se utiliza de dispositivos e câmeras de alta tecnologia para identificar pessoas em atividades suspeitas dentro do campus. Esses dispositivos detectam rostos e objetos e enviam as informações para um banco de dados em nuvem, que por sua vez é capaz de identificar a pessoa se ela estiver cadastrada no sistema. Se houver indícios de atividades suspeitas, o sistema envia um alerta de segurança.

Fabio Cabrini, pesquisador do PSI, desenvolveu sua tese de doutorado sobre o software e fez uma apresentação prática para o público do evento. “Estamos trabalhando para que no futuro a ferramenta consiga identificar o caminho que a pessoa faz dentro da Universidade e possa até traçar o perfil da mesma”, concluiu. Para isso, ele afirmou ser necessário o desenvolvimento de uma infraestrutura de comunicação melhor do que a que existe atualmente, uma vez que o tempo de resposta entre os dispositivos, denominado latência, pode sofrer atrasos mesmo com a tecnologia 4G.

Devido a esse problema, a Poli e a Huawei já estão trabalhando com projetos nesse sentido, e até falam na construção de uma comunicação 5G. Foi o que afirmou Martucci, que explicou também sobre outra vertente da parceira Huawei-Poli que estuda meios para aprimorar o ensino utilizando a IoT. O evento contou ainda com uma apresentação da multinacional feita pelo diretor de Relações Públicas da empresa, Vinicius Fiori. 

Confira as fotos do dia no álbum de fotos do Flickr.

(Amanda Panteri)

 


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